Sheinbaum propõe barrar candidatos com dupla cidadania à presidência
Medida de Claudia Sheinbaum atinge quem tem segunda nacionalidade; rival já deu sinais de disputar o cargo
O que aconteceu
Claudia Sheinbaum, presidente do México, propôs proibir que cidadãos com dupla nacionalidade concorram à presidência do país. A proposta, divulgada pelo governo em 27 de agosto, foi rebatida no mesmo dia pelo bilionário Ricardo Salinas, controlador do Grupo Salinas, que inclui a TV Azteca e a varejista Elektra.
A proposta de proibição de candidaturas com dupla cidadania foi apresentada pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum. A informação foi publicada pela Bloomberg, que descreve Salinas como "um dos críticos mais afiados" da presidente e menciona que ele já deu sinais de que pretende disputar o cargo.
Contexto
A relação entre Salinas e o governo mexicano é marcada por atritos desde o governo de Andrés Manuel López Obrador, antecessor de Sheinbaum. O empresário, que controla emissoras de TV e redes de varejo, já travou batalhas públicas com órgãos reguladores e com o fisco. Ele usa seus canais de comunicação para criticar políticas do partido Morena, de orientação de esquerda.
A medida sobre dupla cidadania mexe em um ponto sensível. Milhões de mexicanos vivem no exterior, principalmente nos Estados Unidos, e muitos mantêm as duas nacionalidades. Para concorrer à presidência, a Constituição mexicana já exige ser cidadão por nascimento. A nova regra iria além, exigindo que o candidato não possua outra nacionalidade ou que renuncie a ela antes do registro.
Por que importa
A proposta afeta diretamente o grupo político que Salinas representa e também cidadãos comuns com dupla nacionalidade interessados em carreira pública. Se aprovada, ela limita o leque de candidatos a pessoas que carregam apenas o passaporte mexicano, sem vínculo formal com outro país.
No plano político, a medida enfraquece a oposição a Sheinbaum. Ricardo Salinas, que já sinalizou que pode concorrer, seria o alvo imediato. A reação dele mostra que o tema virou campo de batalha eleitoral no México.
Impacto
No curto prazo, a proposta precisa passar pelo Congresso mexicano. A Morena, partido de Sheinbaum, tem maioria, mas não os dois terços dos votos necessários para mudanças constitucionais. Isso abre espaço para negociação e para a oposição tentar vetar a medida.
No médio prazo, o embate pode polarizar o debate sobre dupla nacionalidade no país. Salinas pode usar seus canais de TV para amplificar a crítica, como já faz com outros temas. Se a regra avançar, políticos de todos os partidos que tenham segunda cidadania terão que escolher entre renunciar a ela ou abandonar a disputa presidencial.
O que muda
Se aprovada, a regra altera o critério de elegibilidade para presidente do México. Hoje, a exigência é de nacionalidade mexicana de nascimento. A nova regra acrescentaria a proibição de possuir outra cidadania, inclusive por direito de descendência, o que afeta também quem nunca morou fora do país.
O que vem agora
A proposta seguirá para análise do Congresso mexicano, sem calendário público definido. O governo de Sheinbaum deve enfrentar resistência da oposição e de grupos ligados à comunidade mexicana no exterior. Ricardo Salinas, por sua vez, deve intensificar as críticas, aumentando a temperatura do debate em um país que já vive uma disputa política intensa.
Fonte: Bloomberg
