Novartis sofre terceiro revés com medicamento da Avidity
Falha em estudo de fase tardia de tratamento para doença rara eleva dúvidas sobre o crescimento da farmacêutica
O que aconteceu
A Novartis sofreu o terceiro revés em ensaios clínicos em uma semana. O último golpe veio de um tratamento para doença rara de perda muscular, que falhou em um estudo de fase tardia. A informação foi divulgada pela Bloomberg na terça-feira, 8 de setembro de 2026, em reportagem da repórter Fabienne Kinzelmann na Bloomberg Television.
O medicamento que falhou é o mesmo que serviu de peça central para a compra da Avidity Biosciences pela Novartis, negócio de US$ 12 bilhões. O fracasso atinge diretamente o ativo mais importante dessa aquisição. O tratamento, planejado para doença rara de perda muscular, ainda estava em fase tardia de desenvolvimento.
Contexto
A aquisição da Avidity Biosciences foi um dos movimentos mais relevantes da Novartis para reforçar o portfólio em doenças raras. O tratamento contra a perda muscular era o argumento clínico principal do negócio. Com a falha, a integração da biotecnológica perde seu principal ativo.
Os dois revés anteriores da semana não foram detalhados na mesma reportagem da Bloomberg. Ainda assim, o acúmulo de falhas em intervalo tão curto expõe a pressão sobre a área de pesquisa e desenvolvimento da Novartis. A farmacêutica não depende apenas desse programa, mas o peso do investimento na Avidity Biosciences torna o resultado mais sensível.
Por que importa
A Novartis depende de novos medicamentos para sustentar o crescimento nos próximos anos. Um fracasso em estudo de fase tardia significa que o produto não deve chegar ao mercado no prazo previsto, ou pode nem chegar. Para um ativo comprado por US$ 12 bilhões, o impacto é direto no retorno sobre o capital investido.
Para os investidores, a notícia traz dúvidas sobre a estratégia de aquisições da Novartis. Se o medicamento central de um negócio bilionário não funciona, as próximas apostas passam a ser vistas com mais ceticismo. A Avidity Biosciences, que era uma biotecnológica independente, agora tem seu valor atado ao desempenho desse programa.
Impacto
No curto prazo, a notícia deve pressionar as ações da Novartis, embora a Bloomberg não tenha informado o movimento do papel. No médio prazo, a farmacêutica precisa reavaliar o programa clínico da Avidity Biosciences. Outros ativos da biotecnológica podem ganhar prioridade ou passar por revisão.
Para pacientes com doenças raras de perda muscular, o revés significa menos esperança de um tratamento novo. Doenças raras costumam ter poucas opções terapêuticas, e cada falha em fase tardia reduz o pipeline de alternativas. O impacto humano é direto, ainda que os detalhes do estudo não tenham sido divulgados.
O que muda
A aquisição da Avidity Biosciences, que já foi vista como uma aposta ousada, agora passa a ser encarada com mais ceticismo. A Novartis precisará explicar ao mercado quais são os próximos passos para o programa clínico. Também precisará dizer se há planos de analisar os dados do estudo em busca de subgrupos de pacientes que possam se beneficiar do tratamento. Nada disso foi detalhado no material divulgado até agora.
O que vem agora
A Novartis não se manifestou publicamente até a publicação da reportagem da Bloomberg. A expectativa é que a farmacêutica apresente os dados completos do estudo em congressos médicos e decida se investe em novos testes ou abandona o programa. O mercado também espera um posicionamento da Avidity Biosciences, que tem sua trajetória agora diretamente ligada às decisões da controladora.
