Petrobras avalia melhorar condições de crédito para Braskem
Estatal estuda conceder prazos mais flexíveis em contratos enquanto petroquímica corre para evitar recuperação judicial.
O que aconteceu
A Petrobras estuda melhorar os termos de crédito concedidos à Braskem em parte de seus contratos, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg. A medida visa dar fôlego financeiro à petroquímica, que enfrenta um prazo crítico em 24 de agosto para apresentar uma solução para seu endividamento e evitar o pedido de recuperação judicial.
A informação, divulgada na segunda-feira (17), indica que a estatal brasileira ainda não bateu o martelo sobre a mudança. As negociações ocorrem em meio a um esforço da Braskem para reestruturar suas dívidas e garantir liquidez de curto prazo.
Contexto
A Braskem, uma das maiores petroquímicas das Américas, acumula dívidas que se tornaram insustentáveis diante da queda na demanda e do aumento dos custos de matéria-prima. O prazo de 24 de agosto é visto como um marco: se não houver acordo com credores ou apoio de acionistas, a empresa pode ser forçada a buscar proteção judicial.
A Petrobras, que tem participação relevante no capital da Braskem, já vinha sendo pressionada a ajudar a companhia. A melhoria nos termos de pagamento — como prazos mais longos ou descontos — seria uma forma de aliviar a pressão sem injetar capital diretamente.
Por que importa
A decisão da Petrobras pode ser decisiva para a sobrevivência da Braskem no curto prazo. Se a estatal flexibilizar as condições, a petroquímica ganha tempo para negociar com outros credores e evitar um colapso que teria efeitos em cadeia na indústria química brasileira.
Para o mercado, o movimento sinaliza que a Petrobras está disposta a usar sua influência para estabilizar um ativo estratégico, mesmo que isso implique em custos adicionais. A medida também pode influenciar as negociações da Braskem com bancos e debenturistas, que observam o comportamento dos principais acionistas.
Impacto
No curto prazo, a melhoria nos termos de crédito pode reduzir o risco de calote e dar à Braskem margem para renegociar suas obrigações. No médio prazo, porém, a empresa ainda precisa de uma solução estrutural para sua dívida, que envolve bilhões de reais.
A postura da Petrobras também será observada por outros credores, que podem condicionar suas próprias concessões ao apoio da estatal. Se a Petrobras recuar, a Braskem pode enfrentar uma corrida contra o tempo ainda mais agressiva.
O que vem agora
A Petrobras deve decidir nos próximos dias se adota as novas condições. A Braskem, por sua vez, segue em negociações com bancos e investidores para fechar um pacote de reestruturação antes do prazo de 24 de agosto.
Caso o acordo não saia, a recuperação judicial se torna uma possibilidade concreta, o que colocaria em risco milhares de empregos e a capacidade produtiva da empresa. O desfecho depende tanto da boa vontade da Petrobras quanto da disposição dos credores em aceitar perdas.
Fonte
Bloomberg: Petrobras Mulls Improving Braskem Credit Terms Amid Debt Talks
