Goldman: três razões para seguir investido em 2026

Co-head da Goldman Sachs vê juros estáveis, petróleo abaixo de US$ 70 e IA como força anti-inflacionária.

Por Redação Mapa Paper
Goldman: três razões para seguir investido em 2026

O que aconteceu

Ashok Varadhan, co-head de global banking and markets do Goldman Sachs, afirmou que investidores devem permanecer aplicados ("stay invested"), mesmo com juros elevados, petróleo caro e dúvidas sobre a economia. "Permaneça investido seria meu conselho", disse ele em episódio do podcast "The Markets", do próprio banco, na semana passada (CNBC).

O executivo citou três razões para a visão construtiva: não espera alta de juros do Federal Reserve neste ano, projeta o petróleo abaixo de US$ 70 o barril no fim de 2026 e vê a economia resiliente sendo cada vez mais beneficiada por ganhos de produtividade ligados à inteligência artificial.

Contexto

A leitura de Varadhan contraria parte do que o mercado precifica. Depois de um relatório de empregos fraco na sexta-feira, traders mudaram as apostas sobre quando o Fed poderia voltar a subir juros. As chances de um movimento em setembro caíram para cerca de 50% na segunda-feira e para 63% em outubro, segundo o medidor FedWatch, da CME Group.

"Não acho que veremos altas na parte final deste ano", afirmou. "Acho que as taxas vão permanecer estáveis." Para ele, algumas das forças que empurraram a inflação para cima começam a recuar, incluindo o impacto das tarifas. Um alívio das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz poderia reduzir ainda mais as pressões de preço.

Por que importa

Varadhan também enxerga a inteligência artificial como uma força desinflacionária no médio prazo. A construção da infraestrutura para sustentar a IA pode pressionar recursos e contribuir para a inflação no curto prazo, mas os ganhos de produtividade devem ter o efeito contrário quando essa capacidade estiver instalada.

O petróleo é outra aposta central. O executivo espera que o preço recue de forma significativa ao longo do ano. "A energia vai voltar a cair", disse. "O petróleo se assenta bem abaixo de US$ 70 o barril, talvez até mais baixo na parte final do ano." Na segunda-feira, o WTI subiu novamente acima de US$ 80, com o mercado na dúvida sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã para ampliar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz.

Para investidores brasileiros, o cenário importa: juros estáveis nos Estados Unidos e economia americana resiliente tendem a favorecer o fluxo de capital para mercados emergentes, ainda que o desempenho local dependa de fatores internos.

Impacto

O terceiro pilar do argumento é a resiliência da economia americana. Apesar de uma série de choques externos, o crescimento nominal subjacente se manteve durável, segundo Varadhan. Se essas pressões desaparecerem, a economia pode sustentar o ritmo — o que reforça a recomendação de seguir investido.

O que muda

Se a leitura se confirmar, o segundo semestre de 2026 terá um Fed parado, petróleo em queda e ganhos de produtividade vindos da IA. Isso tende a reduzir o prêmio de risco nas taxas e sustentar a avaliação de ativos de risco.

O que vem agora

O mercado segue atento aos próximos dados de inflação e emprego para calibrar as apostas sobre o Fed. As negociações entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz também devem ser monitoradas, por seu efeito direto sobre o preço do petróleo.

Fontes

  • CNBC Technology – Three reasons Goldman's co-head of global banking and markets says to stay invested (https://www.cnbc.com/2026/08/10/three-reasons-goldmans-co-head-of-global-banking-and-markets-says-to-stay-invested.html)