Apple tem novo CEO: John Ternus assume em 1º de setembro
Engenheiro de formação substitui Cook, que segue no conselho. Primeiro grande teste será o keynote do iPhone na próxima semana.
O que aconteceu
A Apple anunciou em abril que Tim Cook deixaria o cargo de CEO, e que John Ternus o substituiria a partir de 1º de setembro. A data chegou e a mudança foi confirmada. Tim Cook, que comandou a empresa desde 2011, agora segue na liderança do conselho de administração, mas não é mais o principal executivo.
John Ternus, por sua vez, começa oficialmente seu mandato como CEO da Apple. A transição foi comunicada pela própria empresa no início do ano e o novo executivo já tem seu primeiro grande compromisso marcado: o evento de apresentação do iPhone, que acontece na próxima semana.
Contexto
Tim Cook assumiu o posto em 2011, após a morte de Steve Jobs. Durante seus 14 anos de gestão, a Apple cresceu para se tornar uma das empresas mais valiosas do mundo. Foi nesse período que a companhia lançou o Apple Watch, o headset Vision Pro e começou a fabricar seus próprios processadores, os chips da série M.
Essa virada para a fabricação própria de hardware tem relação direta com a formação de Cook. Ele começou na Apple na área de operações, o que explica a obsessão da empresa por controle e eficiência na cadeia de produção. Já John Ternus é engenheiro e passou anos à frente do design de produtos como iPhone e Apple Watch.
A diferença de perfis é significativa. Enquanto Cook vinha do mundo da logística e da escala, Ternus é um cara de produto. Analistas já apontam que a chegada do engenheiro ao comando pode significar uma mudança de prioridades, especialmente no campo de inteligência artificial.
Por que importa
A Apple tem ficado para trás na corrida de IA. A suíte Apple Intelligence, lançada no ano passado, depende de parceiros externos, como o ChatGPT da OpenAI, para funcionar em vários recursos. A empresa foi criticada por não ter um modelo próprio de linguagem competitivo nem uma estratégia clara para a tecnologia.
John Ternus, por sua formação em hardware, tende a atacar o problema pelo lado físico. Em vez de tentar competir diretamente com OpenAI e Google na pesquisa de modelos, a Apple pode usar a superioridade de seus chips e da integração entre software e hardware para oferecer funções de IA mais eficientes e privadas. Isso já é uma tendência nos bastidores: a empresa desenvolveu o Neural Engine, bloco dedicado a IA em seus processadores, há anos.
A troca de CEO também indica o que os investidores podem esperar da Apple nos próximos anos. Se Cook foi o executivo da expansão de serviços e do wearable, Ternus deve buscar inovação de hardware em categorias novas e ousadas.
Impacto
O primeiro impacto concreto será o keynote de setembro. Com Ternus no comando do evento, aumenta a chance de a Apple finalmente revelar seu primeiro iPhone dobrável. Há rumores consistentes nesse sentido desde o ano passado, e o novo CEO, tendo atuado fortemente no design dos produtos, provavelmente teve participação direta no desenvolvimento do aparelho.
Se o dobrável for anunciado, será a primeira grande aposta de hardware da gestão Ternus. O mercado de dobráveis é dominado por Samsung e outras fabricantes chinesas, mas a Apple raramente é pioneira em categorias novas e costuma chegar quando a tecnologia já está madura. A expectativa é a de que um iPhone Fold, se existir, venha com preço alto e engenharia refinada.
Outro impacto é a saída definitiva da era Cook do dia a dia operacional. O ex-CEO permanece no conselho, mas sua influência nos produtos será menor. A Apple, que já emplacou sucessos com o Apple Watch e o iPhone, mas também teve fracassos como o Vision Pro de US$ 3.499 (que hoje custa US$ 3.699), precisa provar que ainda sabe surpreender.
O que muda
A mudança é mais do que um cargo. A Apple passa a ser liderada por alguém que pensa hardware em primeiro lugar, e não operações. Isso pode acelerar projetos ambiciosos de design, como óculos de realidade aumentada, novos formatos de MacBook ou até carros elétricos, que nunca saíram do papel na gestão Cook.
O desafio imediato é a IA. A Apple precisa mostrar uma evolução clara do Apple Intelligence, que hoje depende de terceiros. Com Ternus, é provável que a empresa intensifique o desenvolvimento de chips especializados e de soluções on-device, que rodam direto no aparelho, sem enviar dados para a nuvem.
Também muda o perfil público da empresa. Ternus é menos midiático que Cook, que era próximo de celebridades e de eventos de moda. O novo CEO deve manter o estilo mais técnico, o que pode parecer menos glamouroso, mas pode gerar mais substância em lançamentos.
O que vem agora
O primeiro grande teste de John Ternus será o evento do iPhone, que acontece na próxima semana. É esperado que ele apresente a nova linha de smartphones e, possivelmente, o primeiro iPhone dobrável da história. Se isso se confirmar, a Apple entra finalmente no segmento de telas flexíveis, depois de anos de especulação.
Para o futuro, analistas acreditam que Ternus vai tentar reposicionar a Apple como líder em computação de borda, com IA rodando localmente nos dispositivos. A empresa já investe pesado em hardware para isso, como os chips M4 e a série A18 que devem equipar os próximos iPhones.
Ainda é cedo para saber se o mandato de Ternus será de grandes revoluções ou de continuação do que Cook construiu. Mas a troca de comando, que parecia impossível durante anos, mostra que a Apple não tem medo de mudar. E o próximo evento é a primeira evidência pública de qual caminho a empresa vai tomar.
