Evercore: secondaries de ativos privados batem recorde de US$ 121 bi
Gestores seguram ativos 'troféu' por mais tempo e elevam volume do mercado secundário no 1º semestre de 2026
O que aconteceu
O mercado de secondaries de ativos privados movimentou US$ 121 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior volume já registrado para o período, segundo dados da Evercore citados pela Bloomberg. O número foi apresentado em 12 de agosto de 2026 no programa "Bloomberg Deals", com participação de Nigel Dawn, chefe global de capital privado da Evercore. Dawn classificou o momento como de "terrific tail winds" — ventos favoráveis raros — para o setor.
De acordo com a Evercore, o recorde foi impulsionado por gestores de fundos que querem manter ativos específicos, descritos como "troféu", por mais tempo em suas carteiras, em vez de vendê-los ou distribuí-los aos investidores no fim do ciclo tradicional do fundo.
Contexto
Secondaries são transações em que investidores vendem participações existentes em fundos de private equity, crédito privado, infraestrutura ou imobiliário para outros investidores antes do encerramento do fundo. O mecanismo dá liquidez a quem precisa sair e permite a quem entra comprar ativos com histórico de desempenho conhecido — em tese, com desconto.
O movimento registrado em 2026 reflete uma mudança de comportamento: em vez de devolver capital após o período de investimento, gestores têm usado estruturas secundárias para alongar a permanência dos ativos considerados de maior potencial. Isso mantém o ativo no portfólio e, ao mesmo tempo, oferece uma saída para investidores que não querem ou não podem esperar o ciclo inteiro.
Por que importa
O recorde sinaliza que o mercado de secondaries deixou de ser nicho para se tornar ferramenta central de gestão de liquidez no capital privado. Para investidores institucionais — fundos de pensão, seguradoras e family offices, inclusive os brasileiros —, isso significa mais caminhos para ajustar carteiras sem depender de IPOs ou fusões e aquisições.
No Brasil, o mercado de private equity acompanha o movimento global com atenção. A dinâmica internacional de preços e de demanda por ativos secundários serve de referência para fundos locais que avaliam estratégias de saída e para investidores que querem exposição a ativos privados com horizonte mais flexível.
Impacto
No curto prazo, o volume recorde deve manter a pressão por estruturas de transação mais eficientes, com processos de due diligence e precificação mais sofisticados. No médio prazo, o setor tende a se consolidar como canal permanente de saída, e não apenas como válvula de emergência em momentos de aperto.
O comportamento dos gestores ao segurar ativos "troféu" também pode influenciar a forma como portfólios são avaliados: ativos que permanecem mais tempo em circulação privada passam a ter preços referenciados com maior frequência em transações secundárias.
O que muda
Gestores ganham mais flexibilidade para prolongar a vida de ativos estratégicos sem prejudicar o relacionamento com investidores. Investidores ganham previsibilidade e opções de saída que não existiam em ciclos anteriores. Na prática, o capital privado ganha mais camadas de liquidez.
O que vem agora
A segunda metade de 2026 deve mostrar se o ritmo do primeiro semestre se sustenta. Relatórios setoriais e novas rodadas de negociação no exterior — e eventualmente no Brasil — serão observados de perto para medir se a demanda por secondaries continua crescendo ou se o recorde atual será o pico do ciclo.
Fontes
- Bloomberg — 'Terrific Tail Winds' In Secondaries: Dawn (https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-08-12/-terrific-tail-winds-in-secondaries-dawn-video)
