México volta ao mercado de títulos Samurai e capta ¥282,8 bilhões
País não acessava o mercado japonês de dívida em ienes havia dois anos
O que aconteceu
O México voltou ao mercado de títulos Samurai na sexta-feira (28), depois de dois anos de ausência. O país captou ¥282,8 bilhões, o equivalente a US$ 1,77 bilhão, segundo a agência Bloomberg. Os ¥282,8 bilhões levantados pelo México representam a primeira emissão do país nesse mercado em dois anos. A operação ocorre em meio a uma corrida de emissões no Japão, com tomadores de vários países antecipando captações para fixar o custo do financiamento antes que os juros japoneses subam ainda mais.
Contexto
Títulos Samurai são papéis denominados em ienes emitidos no Japão por governos e empresas estrangeiras. O nome segue a tradição de batizar o instrumento pelo mercado onde é vendido, como os títulos Yankee, nos Estados Unidos, e os Kangaroo, na Austrália. Para o México, a operação encerra um intervalo de dois anos sem acesso a esse mercado. Não há detalhes sobre o que afastou o país nesse período, mas o retorno acontece em um momento em que o Banco do Japão pode voltar a subir os juros, o que torna a janela atual mais atraente para quem quer garantir taxas antes de um novo aperto.
Por que importa
A emissão mexicana mostra que o mercado de títulos Samurai segue aberto a soberanos da América Latina, mesmo com a expectativa de normalização da política monetária japonesa. Para o México, a captação em ienes diversifica as fontes de financiamento externo e reduz a dependência das emissões em dólar, que costumam ser a principal referência para países emergentes. Para investidores japoneses, o papel oferece prêmio de risco maior do que os títulos domésticos, o que ajuda a explicar a demanda apesar da expectativa de juros mais altos. O valor de US$ 1,77 bilhão, ou ¥282,8 bilhões, reforça o apetite por esse tipo de risco.
Impacto
A corrida de emissões tende a concentrar a oferta de títulos Samurai no curto prazo. Tomadores que planejavam captar mais tarde no ano anteciparam os planos para escapar do efeito de uma eventual alta de juros. Isso deve elevar a concorrência entre emissores e, possivelmente, criar preços mais apertados para quem ficar para depois. Para o México, o impacto imediato é a entrada de recursos em ienes, que podem ser usados para gestão de passivos ou para reforçar o caixa do Tesouro. O movimento também serve de referência para outros países da região que observam a janela de oportunidade antes de o Banco do Japão agir novamente.
O que muda
A volta do México ao mercado de títulos Samurai altera a leitura sobre a demanda por papéis de emissores emergentes no Japão. Na última vez em que o país acessou esse mercado, o ambiente era de juros muito baixos. Agora, mesmo com taxas mais altas, houve comprador para o risco mexicano, o que sugere que o México conseguiu colocar dívida em um cenário menos favorável. O custo efetivo da operação, porém, só poderá ser avaliado com a divulgação dos termos e prazos, que não foram detalhados pela Bloomberg.
O que vem agora
O mercado segue atento à trajetória dos juros no Japão, que podem subir ainda mais, segundo a expectativa embutida na corrida de emissões. Se isso ocorrer, o custo de novas captações em ienes deve aumentar, o que tende a manter a fila de tomadores no curto prazo. O México, depois da operação desta sexta-feira, deve avaliar os próximos passos sem necessidade imediata de voltar ao mercado. A Bloomberg não informou se o governo mexicano planeja novas vendas de títulos Samurai neste ano.
