Michael Polansky treina IA em pele humana viva para criar cosméticos
Outer Biosciences, fundada por Michael Polansky, usa tecido humano vivo fora do corpo para descobrir novos compostos de skincare.
O que aconteceu
Michael Polansky, conhecido publicamente como parceiro de Lady Gaga e ex-executivo do family office de Sean Parker, revelou ao TechCrunch que sua startup Outer Biosciences desenvolveu uma tecnologia capaz de manter tecido de pele humana vivo fora do corpo por mais de um mês. A empresa usa esse tecido para treinar um modelo de IA que identifica novos compostos para cuidados com a pele. A revelação foi feita em entrevista publicada em 21 de agosto de 2026, na cidade de Mill Valley, na Califórnia.
A Outer Biosciences, fundada por Polansky, combina biologia e inteligência artificial. O processo começa com amostras de pele viva, que são mantidas em condições controladas por semanas. Os dados gerados por essas amostras alimentam um modelo de IA, que aprende a prever quais moléculas podem ter efeito benéfico sobre a pele. Polansky disse que a empresa passou anos aperfeiçoando essa técnica sem divulgar nada ao público.
Contexto
Polansky não começou sua carreira em biotecnologia. Ele cresceu em Minnesota e se formou em matemática aplicada e ciência da computação pela Universidade Harvard em 2006. Depois, trabalhou por três anos na Bridgewater Associates, fundo de hedge conhecido por sua cultura peculiar. Em 2007, por coincidência, a assistente de Sean Parker na época era vizinha de infância de Polansky. Ela o apresentou a Parker, que procurava alguém para trabalhar com ele. Os dois jantaram em Nova York, se deram bem imediatamente, e Polansky pediu demissão da Bridgewater no dia seguinte para se mudar para São Francisco.
Na sequência, Polansky atuou como principal na Founders Fund, quando a firma era comandada por Peter Thiel, Sean Parker, Luke Nosek e Ken Howery. Ele dividiu escritório com Brian Singerman, outro jovem principal na época. Quando Parker deixou a Founders Fund após vender ações do Facebook e montar seu próprio family office, levou Polansky junto. Polansky administrou os negócios, investimentos e interesses filantrópicos de Parker, incluindo a criação do Parker Institute for Cancer Immunotherapy, do qual ainda é diretor executivo. Ele permaneceu nesse cargo até a pandemia de COVID.
Por que importa
A técnica de manter pele humana viva fora do corpo por mais de um mês representa uma mudança em relação aos métodos tradicionais de teste de cosméticos. Hoje, a indústria usa principalmente culturas de células imortalizadas, modelos animais ou testes em voluntários humanos. Cada um desses métodos tem limitações. Células imortalizadas não reproduzem o comportamento real da pele. Modelos animais têm diferenças fisiológicas relevantes. Testes em humanos são caros e demorados.
A abordagem da Outer Biosciences usa tecido humano real, o que pode gerar dados mais próximos da resposta biológica de uma pessoa. O modelo de IA, treinado nesses dados, pode acelerar a triagem de milhares de compostos em vez de testá-los um a um. Isso reduz o custo e o tempo para trazer um novo ingrediente ao mercado.
Impacto
No curto prazo, a revelação coloca a Outer Biosciences em uma posição de destaque no setor de beleza e biotecnologia. A empresa ainda não divulgou quais compostos já identificou ou se algum produto está em fase de comercialização. Mas o fato de manter tecido vivo por mais de um mês, algo que poucos laboratórios conseguem, sugere que a startup tem uma vantagem técnica relevante.
No médio prazo, se a tecnologia funcionar em escala, ela pode mudar a forma como grandes marcas de cosméticos testam seus ingredientes. Marcas como L'Oréal, Estée Lauder e Natura investem em alternativas ao teste animal e em métodos mais preditivos. Uma plataforma que usa pele humana viva com IA poderia se tornar uma ferramenta padrão de P&D.
O que muda
A principal mudança é a possibilidade de testar compostos em pele humana sem precisar de voluntários ou de modelos animais. Isso reduz riscos éticos e regulatórios. Também permite testar variações de pele de diferentes idades, etnias e condições, algo que os modelos atuais fazem de forma limitada.
Outra mudança é o perfil de quem lidera a inovação. Michael Polansky, que passou a vida em finanças e tecnologia, agora está na interseção de biologia e IA. Ele não é um dermatologista nem um químico de cosméticos, mas construiu uma equipe que resolveu um problema biológico complexo. Isso mostra que a inovação em beleza não vem mais apenas de laboratórios tradicionais.
O que vem agora
A Outer Biosciences não anunciou prazos para lançar produtos ou parcerias. Polansky disse que a empresa está focada em validar a tecnologia e expandir a capacidade de manter tecidos vivos por períodos ainda mais longos. Ele também indicou que a startup pode buscar parcerias com grandes grupos de cosméticos ou farmacêuticos.
O próximo passo esperado é a publicação de dados científicos ou a apresentação de resultados em conferências da área. Até lá, a comunidade científica vai observar com atenção se a técnica se sustenta fora do ambiente controlado da startup. A revelação coloca Polansky em um novo papel: o de fundador de uma empresa de biotecnologia, e não apenas o parceiro de uma estrela pop ou o ex-assistente de um bilionário do Vale do Silício.
