Palo Alto Networks paga US$ 500 mi para comprar Console
Aquisição em dinheiro e ações coloca Serval, apoiada pela Sequoia, como líder isolada em automação de TI
O que aconteceu
A Palo Alto Networks pagou US$ 500 milhões em dinheiro e ações para adquirir a Console, uma startup de dois anos que usa agentes de inteligência artificial para automatizar tarefas rotineiras de help desk de TI. A informação foi confirmada por duas pessoas com conhecimento do negócio ao TechCrunch, publicada em 2 de setembro de 2026.
As empresas anunciaram oficialmente a aquisição na terça-feira, mas não revelaram os termos do acordo. A Console, fundada em 2024, havia levantado US$ 29 milhões em duas rodadas: um seed de US$ 6,2 milhões liderado pela Thrive Capital e uma Série A de US$ 23 milhões co-liderada pela DST Global e pela Thrive.
A Console foi avaliada em US$ 157 milhões antes da venda, segundo a PitchBook. O negócio representa um retorno rápido para investidores como SV Angel, Abstract Ventures e, notavelmente, o CEO da Palo Alto Networks, Nikesh Arora, que participou como investidor anjo. A Palo Alto Networks não comentou o assunto.
Contexto
A Console foi fundada por Andrei Serban, logo depois que sua startup anterior, a Fuzzbuzz, uma plataforma de segurança de código, foi adquirida pela Rippling. A Console tinha clientes como Ramp, Flock Safety e Scale AI. A startup automatizava tarefas como redefinição de senhas, concessão de acesso a aplicativos como Figma e Miro, e solução de problemas rotineiros sem intervenção humana direta.
Como startup, a Console competia principalmente com a Serval, outra desafiante da ServiceNow. A Serval atingiu uma avaliação de US$ 1 bilhão após levantar uma rodada Série B de US$ 75 milhões liderada pela Sequoia em dezembro passado. A Serval começou como uma ferramenta de suporte técnico com IA e rapidamente expandiu para oferecer assistência de IA para departamentos de RH, jurídico e financeiro.
Por que importa
A aquisição da Console pela Palo Alto Networks consolida a estratégia da gigante de segurança cibernética de integrar a automação de TI baseada em agentes de IA ao seu portfólio. A empresa afirmou que integrará a Console ao Cortex, sua plataforma que usa IA para detectar e neutralizar ameaças automaticamente. A funcionalidade agentiva da Console permitirá que equipes de segurança investiguem e resolvam alertas usando linguagem natural, dando ao Cortex "braços e pernas para entregar resultados autônomos de segurança em toda a empresa", descreveu Nikesh Arora em comunicado.
Com a saída da Console, a Serval, apoiada pela Sequoia, passa a ser a líder de facto entre as startups de automação de serviços de TI, segundo um investidor que não é apoiador da Serval. Isso coloca a Serval em posição de destaque para futuras rodadas de financiamento ou aquisição.
Impacto
No curto prazo, a integração da Console ao Cortex deve acelerar a capacidade da Palo Alto Networks de oferecer automação de segurança mais abrangente, reduzindo a carga de trabalho manual dos times de TI. Para a Serval, o cenário competitivo fica mais claro: ela agora é a única startup independente de grande porte focada em automação de serviços de TI, o que pode atrair mais clientes e investidores. No médio prazo, a consolidação nesse segmento tende a continuar, com grandes empresas de segurança e software buscando adquirir startups que combinem IA com automação de processos de TI.
O que muda
Para os clientes da Console, a principal mudança é que a tecnologia agora fará parte de um ecossistema maior de segurança, com possibilidade de integração mais profunda com ferramentas de detecção e resposta a ameaças. A Console deixa de ser uma empresa independente e passa a ser um módulo do Cortex. Para o mercado, a saída da Console fortalece a posição da Serval, que pode capitalizar sobre a ausência de um concorrente direto no segmento de automação de help desk.
O que vem agora
A Palo Alto Networks deve anunciar detalhes da integração da Console ao Cortex nos próximos meses. Segundo a PitchBook, esta é a sétima aquisição da empresa em 2026. Antes, ela comprou a plataforma de observabilidade Chronosphere, apoiada por Greylock e Lux Capital, por US$ 3,35 bilhões, e a Koi, startup de segurança cibernética apoiada por Battery e Team8, por US$ 400 milhões. A Serval, agora líder isolada, pode atrair olhares de grandes empresas de software, mas não há informações sobre negociações em andamento.
