Polestar diz que Trump surpreendeu com proibição de vendas nos EUA

Marca sueca diz que comunicação do governo norte-americano gerou expectativa de aprovação, mas departamento de Comércio rejeitou pedido em junho.

Por Marcos Guimarães25 ago 2026
Polestar diz que Trump surpreendeu com proibição de vendas nos EUA

O que aconteceu

A Polestar enviou uma carta aos concessionários em 18 de agosto de 2026, divulgada pelo The Verge, afirmando que foi surpreendida pela rejeição de seu pedido para continuar vendendo veículos elétricos nos Estados Unidos. A rejeição ocorreu em junho de 2026, um mês após o Departamento de Comércio aprovar a Volvo, que compartilha a mesma estrutura de propriedade e tecnologia. A regra, originada no governo Biden, proíbe a importação e venda de veículos com software conectado de países considerados hostis, como a China. A carta foi assinada por Peter Wexler, chefe de produto da Polestar, e detalha a linha do tempo das comunicações com o governo Trump desde o pedido apresentado em 29 de maio de 2025 ao Bureau of Industry and Security (BIS).

Contexto

A Polestar apresentou seu pedido ao Departamento de Comércio em 29 de maio de 2025, buscando autorização para continuar importando e vendendo seus veículos elétricos nos EUA. Durante reuniões subsequentes, a marca afirma que recebeu indicações de que seria aprovada, especialmente após a Volvo ser autorizada em maio de 2026. Jeffrey Kessler, secretário adjunto de Comércio para Indústria e Segurança, teria dito que seria razoável para a Polestar esperar aprovação considerando a similaridade entre o Polestar 3 e o Volvo EX90. Apesar disso, o departamento rejeitou o pedido da Polestar em junho de 2026, sem fornecer uma explicação clara. A regra que proíbe veículos com software conectado da China foi mantida pelo governo Trump, embora tenha sido originalmente proposta pelo governo Biden.

Por que importa

A decisão afeta diretamente a estratégia de expansão da Polestar nos Estados Unidos, um mercado-chave para a marca sueca. A rejeição do pedido significa que a Polestar deixará de vender seus veículos nos EUA a partir do ano-modelo 2027. A divergência entre a aprovação da Volvo e a rejeição da Polestar levanta questões sobre a aplicação consistente das regras de segurança nacional, especialmente considerando que ambas as marcas pertencem ao grupo Geely, de propriedade chinesa. A falta de explicação clara por parte do governo Trump complica ainda mais a posição da Polestar, que afirma ter oferecido medidas de mitigação, como auditorias regulares e restrições geográficas, para garantir conformidade com a proibição.

Impacto

A saída da Polestar do mercado norte-americano representa uma perda significativa de oportunidades de crescimento para a marca, que apostava no setor de veículos elétricos de luxo nos EUA. A decisão também destaca a volatilidade das políticas comerciais ligadas à segurança nacional, especialmente em um período de tensões entre os EUA e a China. Para os concessionários, a notícia implica reavaliação de contratos e estratégias de vendas, já que a Polestar encerrou oficialmente sua presença nos EUA com o ano-modelo 2027. A divergência entre a Volvo e a Polestar também pode gerar pressão sobre o Departamento de Comércio para esclarecer os critérios usados nas decisões de aprovação.

O que muda

Com a saída da Polestar, o mercado de veículos elétricos de luxo nos EUA perde uma competidora direta, potencialmente beneficiando marcas como Tesla, BMW e Mercedes-Benz. A decisão também reforça a postura do governo Trump em relação a restrições de importação baseadas em origem de tecnologia, o que pode impactar outras marcas com conexões chinesas. A regra, que proíbe veículos com software conectado da China, continua em vigor, exigindo que outras marcas avaliem suas cadeias de suprimentos e parcerias tecnológicas.

O que vem agora

A Polestar não informou se planeja recursos ou nova tentativa de obter autorização para o mercado norte-americano. O Departamento de Comércio também não detalhou os critérios específicos usados para rejeitar o pedido da marca. Com a regra permanecendo em vigor, outras marcas com conexões chinesas deverão se preparar para possíveis restrições semelhantes. A carta de agosto de 2026, assinada por Peter Wexler, permanece como a única comunicação oficial da Polestar sobre o caso, enquanto o governo Trump mantém sua postura sobre segurança nacional e importações de veículos elétricos.