Petróleo sobe a máxima de 6 semanas após ataques entre Irã e EUA

Instalações da Saudi Aramco em Jizan são atingidas; WTI também sobe a US$ 92,68 o barril

Por Marcos Guimarães7 set 2026
Petróleo sobe a máxima de 6 semanas após ataques entre Irã e EUA

O que aconteceu

Os preços do petróleo subiram a uma máxima de seis semanas nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, depois que os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques no fim de semana. O Brent, principal referência internacional, avançou 1,3% a US$ 97,52 por barril, com pico intradiário de US$ 97,93, o maior nível desde 23 de julho. O WTI, referência americana, também subiu 1,3% a US$ 92,68 e chegou a passar de US$ 93 por barril, máxima desde o fim de julho.

O choque principal para o mercado veio da Arábia Saudita. Instalações da Saudi Aramco, a petroleira estatal saudita, foram atingidas na segunda-feira, segundo relato do Financial Times. O dano estava sendo avaliado em Jizan, cidade que abriga uma refinaria com capacidade de 400 mil barris por dia. O jornal afirmou que não ficou imediatamente claro quem foi o responsável pelo ataque.

As tensões já haviam explodido no sábado. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) disse que os militares americanos atingiram três petroleiros iranianos. A ação veio depois que o Irã lançou mísseis balísticos contra dois navios de guerra da Marinha dos EUA. Os petroleiros fazem parte de uma rede paralela multibilionária que financia a Guarda Revolucionária do Irã e seus aliados regionais, afirmou o CENTCOM.

Em resposta diplomática, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou, em nota no sábado, os ataques a navios comerciais como crime de guerra e ato de guerra econômica.

Contexto

A escalada desta semana marca a retomada dos combates entre EUA e Irã depois de cerca de um mês de calmaria relativa no conflito, que ultrapassou a marca de seis meses em agosto de 2026. A pausa, no entanto, era frágil, e o novo intercâmbio de ataques devolveu ao mercado o temor de interrupção do fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

Por que importa

O petróleo mais caro já chegou ao bolso do consumidor americano. Os preços elevados empurraram para cima o custo de gasolina e diesel, e ambos bateram recordes para um fim de semana do feriado do Labor Day. O combustível mais caro reduz o poder de compra e pressiona os custos de transporte e de alimentos em uma economia que ainda acompanha a inflação de perto.

Impacto

O ataque a Jizan coloca em risco uma infraestrutura crítica do refino saudita. A refinaria da cidade tem capacidade de processar 400 mil barris por dia, volume relevante em um mercado global apertado. Qualquer paralisação prolongada pode reduzir a oferta de combustíveis na região e elevar ainda mais o prêmio de risco nos contratos futuros de petróleo.

O ataque dos EUA a três petroleiros iranianos, por sua vez, amplia a chance de retaliação do Irã contra navios comerciais. Uma nova escalada pode afetar o fluxo de petróleo no Golfo e derrubar a confiança na estabilidade do fornecimento do Oriente Médio.

O que muda

Mudou o cálculo de risco geopolítico no mercado. Durante a calmaria de cerca de um mês, os investidores voltaram a se concentrar em oferta e demanda. Agora, o conflito voltou ao centro das mesas de operação, e os preços devem seguir oscilando conforme as notícias de novos ataques. A confiança na proteção das instalações da Saudi Aramco também fica abalada, já que a infraestrutura voltou a ser alvo.

O que vem agora

O mercado aguarda a avaliação oficial dos danos na refinaria de Jizan, ainda em andamento, para saber o tamanho do impacto na capacidade de produção da Saudi Aramco. Também é esperada a identificação do responsável pelo ataque às instalações sauditas, ainda desconhecido, segundo o Financial Times. Nos próximos dias, os investidores devem acompanhar como o Irã responderá aos ataques americanos aos petroleiros e se Washington adotará medidas para conter a alta do petróleo.