Pesquisadores querem impedir sexo em robotáxis
Evento em Eindhoven reúne engenheiros, psicólogos e cientistas da computação para debater normas sociais em carros autônomos
O que aconteceu
Pavlo Bazilinskyy, professor assistente da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, ainda não acredita que precisou entrar no PornHub a trabalho. Ele pesquisa há mais de uma década interações entre humanos e robôs mediadas por inteligência artificial. Mesmo assim, se viu digitando "public transport" na seção amadora de um site muito específico. A busca retornou 297 resultados.
"Pessoas são difíceis de prever", diz Bazilinskyy. É justamente por isso que ele estuda o que estuda.
Nesta semana, o professor de Eindhoven e colegas acadêmicos com formação em engenharia de sistemas, ciência da computação, psicologia e estudos de turismo realizam um workshop de indústria. A pergunta que o grupo joga para os participantes é direta: como impedir que pessoas façam sexo em carros autônomos?
O evento tem como coanfitrião Alexandros Rouchitsas, psicólogo de engenharia. Ele resume o espírito da coisa sem rodeios: "Estamos do lado dos pais, dos idosos. Não somos as pessoas legais aqui."
Contexto
Robotáxis sem motorista já começaram a buscar passageiros em um punhado de países, incluindo os Estados Unidos. A novidade chega junto com uma história longa de comportamento antissocial em espaços que são quase privados ou francamente públicos. Bazilinskyy cita a limusine de formatura, o "Mile High Club" nos aviões e Tom Cruise em câmera lenta a bordo do trem de Chicago em Risky Business. E também o que ele encontrou na busca no PornHub.
A pergunta central do workshop é o que os passageiros fazem quando não há nenhuma autoridade dentro do veículo para dizer "ei, pare com isso". E, mais difícil ainda, se é possível convencê-los a parar antes de começar.
Por que importa
Os organizadores deixam claro que o foco na prevenção não é moralismo. Eles não querem sexo em carros autônomos porque temem que isso dê péssima reputação a uma tecnologia com potencial positivo.
"Queremos ver soluções de mobilidade automatizada aceitas e confiáveis pelo público geral", afirma Rouchitsas. O psicólogo de engenharia é explícito sobre o que quer evitar: "Você conhece o 'Bang Bus'? Não queremos isso."
A condução autônoma pode trazer ganhos enormes para idosos, crianças e pessoas com deficiência, que têm mais dificuldade de circular em lugares onde dirigir é mais rápido e às vezes necessário. A tecnologia pode, no futuro, sair dos táxis privados e chegar ao transporte público, onde todo tipo de gente deveria poder viajar com segurança e conforto.
Impacto
A aposta teórica dos acadêmicos é que pensar em sexo dentro de veículos autônomos funciona como um teste de estresse para o papel que esses veículos podem assumir como espaços comunais, onde normas sociais são encenadas todos os dias.
O sexo é o caso extremo dessa régua. Se o setor não souber lidar com comportamentos fora do script, pode comprometer a confiança pública que ainda está tentando construir. A tecnologia de mobilidade automatizada, defendem os pesquisadores, precisa ser aceita pelo público geral para decolar de verdade.
O que muda
O workshop pede que os participantes façam brainstorming exatamente nessa linha. A prevenção entra como tema de engenharia e de design, não como assunto de manual de etiqueta.
Bazilinskyy lembra que a imprevisibilidade humana é o motivo de sua pesquisa existir. Entender o que as pessoas fazem quando ninguém está olhando é o primeiro passo para desenhar regras que funcionem sem a presença de um motorista para impor limites.
O que vem agora
O grupo de Eindhoven deve transformar as ideias levantadas no workshop em pesquisa sobre interações entre humanos e veículos autônomos. Não há prazo anunciado para resultados nem para regras práticas aplicadas a frotas comerciais.
O que já está definido é o enquadramento: os acadêmicos querem que a discussão sobre sexo em robotáxis sirva para preparar a mobilidade automatizada para conviver com gente de verdade. Idosos, crianças, pessoas com deficiência e, claro, os imprevisíveis.
Fontes
- WIRED: Meet the Academics Trying to Stop You From Having Sex in Robotaxis (https://www.wired.com/story/meet-the-academics-trying-to-stop-you-from-having-sex-in-robotaxis/)
