Reliance planeja emissão de US$ 1,3 bi em títulos, maior da Índia no ano

Captação em rúpias pode sair já na próxima semana e seria a maior operação listada do ano no país

Por Marcos Guimarães8 set 2026
Reliance planeja emissão de US$ 1,3 bi em títulos, maior da Índia no ano

O que aconteceu

A Reliance Industries Ltd., conglomerado controlado pelo bilionário Mukesh Ambani, pretende levantar até 125 bilhões de rúpias, o equivalente a US$ 1,3 bilhão, por meio de títulos denominados em moeda local. A informação foi publicada pela Bloomberg em 7 de setembro de 2026, com base em relatos de pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato por se tratar de um plano ainda em preparação.

A operação, que pode ser lançada já na próxima semana, seria a maior emissão listada do mercado de capitais indiano neste ano. O montante de 125 bilhões de rúpias, cerca de US$ 1,3 bilhão, coloca a oferta da Reliance acima de todas as outras operações com títulos de empresas listadas realizadas na Índia em 2026.

Contexto

A Reliance Industries é a maior empresa privada da Índia e controla negócios que vão de refino de petróleo e petroquímica a telecomunicações, com a operadora Jio, e varejo, com a Reliance Retail. Mukesh Ambani, chairman do grupo, é uma das maiores fortunas do mundo e costuma usar o mercado de dívida doméstico para financiar a expansão dos negócios.

A emissão ocorre em um momento em que empresas indianas buscam alternativas de financiamento em rúpias, aproveitando a demanda de investidores institucionais locais por papéis de grandes conglomerados. O mercado de títulos corporativos da Índia cresceu nos últimos anos, mas operações do tamanho da planejada pela Reliance são raras e costumam definir referência de preço para outras companhias.

Por que importa

A captação da Reliance é um termômetro para o mercado de dívida indiano. Quando o maior conglomerado do país emite títulos, ele estabelece o patamar de juros e a demanda por crédito corporativo de longo prazo na Índia.

Para investidores, o papel da Reliance é visto como um dos mais líquidos e seguros do mercado local, o que tende a atrair fundos de pensão, seguradoras e gestoras estrangeiras. Para outras empresas, a operação abre espaço ou pressiona os custos de captação, dependendo da absorção da oferta.

Impacto

No curto prazo, a emissão deve reduzir a liquidez disponível no sistema bancário indiano, já que parte dos recursos aplicados em títulos do governo pode migrar para os papéis da Reliance. No médio prazo, a operação pode incentivar outras companhias a acelerar planos de financiamento em rúpias, antes que a demanda por crédito corporativo aumente os custos.

A Reliance, por sua vez, reforça sua posição de tomadora frequente no mercado doméstico. A empresa já havia captado recursos em títulos locais em outras ocasiões, mas nenhuma emissão listada deste porte foi concluída no país neste ano, o que torna o movimento da Reliance um marco de 2026.

O que vem agora

A Reliance ainda não confirmou oficialmente os termos da oferta, como prazo, cupom e vencimento dos títulos. Segundo as pessoas familiarizadas com o plano, a operação pode ser lançada já na próxima semana, sujeita às condições do mercado e à definição final dos bancos coordenadores.

Caso o cronograma seja mantido, a emissão deve ser precificada antes do fim de setembro, consolidando a Reliance como a maior operação listada do ano na Índia. Novos detalhes devem ser divulgados pela empresa ou pelos bancos responsáveis quando o livro de ofertas for aberto.