Preço do petróleo deve seguir em alta, diz Vandana Hari da Vanda Insights
Especialista aponta mercado físico mais apertado do que os futuros mostram e alerta para escassez de diesel nos próximos meses
O que aconteceu
Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, declarou em 7 de setembro de 2026, em entrevista ao programa Horizons Middle East & Africa da Bloomberg, conduzida por Abeer Abu Omar, que os preços do petróleo devem seguir em alta lenta e constante. A análise de Hari parte de um ponto central: o mercado de futuros de petróleo não está precificando totalmente o aperto do mercado físico.
O dado mais forte citado pela especialista vem do mercado de diesel. Nas praças do Atlântico, os preços do diesel chegaram perto de US$ 200 por barril, um nível que revela escassez real de derivados. Hari avisou que essa escassez tende a se agravar nas próximas semanas e meses.
Contexto
O pano de fundo é a tensão entre Estados Unidos e Irã em torno do Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa grande parte do petróleo do mundo. Segundo Hari, os dois países seguem presos em um ciclo de escalada, e é essa dinâmica que sustenta a trajetória de alta dos preços.
A Vanda Insights, consultoria fundada por Hari, acompanha de perto os mercados asiáticos de petróleo, o que dá peso à sua leitura sobre o descasamento entre papel e físico. O diesel perto de US$ 200 por barril nos mercados do Atlântico funciona como um termômetro de que a escassez já chegou aos derivados, mesmo antes de qualquer interrupção total de fluxo.
Por que importa
Para consumidores e empresas, a mensagem é que a alta não será um pico rápido, mas um desgaste contínuo. Hari descreveu um movimento de "grinding higher", uma subida lenta e persistente, o que afeta custos de transporte, frete e energia ao longo de meses.
O diesel é o combustível do transporte terrestre e da indústria. Preços próximos de US$ 200 por barril nos mercados do Atlântico sinalizam pressão direta sobre logística e inflação, inclusive para o Brasil, que importa derivados e acompanha de perto a paridade internacional de diesel.
Impacto
No curto prazo, a leitura de Hari indica que os futuros de petróleo têm espaço para subir para alcançar o aperto já visível no mercado físico. Compradores de derivados podem acelerar coberturas diante da perspectiva de escassez maior de diesel nas próximas semanas e meses.
No médio prazo, o fator de incerteza é a sustentabilidade de qualquer de-escalada. Hari afirmou que os mercados permaneceriam cautelosos mesmo se o Estreito de Ormuz fosse reaberto, porque há dúvidas sobre se uma eventual desescalada entre Estados Unidos e Irã se sustentaria no tempo. Em outras palavras, o risco geopolítico já está embutido no comportamento dos traders.
O que muda
O que muda é a forma de ler o mercado. O preço dos futuros deixa de ser o principal termômetro, já que, segundo Hari, o mercado físico está mais apertado do que o papel sugere. O diesel no Atlântico, perto de US$ 200 por barril, passa a ser a referência de escassez real.
O que vem agora
Os próximos passos dependem do ciclo de escalada em torno de Ormuz. Se a tensão entre Estados Unidos e Irã persistir, a expectativa de Hari é de continuidade da alta gradual do petróleo e de escassez adicional de diesel nos mercados do Atlântico. Qualquer reabertura do estreito deve ser recebida com cautela pelos mercados, já que a dúvida sobre a durabilidade da desescalada deve manter prêmios de risco elevados. A entrevista completa de Vandana Hari a Abeer Abu Omar está disponível na Bloomberg, no programa Horizons Middle East & Africa.
