Banco da Coreia eleva juros a 3%, maior nível desde janeiro de 2025
Autoridade monetária reage à inflação núcleo de 2,6% e ao preço dos imóveis em Seul
O que aconteceu
O Banco da Coreia, banco central da Coreia do Sul, decidiu subir a taxa básica de juros em 25 pontos-base, levando o percentual a 3%. A informação foi divulgada pela CNBC em 27 de agosto de 2026. Esse é o maior nível desde janeiro de 2025, quando a taxa estava no mesmo patamar. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado e marcou a segunda elevação consecutiva promovida pela instituição.
A taxa de 3%, definida pelo Banco da Coreia, é a mais alta desde janeiro de 2025. O banco central sul-coreano justificou a medida citando pressões inflacionárias persistentes e o avanço dos preços de imóveis na capital, Seul.
Contexto
A Coreia do Sul, quarta maior economia da Ásia, registrou inflação núcleo de 2,6% em julho de 2026. O dado, divulgado pelo governo sul-coreano, superou o esperado e representou o maior avanço desde dezembro de 2023. Já a inflação cheia desacelerou levemente para 2,8% em julho, depois de subir por quatro meses consecutivos desde o início da guerra no Irã, em fevereiro do mesmo ano.
A elevação de 2,8% na inflação cheia de julho veio após o conflito no Irã pressionar os preços do petróleo. O Banco da Coreia mencionou, em comunicado, que "o caminho futuro da inflação está sujeito a altas incertezas relacionadas aos movimentos dos preços globais do petróleo e à taxa de câmbio". A instituição também citou o ritmo da recuperação da demanda doméstica e a extensão do aumento dos salários.
Por que importa
A alta de juros na Coreia do Sul afeta diretamente o custo do crédito e os financiamentos imobiliários no país. Os preços dos imóveis em Seul subiram 2,5% em junho em relação a maio, o maior avanço mensal em cinco anos, segundo o jornal sul-coreano Asia Business Daily. Com o aperto monetário, o Banco da Coreia busca conter esse movimento, que acelera a inflação e eleva o risco de bolha.
A decisão também influencia o mercado financeiro global, já que a Coreia do Sul é um dos principais exportadores de semicondutores do mundo. O banco central afirmou que as exportações e a demanda doméstica devem ter crescimento forte, impulsionado pelos efeitos positivos do setor de chips.
Impacto
O crescimento econômico sul-coreano foi de 3,7% no segundo trimestre de 2026, acima das projeções, impulsionado principalmente pelas exportações. O Banco da Coreia, em reunião anterior, já havia sinalizado que era necessário "continuar uma postura de política consistente com novos aumentos de juros", devido às pressões de custo elevadas e à aceleração dos preços dos imóveis em Seul e arredores.
A inflação núcleo de 2,6% em julho, medida que exclui itens voláteis como alimentos e energia, é o principal foco do banco central. O Banco da Coreia projeta que a inflação permanecerá acima da meta de 2% por um período considerável. Isso pode levar a mais altas de juros nos próximos meses, mesmo com o crescimento econômico forte.
O que muda
Com a taxa em 3%, o custo de empréstimos e financiamentos na Coreia do Sul tende a subir. Famílias com dívidas imobiliárias sentirão o impacto direto, enquanto empresas que dependem de crédito podem reduzir investimentos. Por outro lado, a medida fortalece o won, moeda local, e ajuda a conter a alta do custo de vida, que pressiona o consumo.
A economia sul-coreana, que cresceu 3,7% no segundo trimestre de 2026, segue em expansão acima do esperado. O Banco da Coreia destacou que a demanda doméstica e as exportações devem continuar fortes, o que reduz o risco de a alta de juros frear o crescimento de forma abrupta.
O que vem agora
O Banco da Coreia deve monitorar os próximos dados de inflação e a evolução dos preços internacionais do petróleo. A autoridade monetária já afirmou que "o caminho futuro da inflação" depende de fatores como o câmbio e o preço do barril. Se a inflação núcleo seguir acima de 2,5%, uma nova alta de 25 pontos-base é possível na próxima reunião, prevista para outubro de 2026.
Também pesa a trajetória dos preços imobiliários em Seul, que subiram 2,5% em junho. Caso o mercado continue aquecido, o Banco da Coreia pode manter o ciclo de aperto. A decisão será tomada com base nos dados de agosto, que devem ser divulgados no início de setembro.
