Paramount e AG da Califórnia se reúnem na segunda para acordo

Reunião ocorre após pressão de Newsom, prefeita de LA e DGA; AG exige 'remédios estruturais robustos'

Por Marcos Guimarães22 ago 2026
Paramount e AG da Califórnia se reúnem na segunda para acordo

O que aconteceu

Representantes da Paramount Skydance devem se encontrar na segunda-feira com o escritório do procurador-geral da Califórnia para discutir um caminho para um possível acordo no processo antitruste que busca impedir a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, informou o The New York Times no sábado (22 de agosto). A reunião foi relatada por pessoas familiarizadas com as discussões, mas não há garantias de que as conversas levarão a negociações significativas.

Na quinta-feira, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, disse à CNBC que a aquisição exigiria "remédios estruturais robustos" para chegar a um acordo. Bonta criticou a Paramount por querer discutir temas fora do escopo da queixa, como o mercado de streaming e a CNN, enquanto o escritório dele quer focar nos três mercados citados na ação.

Contexto

Um grupo de 12 procuradores-gerais estaduais entrou com uma ação em julho contestando a aquisição proposta de US$ 110 bilhões, que combinaria dois dos estúdios de cinema mais tradicionais, Paramount e Warner Bros., além das plataformas de streaming Paramount+ e HBO Max. O negócio criaria o maior portfólio de redes de TV dos Estados Unidos.

Bonta, ao anunciar a ação, afirmou que a fusão ilegal desses dois gigantes do entretenimento levaria a preços mais altos, menor qualidade e menos conteúdo para cinema e TV, prejudicando cinemas, distribuidores de TV a cabo e, em última instância, o público.

A Paramount já havia concordado em adiar a aquisição até junho de 2027 por causa do desafio legal, com julgamento marcado para março. Se o negócio for atrasado além de 30 de setembro, a Paramount deverá aos acionistas da Warner Bros. Discovery uma "taxa de tique" que pode chegar a aproximadamente US$ 650 milhões em valor em dinheiro por trimestre, conforme reportagem anterior da CNBC. Se o negócio desmoronar completamente, a Paramount deveria à WBD uma taxa de rescisão de US$ 7 bilhões.

Em junho, a divisão antitruste do Departamento de Justiça dos EUA aprovou a fusão proposta.

Por que importa

A reunião de segunda-feira é um passo crucial para evitar um julgamento que pode atrasar ou até matar o negócio. A pressão para um acordo aumentou nas últimas semanas, com o governador da Califórnia, Gavin Newsom, a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, e o Directors' Guild of America (DGA) pedindo uma solução. O DGA, que representa diretores de cinema e TV, tem interesse direto no resultado, pois a fusão pode afetar as condições de trabalho e a produção de conteúdo.

Para a Paramount, um acordo é vital para evitar o pagamento de taxas milionárias. A "ticking fee" de US$ 650 milhões por trimestre começa a valer após 30 de setembro, o que pressiona a empresa a resolver a questão rapidamente. Além disso, a taxa de rescisão de US$ 7 bilhões seria um golpe financeiro severo.

Impacto

Se o acordo não for alcançado, o julgamento em março pode resultar na proibição da fusão, o que mudaria o cenário do entretenimento nos EUA. A combinação da Paramount com a Warner Bros. Discovery criaria um gigante com enorme poder de negociação sobre distribuidores e plataformas, o que poderia elevar preços para consumidores e reduzir a diversidade de conteúdo.

Por outro lado, um acordo com remédios estruturais pode permitir que a fusão prossiga com condições, como a venda de certos ativos ou a limitação de poder de mercado em áreas específicas. Bonta já sinalizou que está aberto a isso, mas a Paramount precisa aceitar as condições.

O que vem agora

A reunião de segunda-feira é o próximo passo concreto. Se as partes chegarem a um acordo, ele precisará ser aprovado pelos tribunais e possivelmente por outras autoridades. Se não, o caso segue para julgamento em março, com a Paramount enfrentando o risco de pagar a taxa de tique a partir de outubro.

A pressão política também deve continuar, com Newsom e Bass defendendo um acordo para evitar a incerteza no setor de entretenimento da Califórnia, que é um dos maiores empregadores do estado.