Moskowitz desafia colegas e mantém apoio ao AIPAC

Jared Moskowitz diz à Bloomberg que não vai se afastar do lobby pró-Israel enquanto outros candidatos evitam o grupo.

Por Marcos Guimarães2 set 2026
Moskowitz desafia colegas e mantém apoio ao AIPAC

O que aconteceu

No dia 2 de setembro de 2026, a Bloomberg publicou uma entrevista em vídeo com o deputado federal Jared Moskowitz, democrata da Flórida. Na conversa, Moskowitz disse que não vai se afastar do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee), contrariando a tendência de vários candidatos democratas que passaram o verão tentando se distanciar do grupo. "Estou realmente preocupado com os judeus aqui", afirmou o congressista à Bloomberg. A declaração foi registrada no vídeo intitulado "Why Florida Rep. Moskowitz Isn't Running Away From AIPAC".

O AIPAC, comitê de ação política pró-Israel, recebeu o apoio público de Moskowitz na entrevista. O deputado, que representa um distrito do sul da Flórida, reforçou que a questão é pessoal: "Estou preocupado com os judeus aqui", repetiu, em referência à comunidade local.

Contexto

O AIPAC é um dos lobbies mais influentes de Washington, historicamente ligado ao Partido Democrata. Mas nos últimos anos, a ala progressista da legenda passou a criticar o grupo por seu apoio a candidatos republicanos e por sua posição em relação a Israel. Muitos democratas em campanha, especialmente os mais à esquerda, evitam ser associados ao comitê. A Bloomberg relatou que vários candidatos passaram o verão tentando se distanciar do lobby, mas Moskowitz decidiu seguir na direção contrária.

Na Flórida, a comunidade judaica é grande e organizada, com forte presença eleitoral em distritos como o de Moskowitz. O deputado, que já foi diretor de gestão de emergências da Flórida, construiu carreira política baseada em alianças moderadas. Sua decisão de manter o apoio ao AIPAC reflete um cálculo eleitoral: enquanto outros democratas temem retaliação de ativistas pró-palestinos, ele aposta na aliança tradicional com Israel como ativo eleitoral.

Por que importa

A postura de Moskowitz destoa do discurso dominante no partido e pode ter impacto na eleição de 2026. Enquanto outros democratas temem retaliação de ativistas pró-palestinos, o deputado aposta na aliança tradicional com Israel como ativo eleitoral. Na Flórida, onde a comunidade judaica é grande e organizada, o apoio ao AIPAC pode render votos. Mas também atrai críticas de eleitores mais jovens e progressistas, que veem o lobby como obstáculo à paz no Oriente Médio.

A declaração de Moskowitz também sinaliza uma divisão interna no Partido Democrata, que já se manifestou em disputas de primárias. O AIPAC tem investido milhões em campanhas contra candidatos progressistas, o que ampliou a rejeição ao grupo. Moskowitz, ao se manter próximo, posiciona-se como um democrata moderado, aberto a temas de segurança nacional, e desafia a narrativa de que o partido está todo alinhado contra o lobby.

Impacto

No curto prazo, a declaração de Moskowitz deve reforçar sua imagem de democrata moderado, aberto a temas de segurança nacional. No médio prazo, pode influenciar a forma como outros candidatos lidam com o lobby. Se Moskowitz for bem nas pesquisas, outros podem seguir seu exemplo. Se perder, o recuo dos demais será validado. A entrevista à Bloomberg, publicada em um momento-chave da campanha, serve como teste para a estratégia de Moskowitz.

A reação dos eleitores do distrito será o primeiro indicador. Se a preocupação com a comunidade judaica ressoar, o deputado pode consolidar sua base. Se os críticos ganharem força, ele pode enfrentar dificuldades nas primárias. O caso também pode servir de referência para outros democratas em distritos com forte presença judaica, como os de Nova York e Califórnia.

O que vem agora

Moskowitz segue em campanha para a reeleição, e seu alinhamento com o AIPAC será testado nas urnas em novembro de 2026. A entrevista à Bloomberg pode ser o primeiro de muitos episódios. O próprio deputado sinalizou que não pretende mudar de posição. "Estou preocupado com os judeus aqui", disse, deixando claro que a questão é pessoal.

Nos próximos meses, espera-se que Moskowitz intensifique sua defesa do AIPAC em eventos de campanha e entrevistas. O lobby, por sua vez, tende a apoiar financeiramente candidatos alinhados, o que pode fortalecer sua campanha. Mas o cenário político é volátil, e a pressão da ala progressista pode aumentar. A decisão de Moskowitz será observada de perto por analistas e por outros políticos que enfrentam o mesmo dilema.

Fontes