Autonomy pivota para carros a gasolina e mantém assinaturas
Startup de Scott Painter viu frota perder um terço do valor em guerra de preços da Tesla e decide atender clientes que ainda preferem combustão.
O que aconteceu
Na quarta-feira, a Autonomy, startup californiana de assinatura de veículos, comunicou que passará a incluir carros a gasolina em sua frota. O anúncio foi feito em entrevista exclusiva ao TechCrunch pelo CEO Fred Weick, ex-executivo da Mercedes-Benz com mais de 20 anos de casa. A nova linha terá modelos da Ford como Mustang, Ranger e F-150, além dos SUVs Bronco Sport, Escape e Explorer. Os veículos serão fornecidos pela Galpin Motors, de Los Angeles, e estarão disponíveis na Califórnia. A Autonomy também opera no Arizona, Flórida, Texas, Nova York, Carolina do Norte e Washington, e disse que trabalhará com outros parceiros revendedores nesses mercados.
Contexto
Quatro anos atrás, a Autonomy prometeu comprar 23 mil EVs de 17 montadoras, incluindo a Tesla, para oferecê-los como parte de um serviço de assinatura. Era a combinação de duas tendências em alta no início dos anos 2020. O plano fracassou em menos de um ano. A guerra de preços dos elétricos iniciada por Elon Musk, que tentava manter a Tesla competitiva contra uma leva de novos EVs, derrubou o valor da frota da Autonomy, que mal passou de mil veículos e perdeu cerca de um terço do valor. O fundador Scott Painter, que também criou o TrueCar, precisou socorrer financeiramente a companhia. Várias montadoras, na mesma época, abandonaram seus próprios planos de assinatura de veículos.
Por que importa
O pivô da Autonomy ocorre em um momento em que o preço médio de carros novos nos Estados Unidos passa de US$ 50 mil, e os usados também ficam mais caros. Weick afirma que isso dificulta o acesso de pessoas com score de crédito baixo, ou sem acesso a crédito, a um veículo. A assinatura da Autonomy cobra uma taxa única, hoje US$ 1 mil para os elétricos, e um valor mensal que varia conforme o modelo. Depois de um mês, o cliente pode cancelar quando quiser. A empresa mira quatro perfis de clientes: universitários, famílias de militares, trabalhadores estrangeiros e quem deseja uma experiência de "carro de empresa".
Impacto
A decisão de incluir motores a combustão é um reconhecimento de que o consumidor médio ainda não está pronto para o elétrico, ou pelo menos não nas condições que a Autonomy oferecia. Nas palavras de Weick: "Se você vai ser bem-sucedido em qualquer coisa, precisa dar ao cliente o que ele quer". E completou: "Há pouquíssimos exemplos, acho, na história, de criar coisas que os clientes não sabiam que queriam". A adição de modelos a gasolina também pode reduzir o risco de depreciação da frota, já que carros a combustão tendem a perder menos valor em cenários de queda de preços de EVs.
O que muda
Com a entrada dos veículos a gasolina, a Autonomy deixa de ser uma empresa exclusivamente elétrica e passa a operar uma frota mista. O posicionamento da marca, que antes apostava em inovação e no discurso ambiental, agora busca apelo de massa. A empresa terá de administrar dois tipos de manutenção e cadeia de suprimentos, além de lidar com a logística de revendedores diferentes. O serviço continua com a proposta de assinatura flexível, sem fidelidade, com cancelamento após o primeiro mês.
O que vem agora
A Autonomy afirmou que trabalhará com outros revendedores parceiros nos mercados onde já atua, além da Galpin Motors na Califórnia. Não foram divulgados prazos para a expansão dos veículos a gasolina para os demais estados. A aposta é que o novo mix atraia os quatro segmentos de clientes citados por Weick, e que a receita adicional ajude a empresa a sustentar o modelo de assinatura que Scott Painter persegue desde o TrueCar. A sobrevivência da Autonomy, após quase falir com os elétricos, agora depende da aceitação dos carros a combustão pelo público.
