UBS pode usar AT1s para metade dos novos requisitos de capital, diz painel suíço

Painel do legislativo suíço flexibiliza regras para o maior banco do país.

Por Marcos Guimarães31 ago 2026
UBS pode usar AT1s para metade dos novos requisitos de capital, diz painel suíço

O que aconteceu

Em 31 de agosto de 2026, um painel legislativo-chave do parlamento suíço declarou que o UBS Group AG deve ser capaz de atender a metade de suas novas necessidades de capital por meio de instrumentos financeiros conversíveis chamados Additional Tier 1 (AT1s). A informação foi divulgada pelo Bloomberg, citando fontes ligadas ao legislativo. A decisão não é definitiva, mas entrega ao UBS uma vantagem inicial em meio a discussões regulatórias complexas sobre a solidez do maior banco do país.

Contexto

O contexto dessa decisão remonta às regulamentações internacionais de Basileia III, que estabelecem exigências de capital para bancos visando maior estabilidade financeira. O UBS, que se tornou o maior banco suíço após a aquisição forçada do Credit Suisse em 2023, enfrenta requisitos de capital mais altos. Os AT1s são um tipo de dívida que pode ser convertida em capital em momentos de estresse financeiro. A Suíça discute há meses se o UBS pode contabilizar esses instrumentos para cumprir suas obrigações regulatorias, especialmente após o cancelamento polêmico dos AT1s do Credit Suisse durante sua crise.

Por que importa

Essa decisão é crucial para o UBS porque define o custo e a facilidade para o banco cumprir novas regras de capital. Se confirmada, a permissão de usar AT1s para 50% das novas necessidades alivia uma pressão significativa. Para o mercado, sinaliza que o regulador suíço pode adotar uma postura mais flexível com o UBS do que o esperado. Investidores e analistas que avaliam a saúde do setor bancário europeu acompanham de perto, pois uma possível restrição total aos AT1s teria impacto em outros grandes bancos. A decisão também responde a uma-demandanda específica do próprio UBS, que argumentava pela inclusão desses títulos.

Impacto

No curto prazo, o UBS ganha clareza para planejar sua emissão de capital. O banco agora pode projetar que metade das novas obrigações será coberta por AT1s, reduzindo a necessidade de emitir novas ações ou reter mais lucros. Para o mercado de capitais suíço, isso pode criar demanda por mais títulos conversíveis do tipo. No médio prazo, se a proposta do painel for incorporada às regulamentações finais, o modelo poderá servir de referência para a aplicações de Basileia III em outros países. A decisão também pode influenciar como o Conselho Federal Suíço finaliza as novas normas de capital para o UBS, esperadas para os próximos meses.

O que muda

A principal mudança é a possibilidade concreta do UBS contabilizar AT1s em sua contabilidade regulatoria. Antes dessa indicação do painel, havia grande incerteza se o banco poderia usar esses instrumentos para cumprir as novas exigências. Agora, o UBS pode iniciar negociações com investidores para futuras emissões desses títulos com maior confiança. A mudança também altera a dinâmica entre o banco e o regulador, 示范izando uma abordagem pragmática para a implementação das regras de capital pós-fusão.

O que vem agora

O próximo passo é a aprovação formal pelo Conselho Federal Suíço, que deve considerar a recomendação do painel. Não há prazo público definitive, mas espera-se que o governo anuncie novas regulamentações até o final de 2026. O UBS, por sua vez, precisará detalhar seu plano de emissão de capital para o regulador. Bancos rivais na Europa observarão se este modelo flexível se espalha, especialmente enquanto preparam-se para a implementação completa das regras de Basileia III. O episódio reforça que o caminho do UBS rumo à plena normalização pós-Credit Suisse ainda está sendo desenhado em tempo real.