Tim Cook deixa Apple com legado ambiental positivo, mas IA ameaça metas
Executivo reduziu emissões enquanto rivais cresciam, mas corrida de IA pode reverter avanços.
O que aconteceu
Tim Cook anunciou sua transição para o cargo de chairman executivo da Apple, deixando o posto de CEO que ocupava desde 2011. A Apple divulgou, no anúncio da mudança, que reduziu suas emissões de carbono em 60% em comparação aos níveis de 2015. A meta da empresa era cortar 75% até 2030.
Os dados mais recentes mostram que a Apple emitiu 15,3 milhões de toneladas métricas de CO2 em 2025, segundo o relatório ambiental da própria companhia. Esse volume equivale à poluição anual de 40 usinas de gás natural. A emissão da Apple estagnou no último ano, mantendo-se constante desde 2024, mesmo com crescimento significativo dos negócios, conforme comunicado da empresa.
Contexto
Sob o comando de Tim Cook, a Apple estabeleceu metas consideradas pioneiras na indústria para reduzir a poluição gerada por seus produtos e fornecedores. A companhia conseguiu impedir que sua pegada de carbono crescesse enquanto outras gigantes de tecnologia viram suas emissões dispararem por causa do consumo energético da inteligência artificial.
Apple enfrentou, no entanto, acusações de enganar consumidores com alegações de sustentabilidade. Rachel Kitchin, gerente sênior de campanhas do grupo ambiental Stand.earth, disse ao The Verge que, se Cook quisesse que seu legado fosse o de uma empresa que honrou seus compromissos climáticos, ele escolheu o momento certo para sair. "Agora, contra um cenário sombrio, a situação é comparativamente otimista", escreveu Kitchin. "Dependendo das escolhas da empresa daqui em diante, pode não continuar assim."
Por que importa
A Apple é uma das maiores empresas do mundo, e suas decisões sobre energia afetam fornecedores globais, especialmente na Ásia. O legado ambiental de Cook é visto como um dos melhores entre bilionários da tecnologia, mas a pressão por avanços em IA generativa pode obrigar a companhia a aumentar o consumo de energia em data centers, derrubando o equilíbrio que ela manteve até agora.
Se a Apple não conseguir conter as emissões da infraestrutura de IA, ela terá dificuldade para cumprir a meta de corte de 75% até 2030. O prazo de quatro anos é curto, e a expectativa é que a demanda por computação cresça exponencialmente.
Impacto
No curto prazo, a empresa mantém sua pegada estável, mas o avanço de modelos generativos exige servidores mais potentes e resfriamento constante. A Apple, que ainda não divulgou estratégia específica para energia de IA, enfrentará pressão de investidores e reguladores.
No médio prazo, se a Apple não compensar o aumento de consumo, sua imagem de empresa verde pode ser abalada. O caso contrasta com rivais como Google e Microsoft, que viram emissões subirem com a corrida de IA e já enfrentam críticas públicas.
A transição de Cook pode ter sido calculada para preservar sua reputação, como sugere a análise do Stand.earth. Mas a sucessão não muda as metas: a Apple precisa cortar mais 15 pontos percentuais de emissões em quatro anos, enquanto enfrenta a necessidade de investir em chips e servidores para competir no mercado de IA.
O que muda
Com Cook fora do comando, a Apple ganha um chairman executivo, mas o novo CEO assume com o desafio de conciliar a meta climática de 2030 com o investimento em IA. Até agora, a Apple não detalhou como pretende alimentar seus data centers com energia limpa para suportar cargas de treinamento de modelos.
A empresa também precisa lidar com questionamentos sobre greenwashing. As acusações de que a Apple exagerou suas credenciais sustentáveis podem se intensificar se os números de emissões piorarem.
O que vem agora
A Apple deve publicar seu próximo relatório ambiental completo até o fim de 2026, com dados detalhados de 2025 e projeções para os próximos anos. A empresa não informou quem assumirá o cargo de CEO, mas o conselho deve anunciar a sucessão nos próximos dias.
Analistas do setor dizem que a estratégia de IA da Apple será apresentada em eventos até o fim do ano. A expectativa é que a companhia revele parcerias com fornecedores de energia renovável e novos chips com eficiência energética.
O prazo de 2030 continua valendo. Se a Apple mantiver o ritmo de redução de emissões dos últimos anos, pode chegar perto do alvo de 75%. Caso contrário, o legado de Tim Cook pode terminar como uma nota de rodapé em uma era de inteligência artificial voraz em energia.
