The RealReal aposta no boom da revenda de luxo

CEO Rati Levesque afirma que preços de segunda mão agora definem compras de novos itens; IA não substitui autenticadores humanos.

Por Marcos Guimarães18 ago 2026
The RealReal aposta no boom da revenda de luxo

O que aconteceu

A CEO da The RealReal, Rati Levesque, participou do programa Bloomberg Open Interest para explicar o boom da revenda de luxo. Ela afirmou que os preços de revenda estão moldando cada vez mais o que os consumidores compram como novos — e que mais de 80% dos clientes da Geração Z e millenials checam os valores de segunda mão antes de fechar uma compra. Levesque também revelou que algumas peças de moda inesperadas estão se valorizando, embora não tenha dado detalhes, e defendeu que a inteligência artificial ainda não consegue substituir totalmente os autenticadores humanos de itens de luxo.

Contexto

A The RealReal é uma plataforma americana de consignação de luxo, focada em compra e venda de itens de grife usados. A declaração da CEO ocorre em um momento em que o mercado de segunda mão de luxo ganha força, impulsionado por consumidores mais jovens, que buscam valor e sustentabilidade. A empresa, que enfrentou desafios operacionais no passado, agora aposta na expansão desse nicho como estratégia central.

Por que importa

Os preços de revenda deixaram de ser apenas um reflexo do mercado secundário e passaram a influenciar diretamente as decisões de compra de produtos novos. Para marcas de luxo, isso significa que o valor residual de uma peça precisa ser considerado no lançamento e na precificação. Para consumidores, a prática de consultar a revenda antes de comprar novo virou uma forma de garantir que o investimento tenha retorno, mesmo em itens de alto valor.

Impacto

No curto prazo, a tendência deve pressionar marcas a revisarem suas estratégias de produção e preço, já que a demanda por itens com bom desempenho na revenda tende a crescer. No médio prazo, a IA deve assumir parte do processo de autenticação, mas a presença humana continua vital para manter a confiança no mercado. A The RealReal, que depende da credibilidade para operar, pode se beneficiar de um modelo híbrido que combina tecnologia com especialistas.

O que muda

A revenda deixa de ser um nicho para se tornar parte central do ciclo de consumo de luxo. Consumidores passam a enxergar peças como ativos que podem ser vendidos depois, e isso altera a relação com a moda. Além disso, a figura do autenticador ganha ainda mais relevância, já que a garantia de originalidade é o que sustenta o valor dos itens usados.

O que vem agora

A The RealReal deve continuar investindo em tecnologia para escalar a plataforma, mas sem abrir mão da curadoria humana. A empresa não detalhou planos específicos, mas a fala da CEO indica que o foco será em fortalecer a confiança e atrair a base jovem que já lidera o movimento. A tendência é que o mercado de revenda de luxo continue crescendo, com papel cada vez mais decisivo nas escolhas de consumo.

Fonte: Bloomberg.