Sonic Fire Tech levanta US$ 15 mi para combate a incêndio por som
Sistema acústico promete extinguir chamas sem danos de água ou produtos químicos
O que aconteceu
A Sonic Fire Tech, startup de Ohio, levantou US$ 15 milhões em uma rodada liderada pelo O.H.I.O. Fund, com participação da Khosla Ventures, conforme anunciado na segunda-feira (17). A empresa já havia captado US$ 3,5 milhões em seed em outubro. O novo aporte será usado para contratar mais funcionários e realizar os testes necessários para obter aprovação da National Fire Protection Association (NFPA), que define os códigos adotados por bombeiros nos EUA (TechCrunch).
O sistema da Sonic Fire Tech usa um gerador de som que emite ondas infrassônicas de cerca de 20 Hz por tubos de PVC no teto. Quando sensores detectam fogo, o gerador é ativado e as ondas pressionam as chamas, extinguindo-as em segundos — sem água ou produtos químicos.
Contexto
Há mais de um século, a proteção contra incêndios depende de água e agentes químicos. Embora eficazes, esses métodos deixam danos colaterais significativos: em cozinhas comerciais, por exemplo, a limpeza e restauração após um incêndio podem levar meses, e cerca de 75% desses estabelecimentos não reabrem, segundo Remington Bixby Hotchkis, COO da Sonic Fire Tech. A startup aposta que a ausência de resíduos pode encurtar o processo de aprovação regulatória, que normalmente leva cerca de três anos. O CEO Geoff Bruder acredita que o processo será “significativamente mais curto”, já que os testes em laboratório não exigem limpeza após cada simulação.
Por que importa
A tecnologia pode reduzir drasticamente o custo de combate a incêndios, tanto em termos de danos materiais quanto de interrupção de operações. Para o setor de seguros, isso é um atrativo: a Sonic Fire Tech está em conversas com seguradoras para que o sistema qualifique os clientes a descontos em prêmios. Se a indústria de seguros aceitar a solução, a adoção pode acelerar.
Além disso, o sistema mostra potencial em incêndios de baterias de lítio, um dos mais difíceis de controlar. Nos testes iniciais, a empresa afirma que não extingue o fogo, mas o contém — o que já é um avanço relevante.
Impacto
No curto prazo, o aporte permite à Sonic Fire Tech avançar nos testes regulatórios e ampliar a equipe. No médio prazo, se a aprovação da NFPA for obtida, o sistema pode ser instalado em cozinhas comerciais, edifícios residenciais e outros ambientes onde a resposta rápida é crítica. A aceitação das seguradoras pode ser o catalisador para a adoção em massa, reduzindo o custo de proteção contra incêndios e minimizando perdas econômicas.
O que muda
O combate a incêndios deixa de ser sinônimo de água e espuma. A abordagem acústica elimina a necessidade de limpeza pós-incêndio e reduz o tempo de inatividade de negócios. Para o Brasil, onde normas de segurança contra incêndio são rígidas, a tecnologia pode chegar como alternativa viável, embora dependa de adaptações regulatórias locais.
O que vem agora
A Sonic Fire Tech deve iniciar a bateria de testes para a NFPA, que normalmente leva três anos, mas a empresa espera concluir antes. Paralelamente, as negociações com seguradoras podem definir os primeiros contratos comerciais. A expansão para baterias de lítio também deve ser aprofundada, com novos testes para validar a contenção de incêndios nesse tipo de equipamento.
