Operação com cobre vira termômetro das tarifas de Trump

Diferença de preços entre COMEX e LME passou a precificar risco de novas tarifas sobre o metal

Por Marcos Guimarães14 ago 2026
Operação com cobre vira termômetro das tarifas de Trump

O que aconteceu

Os preços futuros do cobre atingiram um recorde de quase US$ 6,90 por libra na semana passada, com o metal sendo impulsionado por uma demanda crescente em infraestrutura de IA, modernização de redes e gastos com defesa. No entanto, a atenção dos investidores se voltou para o spread entre os contratos da COMEX (Nova York) e da London Metal Exchange (LME). Historicamente usado para arbitragem e hedge, o spread agora reflete a expectativa de novas tarifas americanas sobre o metal. A Casa Branca conduz uma investigação da Seção 232 para taxar o cobre refinado importado. Os EUA já cobram 50% sobre produtos semielaborados de cobre, e o Departamento de Comércio recomendou uma tarifa universal escalonada de 15% a partir de 1º de janeiro de 2027, subindo para 30% em 1º de janeiro de 2028. Em julho, os EUA importaram mais de 200 mil toneladas métricas de cobre, o maior volume em 12 anos (dados da CNBC).

Contexto

O arbitrage entre COMEX e LME era tradicionalmente impulsionado por choques de demanda da China ou interrupções de oferta na América do Sul. Agora, segundo analistas do Société Générale, o trade foi transformado pela perspectiva das tarifas. "O spread COMEX-LME tornou-se cada vez mais uma medida das expectativas tarifárias dos EUA, com um prêmio mais amplo sinalizando maior risco percebido e atraindo metal para os EUA", disse Ewa Manthey, estrategista de commodities do ING, à CNBC. A investigação da Seção 232 reflete uma preocupação mais ampla em "garantir acesso a um material crítico para o crescimento econômico e a segurança nacional", afirmou Mike Haigh, chefe de pesquisa de FIC e commodities do Société Générale.

Por que importa

Para investidores e empresas, o spread se tornou uma métrica acionável de risco tarifário. O modelo do Société Générale calcula, com base no custo de envio de cobre LME da Europa para a costa leste dos EUA, que o prêmio atual da COMEX sobre o metal entregue implica em 14,6% de probabilidade de a tarifa de 15% ser aplicada em janeiro de 2027. A chance de uma tarifa de 30% sobe para 37%. Esses números orientam decisões de hedge, logística e precificação para fabricantes de eletrônicos, construção e transporte – setores que dependem do cobre.

Impacto

No curto prazo, o prêmio da COMEX atrai mais metal para os EUA, elevando os preços domésticos e pressionando compradores locais. No médio prazo, a implementação de tarifas universais pode encarecer ainda mais o metal, com efeitos em cadeia para a indústria global. O recorde de importações em julho indica que as empresas americanas estão antecipando possíveis taxas, estocando cobre antes da decisão da Casa Branca.

O que muda

A dinâmica do trade de cobre deixou de ser apenas um fenômeno de arbitragem e passou a funcionar como um barômetro das políticas comerciais de Trump. Para o mercado, isso significa que movimentos no spread devem ser acompanhados de perto como indicação da probabilidade de tarifas. Para os formuladores de políticas, a pressão sobre o preço do metal pode influenciar a decisão final sobre as tarifas, já que a recomendação do Departamento de Comércio ainda precisa ser aprovada pela Casa Branca.

O que vem agora

O desfecho da investigação da Seção 232 é o próximo marco. Se a tarifa recomendada for adotada, o spread entre COMEX e LME deve se ajustar ainda mais. Enquanto isso, os investidores devem continuar usando o prêmio como um termômetro do risco, com a expectativa de que o cobre continue sendo um termômetro da política comercial dos EUA.

Fonte: CNBC