Paquistão pede US$ 10 bilhões aos EUA e aguarda resposta

Governo paquistanês aposta na aproximação com a gestão Trump para fechar o pacote

Por Marcos Guimarães25 ago 2026
Paquistão pede US$ 10 bilhões aos EUA e aguarda resposta

O que aconteceu

O governo do Paquistão pediu oficialmente aos Estados Unidos um pacote de US$ 10 bilhões em facilidades financeiras e aguarda uma resposta de Washington em até dois meses, de acordo com reportagem da Bloomberg publicada em 25 de agosto de 2026. A informação veio de autoridades paquistanesas que falaram à agência sob condição de anonimato, e não foi detalhado se o valor se refere a empréstimos, linhas de crédito ou ajuda direta.

O pedido ocorre em um momento de aproximação entre Islamabad e o governo de Donald Trump, que assumiu o cargo em janeiro de 2025 e sinalizou interesse em reatar laços com o Paquistão após anos de desgaste sob a gestão anterior. A expectativa paquistanesa é que a resposta chegue rapidamente, dado o ambiente favorável nas conversas bilaterais.

Contexto

A relação entre os dois países passou por altos e baixos nas últimas duas décadas. Entre 2001 e 2021, os EUA transferiram mais de US$ 33 bilhões ao Paquistão, a maior parte em reembolsos por operações antiterrorismo, segundo dados públicos do Congressional Research Service. Mas os vínculos se deterioraram após 2011, quando a operação que matou Osama bin Laden em Abbottabad foi feita sem aviso prévio a Islamabad, e pioraram ainda mais durante o governo Biden, que suspendeu parte da assistência militar e criticou o tratamento de direitos humanos no país.

A chegada de Trump trouxe uma guinada. O ex-presidente e atual mandatário já havia elogiado o primeiro-ministro paquistanês em 2019, quando recebeu Imran Khan na Casa Branca. Agora, com um novo governo, a diplomacia paquistanesa tenta traduzir a boa vontade em cifras concretas. O pedido de US$ 10 bilhões é o maior feito pela atual administração paquistanesa desde o início do mandato de Trump, e sinaliza o nível de confiança que Islamabad deposita na reaproximação.

Por que importa

O montante de US$ 10 bilhões representa cerca de 2,6% do PIB do Paquistão, que a agência de classificação Fitch estimou em US$ 380 bilhões em 2025. Para um país que enfrenta uma crise cambial recorrente e precisa refinanciar cerca de US$ 25 bilhões em dívidas externas até junho de 2027, o aporte pode ser a diferença entre um colapso de balanço de pagamentos e uma recuperação sustentada.

Para os EUA, a aproximação tem valor estratégico: o Paquistão continua sendo um ator central na dinâmica do Afeganistão e na contenção da influência chinesa na região. Islamabad, aliás, é o principal canal de comunicação de Washington com o Talibã em Cabul, função que ganhou peso após a retirada das tropas americanas em 2021.

Impacto

No curto prazo, a notícia deve reforçar a confiança dos mercados em ativos paquistaneses. A moeda local, a rupia, está sob pressão e as reservas internacionais do país caíram para menos de US$ 9 bilhões em fevereiro de 2026, segundo o Banco Central do Paquistão. A eventual confirmação do pacote pode destravar negociações com o Fundo Monetário Internacional, que condiciona novos desembolsos à entrada de capital externo.

No médio prazo, o sucesso do pedido paquistanês pode ter efeito de demonstração em outros países do sul da Ásia que buscam reengajar Washington após anos de alinhamento com Pequim. O Sri Lanka e Bangladesh acompanham de perto as negociações, disseram diplomatas à Bloomberg em julho.

A natureza exata da "facilidade" ainda é incerta. Analistas do Institute of International Finance, em Washington, avaliam que a fórmula mais provável seja um misto de garantias de crédito à exportação e apoio ao Tesouro paquistanês, evitando um compromisso orçamentário direto dos EUA.

O que vem agora

Autoridades paquistanesas afirmaram à Bloomberg que a resposta formal de Washington deve chegar "em um ou dois meses", o que coloca o prazo final por volta de outubro de 2026. Nesse intervalo, uma equipe técnica americana deve visitar Islamabad para avaliar as condições fiscais e os usos propostos para os recursos, disse uma fonte envolvida nas negociações.

O Paquistão também aposta em sua posição geopolítica, com a China projetando a CEPEC e o Paquistão tentando manter um equilíbrio entre os dois gigantes. Caso a resposta americana seja positiva, o pacote pode ser anunciado na reunião anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, marcada para outubro. Se for negativa, Islamabad terá de voltar rapidamente a Pequim, que já sinalizou disposição para expandir linhas de crédito em troca de acesso a portos e infraestrutura.

O Paquistão segue confiante. A Bloomberg apurou que o pedido de US$ 10 bilhões foi feito diretamente ao Departamento do Tesouro e à Casa Branca em julho, e que as conversações técnicas já começaram. O resultado, em poucas semanas, indicará o peso real da nova aliança.