Usina de gás para data center no Texas usa turbinas menos eficientes
Projeto off-grid da big tech depende de ciclo simples, que gera mais poluição que usinas convencionais
O que aconteceu
A Amazon adquiriu uma usina de gás em larga escala no Texas, construída para fornecer energia off-grid a um de seus data centers. O empreendimento, que ainda não está operando, já recebeu permissão para emitir até 33 milhões de toneladas de gases de efeito estufa (GEE) por ano — um volume que o coloca entre as maiores fontes de poluição climática dos Estados Unidos (WIRED).
O problema não é apenas o tamanho. A usina será equipada exclusivamente com turbinas de ciclo simples, que misturam combustível e ar em uma câmara de combustão para gerar energia, desperdiçando calor no processo. Usinas convencionais usam ciclo combinado, que adiciona uma turbina a vapor para reaproveitar esse calor e produzir mais eletricidade com menos emissões.
Segundo a WIRED, mesmo que a usina emita apenas metade do que a licença permite, ela ainda geraria mais poluição do que 78 usinas de gás natural de porte médio, conforme dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA).
Contexto
A escolha por turbinas de ciclo simples não é exclusividade da Amazon. O movimento se tornou comum entre desenvolvedores de energia para data centers, que buscam geração flexível e rápida de instalar.
O material da WIRED lista outros projetos:
- A petroleira Williams está desenvolvendo pelo menos três usinas em Ohio para a Meta, todas com ciclo simples.
- Em Abilene, Texas, a Crusoe constrói uma usina com 39 turbinas de ciclo simples para alimentar um data center da Microsoft no campus Stargate.
- A Google, também em um site da Crusoe no Texas, terá usina com 20 turbinas de ciclo simples no data center Goodnight.
- Os data centers Colossus 1 e Colossus 2 da xAI, em Memphis, usam dezenas de turbinas desse tipo.
Todos esses projetos têm permissão para emitir milhões de toneladas de GEE por ano.
Por que importa
A corrida da inteligência artificial está pressionando a demanda por energia nos EUA, e data centers cada vez maiores estão sendo conectados a fontes de gás natural. A opção por turbinas menos eficientes aumenta a pegada de carbono da IA, contradizendo metas climáticas assumidas pelas próprias empresas.
A Amazon afirma que a usina no Texas fornece geração no local, "sem elevar os custos de eletricidade para as famílias texanas", além de incluir energia solar e baterias no mesmo site, e reafirma o compromisso de atingir net-zero até 2040 (WIRED). Mas os números de emissão aprovados sugerem um impacto que vai além do discurso.
Para o Brasil, o caso serve de alerta: a demanda por infraestrutura de IA cresce globalmente, e a forma como essa energia é gerada pode definir o futuro climático do setor.
Impacto
No curto prazo, usinas como a da Amazon elevam as emissões totais do setor elétrico americano, dificultando metas de redução de GEE. No médio prazo, a dependência de turbinas de ciclo simples pode tornar a expansão de data centers um dos principais vetores de poluição do país, mesmo com os avanços em renováveis.
Há também um custo econômico: turbinas menos eficientes consomem mais gás para gerar a mesma energia, aumentando a despesa operacional e transferindo parte do custo para os consumidores, ainda que a Amazon minimize o impacto tarifário.
O que vem agora
A usina da Amazon ainda precisa iniciar operação plena e ser monitorada quanto às emissões reais. Projetos semelhantes em Ohio, Texas e Tennessee seguem em desenvolvimento, com licenças ambientais em análise.
A pressão pública e regulatória deve crescer, especialmente com a EPA observando os números. A resposta das big techs será observar se promessas de net-zero serão seguidas por ações concretas na matriz energética de seus data centers.
Fonte: WIRED
