Tráfego no Estreito de Ormuz perto de mínima de três meses

Acordo entre EUA e Irã segue indefinido; fluxo de navios está 90% abaixo da média pré-ataques de fevereiro

Por Redação Mapa Paper12 ago 2026
Tráfego no Estreito de Ormuz perto de mínima de três meses

O que aconteceu

A movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz chegou à terça-feira (11/08) com média móvel de cinco dias de cerca de 13 embarcações — quase o menor nível desde 12 de maio, segundo análise da CNBC com dados da consultoria Kpler. O número inclui todos os tipos de navio, de cargueiros a petroleiros, e representa uma queda de 90% em relação à média diária de 130 embarcações que cruzavam o estreito antes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.

O secretário de Energia americano, Chris Wright, disse na terça-feira que as exportações de petróleo por Ormuz atingiram média de quase 9 milhões de barris por dia em sete dias, com petroleiros transitando sob assistência militar dos EUA. Segundo Wright, as exportações totais dos países do Golfo somam cerca de 15 milhões de barris por dia quando os oleodutos são considerados. Antes da guerra, cerca de 20 milhões de barris por dia passavam pelo estreito.

Contexto

Os EUA e o Irã assinaram em 17 de junho um acordo interino para abrir Ormuz, e as travessias chegaram a uma média de cerca de 60 navios em cinco dias em 26 de junho. O pacto, porém, colapsou quando Washington e Teerã começaram a disputar as rotas marítimas, que ficaram indefinidas no texto. O Irã atacou petroleiros que usavam a rota protegida pelos EUA ao longo da costa de Omã; em resposta, o governo Trump lançou mais de uma dúzia de ondas de ataques contra o Irã e reimpôs o bloqueio naval.

Por que importa

O nível de tráfego em Ormuz é um termômetro da confiança nas negociações entre EUA e Irã. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC na semana passada que um acordo poderia sair em breve — declaração que ajudou a derrubar os preços do petróleo — mas o entendimento não se materializou. Nesta terça-feira, o principal oficial de segurança nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que Ormuz não será totalmente aberto até que Washington aceite as exigências de Teerã, segundo a agência estatal PressTV. Mesmo com a volta do presidente Donald Trump à diplomacia neste mês, o tráfego segue cerca de 80% abaixo do pico pós-acordo.

Para o Brasil, a indefinição no canal tem efeito prático: o país importa diesel e fertilizantes da região, e o prêmio de risco sobre o petróleo tende a pressionar os preços internos de combustíveis, que seguem a paridade internacional.

Impacto

A contagem pública de embarcações perdeu precisão. Wright afirmou que muitas empresas privadas subestimam o número de navios que deixam Ormuz porque há embarcações se movendo de forma encoberta pelo canal, com assistência militar americana. Na prática, o fluxo de petróleo segue relevante: quase 9 milhões de barris por dia, volume que equivale a mais de quatro superpetroleiros diários, considerando que um único navio desse tipo carrega cerca de 2 milhões de barris.

O que muda

A aproximação diplomática dos EUA ainda não se refletiu no tráfego, que permanece perto da mínima de três meses. O ponto central de disputa — a definição das rotas marítimas, que derrubou o acordo de junho — segue em aberto. Enquanto Washington sinaliza otimismo, Teerã impõe condições públicas para a reabertura total do estreito.

O que vem agora

Os próximos passos dependem das negociações entre Washington e Teerã. Uma semana após a sinalização de Bessent, não há acordo fechado, e o governo Trump não divulgou avanços concretos. Se um novo pacto sair, a referência imediata é o pico de cerca de 60 travessias em cinco dias do fim de junho; sem acordo, o tráfego deve permanecer no nível atual, mantendo o risco de alta nos preços do petróleo.

Fontes

  • CNBC Technology — Strait of Hormuz ship traffic near three-month low as U.S.-Iran deal in doubt (https://www.cnbc.com/2026/08/12/strait-hormuz-ship-traffic-iran-war-deal.html)