Moody’s pedia rigor maior do NAIC em ratings privados de crédito

Agência quer que regulador de seguros dos EUA trate classificações não-públicas com mais desconfiança

Por Marcos Guimarães20 ago 2026
Moody’s pedia rigor maior do NAIC em ratings privados de crédito

O que aconteceu

A Moody’s Ratings divulgou uma posição formal pedindo ao Conselho Nacional de Reguladores de Seguros (NAIC, na sigla em inglês) que imponha um rigor maior sobre as classificações de crédito privadas. De acordo com o Bloomberg, a agência argumenta que esses ratings, que não seguem os mesmos padrões públicos de transparência dos评级s de mercado, podem ser manipulados para parecer menos arriscados do que realmente são. A iniciativa foi noticiada em 20 de agosto de 2026 (Bloomberg).

Contexto

O crédito privado tornou-se um mercado volumoso nos últimos anos, atraindo investidores em busca de retornos maiores. Nesse ambiente, cresceu a prática do chamado “rating shopping”, onde emissores buscam entre diferentes agências a nota mais alta para seus produtos financeiros. Moody’s aponta que, na ausência de regulamentação clara, isso pode criar um sistema onde a classificação de risco perde sua função de sinalizar perigo, tornando-se mais uma ferramenta de marketing.

Por que importa

O pedido da Moody’s tem impacto direto sobre a solidez financeira das seguradoras. Essas empresas usam as classificações de crédito para alocar grandes volumes de capital. Se os ratings dos ativos que compram estiverem inflados, as seguradoras podem estar assumindo riscos muito maiores do que pensam, o que representaria uma ameaça à sua capacidade de honrar compromissos com segurados em momentos de crise econômica.

Impacto

No curto prazo, a pressão da Moody’s pode levar o NAIC a revisar os critérios de aceitação dos ratings privados em suas tabelas de capital. Se aceito, o regulador poderia exigir que seguradoras reservem mais capital contra esses ativos, aumentando o custo para seguradoras e diminuindo a atratividade desses produtos de crédito. No médio prazo, pode haver uma redução na emissão de crédito privado e uma busca por maior transparência em suas classificações.

O que muda

A proposta da Moody’s, se implementada pelo NAIC, alteraria a dinâmica do mercado de crédito privado. Seguradoras seriam forçadas a uma análise de due diligence mais aprofundada, dependendo menos do selo de uma rating agency. Isso poderia desincentivar práticas de “engenharia reversa” de ratings e trazer mais estabilidade ao setor de seguros, que tem um impacto direto na economia norte-americana.

O que vem agora

O próximo passo cabe ao NAIC, que deve analisar a recomendação da Moody’s e decidir se abrirá um processo formal de consulta para potenciais mudanças regulatórias. Outras grandes agências de classificação, como S&P Global e Fitch, provavelmente também se pronunciarão sobre o tema, o que definirá se há um consenso de mercado sobre a necessidade de maior rigor.