Bank of America prevê queda de 10% em fees no 3º trimestre
Moynihan aponta mercado 10% menor, segundo a Dealogic, e diz que o banco está menos posicionado nas áreas mais ativas
O que aconteceu
O Bank of America informou que suas fees de investment banking devem cair mais de 10% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. O número foi apresentado pelo CEO Brian Moynihan, que falou a analistas em uma conferência na segunda-feira (14). As fees de investment banking do Bank of America, segundo maior banco dos Estados Unidos por ativos, devem recuar mais de 10% entre julho e setembro. A receita de trading, por sua vez, deve ficar praticamente estável no trimestre.
Moynihan usou dados da Dealogic para dimensionar o mercado. "O que estamos vendo é o mercado de investment banking em geral caindo 10%", afirmou. Em seguida, explicou por que a queda do Bank of America deve ser maior que a média do setor: "Não estamos tão bem posicionados em alguns dos negócios que têm mais atividade, então provavelmente cairemos um pouco mais que isso".
Após os comentários, as ações do Bank of America caíam 5% no pregão da tarde de segunda-feira.
Contexto
A projeção para o terceiro trimestre chega na esteira de um segundo trimestre forte. Entre abril e junho, o Bank of America registrou salto de 50% nas fees de investment banking e de 33% na receita de trading. A queda de dois dígitos agora projetada representa uma inversão brusca desse ritmo.
O próprio Moynihan tratou o momento como uma acomodação do mercado, não como um colapso da demanda. Ele citou um pipeline de negócios robusto, com destaque para o investment banking de middle market, segmento que atende empresas de porte médio. Mesmo com esse discurso, a queda de mais de 10% nas fees é o dado que ficou para os investidores.
Por que importa
O recuo projetado pelo Bank of America pode ser um sinal antecipado de que o boom de advisory e trading puxado por inteligência artificial em Wall Street entrou em turbulência. O Bank of America é o segundo maior banco dos Estados Unidos por ativos, e suas projeções costumam ser lidas como termômetro do humor do mercado de capitais.
A questão que fica é se o aumento da atividade de capital markets visto nos trimestres anteriores vai se sustentar ou se foi um pico curto. A comparação entre o salto de 50% nas fees de investment banking no segundo trimestre e a queda de mais de 10% prevista para o terceiro trimestre resume essa dúvida.
Impacto
Para o Bank of America, o trimestre deve trazer receita menor na divisão que mais cresceu nos meses anteriores. Para o mercado, o dado reforça a leitura de que o volume de negócios desacelerou. Moynihan afirmou que o mercado de investment banking como um todo está 10% menor, segundo a Dealogic, e que o banco perde mais que a média porque tem posição mais fraca justamente nos segmentos que seguem ativos.
A queda de 5% nas ações do Bank of America no mesmo dia em que o CEO falou mostra que o investidor reagiu ao número, não ao discurso sobre pipeline. Analistas costumam acompanhar essa linha de receita como indicador antecedente de atividade econômica, porque ela depende de fusões, aquisições e aberturas de capital.
O que muda
A expectativa deixa de ser de aceleração e passa a ser de acomodação. Quem acompanha o setor precisa recalibrar o que esperar do terceiro trimestre das grandes instituições. Se o Bank of America projeta queda superior a 10% com base em dados da Dealogic, os concorrentes com exposição parecida tendem a enfrentar o mesmo vento contrário.
O que vem agora
Os próximos passos dependem da divulgação dos resultados do terceiro trimestre. O Bank of America já sinalizou o que espera: fees de investment banking mais de 10% menores e receita de trading perto da estabilidade. O mercado vai comparar esse número com o desempenho efetivo, e o comportamento das ações nos próximos dias deve refletir se os investidores acreditam que o segundo trimestre foi ponto fora da curva ou se a turbulência apontada por Moynihan é mais duradoura.
