Redes de apoio ajudam jovens a lidar com o policrise ambiental

Iniciativas como Force of Nature conectam jovens ansiosos com o estado do mundo

Por Marcos Guimarães20 ago 2026
Redes de apoio ajudam jovens a lidar com o policrise ambiental

O que aconteceu

Pim Sullivan-Tailyour, hoje jovem adulta, conta que aos seis anos, em uma viagem à Tailândia, percebeu que montanhas inteiras haviam sido extraídas por mineração — metade delas simplesmente desapareceu, deixando "uma enorme face laranja". A partir daí, ela passou a carregar a percepção de que os humanos alteram o mundo para pior. Ao se mudar para o Reino Unido, ingressou na Schools Sustainability Network, mas se sentiu isolada por ser a única interessada em ativismo em sua escola. Foi então que ela encontrou a Force of Nature, organização que, desde 2021, oferece o programa online "Becoming a Force of Nature" — uma espécie de terapia de grupo informal para jovens preocupados com o clima (MIT Technology Review).

Contexto

O termo "policrise" descreve a sobreposição de crises — mudanças climáticas, perda de biodiversidade, desigualdade e instabilidade econômica — que afetam simultaneamente a vida dos jovens. Pesquisas globais citadas no artigo apontam que a maioria dos jovens está ansiosa com o estado do mundo, mas muitos não encontram canais para transformar essa preocupação em ação. A Force of Nature surgiu justamente para preencher essa lacuna, oferecendo sessões online que conectam participantes de dezenas de países.

Por que importa

A ansiedade climática é um problema real de saúde mental entre adolescentes. Quando não é canalizada, pode levar a burnout e desengajamento. Redes de apoio como a Force of Nature ajudam a criar senso de comunidade e propósito, permitindo que jovens transformem medo em ativismo estruturado. Para escolas e famílias, esses programas oferecem um modelo de intervenção que vai além do discurso ambiental tradicional.

Impacto

No curto prazo, a expansão de tais redes pode reduzir o isolamento de jovens ativistas em escolas e comunidades. No médio prazo, a criação de grupos de apoio pode influenciar políticas educacionais, como a inclusão de saúde mental e sustentabilidade no currículo. O movimento também indica um amadurecimento do ativismo climático, que passa de ações individuais para uma abordagem coletiva e psicologicamente sustentável.

O que muda

A experiência de Sullivan-Tailyour mostra que a solidão no ativismo é um obstáculo tão grande quanto a falta de recursos. O modelo da Force of Nature — que combina terapia de grupo e mentoria — pode ser replicado em outras regiões, inclusive no Brasil, onde a crise climática e a desigualdade criam tensões semelhantes. A mudança é de abordagem: não basta informar os jovens; é preciso dar suporte emocional para que eles não desistam.

O que vem agora

A expectativa é que redes como a Force of Nature cresçam e se profissionalizem, com parcerias com escolas e ONGs. Sullivan-Tailyour, que já participou das sessões, planeja levar o modelo para sua própria comunidade. O próximo passo é mensurar o impacto dessas redes na saúde mental e na eficácia do ativismo — um campo ainda embrionário.

Fontes