Turismo dos EUA enfrenta problemas 'auto-infligidos', diz associação
Geoff Freeman, da US Travel Association, cita atrasos de visto e risco de novos shutdowns federais
O que aconteceu
Geoff Freeman, presidente da US Travel Association, disse que a indústria de viagens americana pressiona o governo federal a resolver questões que ele classificou como "auto-infligidas". A fala ocorreu em vídeo publicado pela Bloomberg em 3 de setembro de 2026. Freeman citou diretamente dois fatores: as novas políticas de visto que afetam viajantes internacionais e a perspectiva de mais paralisações de órgãos públicos, os chamados shutdowns.
Esses problemas "auto-infligidos" atingem o setor de viagens dos Estados Unidos, que depende de processos migratórios ágeis e de serviços públicos funcionando, segundo o presidente da associação. Freeman não detalhou prazos ou medidas específicas na entrevista.
Contexto
A US Travel Association é a principal entidade do setor de turismo e viagens do país, representando empresas de aviação, hotéis, agências e operadores. A declaração surge em um momento em que o governo americano endurece regras de entrada e enfrenta disputas orçamentárias recorrentes no Congresso.
Shutdowns federais já paralisaram agências como a de transporte e segurança em aeroportos, causando filas e voos atrasados. Novas políticas de visto, por sua vez, aumentam o tempo de espera para turistas estrangeiros, um gargalo histórico para destinos como Nova York e Orlando.
Freeman também abordou a automação. Ele disse que, enquanto os viajantes adotam cada vez mais ferramentas de inteligência artificial para planejar roteiros, parte da indústria segue "ineficiente". Segundo ele, a maioria dos empregos em empresas de viagens não pode ser "transferida para IA", o que limita ganhos de produtividade.
Por que importa
A declaração coloca o governo no centro da crise do setor. Para o viajante, isso significa risco de atrasos em vistos e interrupções de serviços em aeroportos caso novos shutdowns ocorram. Para as empresas, a dependência de mão de obra humana encarece operações justamente quando rivais em outros países já usam IA em atendimento e reservas.
A indústria de viagens é um dos maiores empregadores privados dos EUA, e qualquer entrave administrativo tem efeito em cadeia sobre companhias aéreas, redes hoteleiras e pequenos negócios de turismo.
Impacto
No curto prazo, o alerta de Freeman pressiona o Congresso e a Casa Branca a evitar uma nova paralisação e a revisar as regras de visto. No médio prazo, o setor pode acelerar investimentos em automação, embora o próprio líder reconheça limites: funções como atendimento ao cliente, operação de agentes e coordenação de viagens ainda exigem pessoas.
Os viajantes que usam IA, segundo Freeman, já percebem a diferença entre o digital e o presencial. Enquanto planejadores online respondem em segundos, serviços como emissão de vistos e checkpoints seguem lentos, um contraste que afasta turistas internacionais.
O que vem agora
A US Travel Association deve levar essas demandas a audiências e negociações no Congresso. Freeman indicou que o setor quer um diálogo direto com o governo para destravar processos. Não há prazos públicos para mudanças nas políticas de visto, mas o calendário orçamentário americano coloca o risco de shutdown na agenda dos próximos meses.
A inteligência artificial continuará entrando no planejamento de viagens, mas o recado do setor é claro: a tecnologia não substitui o serviço humano, e o governo precisa remover os obstáculos que o próprio sistema criou.
FONTES
- Bloomberg: "US Travel Industry Facing 'Self-Inflicted' Problems, Says Travel Association President" (https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-09-03/travel-industry-facing-self-inflicted-issues-freeman-video)
