Zerodha obtém licença de merchant banking em meio ao boom de IPOs na Índia
Unidade da corretora fundada por Nithin Kamath recebeu autorização regulatória para atuar em ofertas públicas, em um momento de taxas recordes no país.
O que aconteceu
Uma unidade da Zerodha Broking Ltd., a segunda maior corretora da Índia, obteve uma licença de merchant banking, conforme reportou a Bloomberg em 2 de setembro de 2026. A autorização permite que a empresa atue na estruturação e subscrição de ofertas públicas iniciais (IPOs), um segmento que vive um momento de euforia no país.
A licença foi concedida à Zerodha Broking Ltd., empresa fundada pelo bilionário Nithin Kamath, que já é conhecida por revolucionar o acesso ao mercado de ações indiano com tarifas baixas e plataforma digital. Com a nova permissão, a corretora passa a poder competir por um pedaço das taxas que os bancos de investimento cobram em operações de abertura de capital.
A notícia foi divulgada pela Bloomberg, que destacou o contexto de boom no mercado de ações indiano. O país registrou um volume recorde de IPOs nos últimos anos, impulsionado por uma base crescente de investidores de varejo e pelo forte desempenho das empresas de tecnologia e manufatura.
Contexto
A Zerodha, fundada em 2010 por Nithin Kamath e seu irmão Nikhil, é uma das maiores corretoras do mundo em número de clientes, com mais de 10 milhões de contas ativas. A empresa construiu sua reputação oferecendo corretagem zero em ações e ETFs, o que forçou os concorrentes a reduzirem tarifas.
O movimento para o merchant banking é uma expansão natural para a corretora, que já possui uma base sólida de clientes e infraestrutura tecnológica. O mercado de IPOs na Índia tem sido um dos mais ativos do mundo, com empresas levantando bilhões de dólares em ofertas públicas. Somente em 2025, o país viu mais de 100 IPOs, e a tendência continuou em 2026, com uma fila de empresas aguardando aprovação regulatória.
A licença de merchant banking é regulamentada pelo Securities and Exchange Board of India (SEBI), o órgão regulador do mercado de capitais indiano. A entrada da Zerodha nesse segmento coloca a empresa em competição direta com bancos de investimento tradicionais, como Kotak, ICICI e Axis, que dominam o ranking de taxas de subscrição.
Por que importa
A entrada da Zerodha no mercado de merchant banking tem implicações significativas para o setor financeiro indiano. Em primeiro lugar, a corretora é conhecida por sua abordagem de baixo custo, o que pode pressionar as taxas de subscrição de IPOs para baixo, beneficiando empresas que desejam abrir capital.
Além disso, a Zerodha possui uma plataforma digital avançada e uma base de clientes massiva, o que pode democratizar o acesso a IPOs para investidores de varejo. Tradicionalmente, a participação em ofertas públicas era dominada por investidores institucionais e grandes bancos, mas a corretora pode mudar esse cenário.
Para o investidor comum, a novidade pode significar mais oportunidades de participar de IPOs com custos menores e mais transparência. A Zerodha já oferece serviços de IPO para seus clientes em sua plataforma, mas a licença de merchant banking permite que a empresa atue de forma mais ampla, inclusive na estruturação de ofertas.
Impacto
No curto prazo, a licença deve permitir que a Zerodha ofereça serviços de consultoria e subscrição para empresas que planejam abrir capital. Isso pode gerar uma nova fonte de receita para a corretora, que historicamente depende de taxas de negociação.
No médio prazo, a concorrência no setor de merchant banking deve aumentar, com a Zerodha disputando negócios com bancos estabelecidos. A corretora pode usar sua vantagem tecnológica para criar processos mais eficientes e acessíveis, o que poderia reduzir os custos de listagem para as empresas.
Um exemplo prático é a possibilidade de a Zerodha criar uma plataforma de IPO digital que simplifique o processo de subscrição, algo que já fez no varejo de ações. Isso poderia atrair startups e empresas menores que antes achavam o processo de abertura de capital muito caro e burocrático.
O que muda
A mudança principal é que a Zerodha deixa de ser apenas uma corretora de varejo e passa a atuar como um banco de investimento. Isso amplia seu raio de atuação no ecossistema financeiro indiano, permitindo que a empresa capture valor em todas as etapas de uma oferta pública, desde a estruturação até a distribuição de ações.
Para o mercado, a entrada de um player digital como a Zerodha pode acelerar a digitalização dos serviços de investment banking, que ainda são muito dependentes de processos manuais e relacionamentos pessoais. A corretora já demonstrou capacidade de escalar tecnologia em outras áreas, como na abertura de contas e na execução de ordens.
O que vem agora
A Zerodha ainda não divulgou um cronograma detalhado para o lançamento de seus serviços de merchant banking. A empresa precisará contratar profissionais experientes em subscrição e estruturação de ofertas, além de obter aprovações adicionais para cada operação.
Espera-se que a corretora comece atuando em IPOs de médio porte, onde a concorrência com os grandes bancos é menos acirrada. Com o tempo, a empresa pode expandir para ofertas maiores, aproveitando sua base de clientes de varejo para distribuir ações diretamente.
O movimento da Zerodha é um sinal da maturidade do mercado de capitais indiano, que atrai cada vez mais players inovadores. Se a corretora conseguir replicar seu sucesso no varejo no segmento de investment banking, poderá se tornar uma força disruptiva em um setor que, até agora, permaneceu dominado por instituições tradicionais.
