Brent passa de US$ 100 em meio à guerra EUA-Irã e demanda chinesa
Conflito que começou em fevereiro atinge o Estreito de Ormuz e pressiona o preço do petróleo
O que aconteceu
O petróleo Brent, negociado em Londres, fechou acima dos US$ 100 o barril em 9 de setembro de 2026, segundo a Bloomberg. Essa é a primeira vez que a commodity supera esse patamar desde julho. A escalada do conflito entre EUA e Irã, somada à retomada das compras chinesas, impulsionou o preço da referência global.
Na madrugada anterior, militares americanos destruíram cinco petroleiros iranianos que transportavam petróleo cru. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou que a ação foi uma resposta a tentativas de atingir um navio de guerra da Marinha americana com mísseis balísticos. O incidente marca mais um capítulo do confronto que começou em fevereiro e que vem interrompendo o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz.
A marca de US$ 100 foi ultrapassada pelo Brent, principal parâmetro para as importações globais, conforme dados divulgados pela Bloomberg. O governo americano, por meio do CENTCOM, confirmou a destruição dos navios iranianos.
Contexto
O conflito entre EUA e Irã teve início em fevereiro de 2026, segundo a Bloomberg. Desde então, os ataques têm afetado o tráfego no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do mundo, por onde passa grande parte do petróleo exportado pelo Oriente Médio. O estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é usado por países como Arábia Saudita, Iraque e Kuwait.
A recuperação da economia chinesa, que voltou a comprar petróleo em volume maior, adicionou pressão de demanda quando a oferta já sentia os efeitos do conflito. A China é o maior importador de petróleo do mundo, e qualquer oscilação nas suas compras tem efeito direto sobre os preços internacionais. Em 2026, o país asiático intensificou a aquisição de barris, o que ajudou a empurrar o Brent para cima.
O Irã, que vive sob sanções econômicas, tentou exportar petróleo usando petroleiros próprios. A destruição dessas embarcações pelos EUA representa um golpe direto na capacidade de exportação iraniana.
Por que importa
A alta do Brent acima de US$ 100 tem efeito prático no bolso do consumidor brasileiro. O barril mais caro tende a elevar os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha no mercado interno, já que a Petrobras acompanha as cotações internacionais. Para o país, que importa parte dos derivados, a disparada pode acelerar a inflação e pressionar o Banco Central a manter os juros altos.
No cenário global, o patamar elevado encarece o transporte e a indústria, atingindo cadeias produtivas inteiras. Países da Europa e da Ásia, que dependem do petróleo do Golfo, são os mais expostos à interrupção de fluxos no Estreito de Ormuz. O mercado de seguros marítimos, por sua vez, tende a aumentar os prêmios para embarcações que operam na região.
Impacto
No curto prazo, a volatilidade do Brent deve continuar enquanto durar o confronto. A destruição de petroleiros iranianos, em vez de conter o preço, sinaliza ao mercado que a infraestrutura de exportação virou alvo militar. Isso eleva o risco de desabastecimento e adiciona um prêmio de risco à cotação.
O setor aéreo, que depende do querosene de aviação, tende a repassar o custo para as passagens. No Brasil, a Petrobras pode ser obrigada a anunciar reajustes, mas qualquer decisão depende de cálculos políticos e comerciais. A pressão sobre a inflação de alimentos também existe, pois o diesel encarece o frete de grãos e carnes.
O que muda
O patamar de US$ 100 muda a equação de custos para refinarias, companhias aéreas e transportadoras. Importadores asiáticos, como Índia e Japão, sentirão o impacto mais forte, pois dependem exclusivamente de importação. O Irã, apesar das sanções, pode obter maior receita com o barril valorizado, o que reduz a eficácia das medidas de pressão econômica.
O novo preço também coloca pressão sobre a Opep, que pode ser instada a aumentar a oferta para acalmar o mercado. A organização, no entanto, ainda não se manifestou oficialmente sobre o episódio.
O que vem agora
Segundo a Bloomberg, o conflito entre EUA e Irã mostra poucos sinais de arrefecimento. Os próximos dias podem trazer novas respostas militares dos dois lados, mantendo o preço do Brent em nível elevado. O mercado acompanha de perto a reação da China, cujo ritmo de compras é decisivo para sustentar a alta.
O programa The Opening Trade, da Bloomberg, apresentado por Anna Edwards e Tom Mackenzie, manteve a cobertura dos desdobramentos ao longo da sessão europeia. Por ora, não há data prevista para negociações de paz, e o temor é que o estreito de Ormuz sofra novas interrupções.
Fonte: Bloomberg, The Opening Trade, 9/9/2026 (https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-09-09/the-opening-trade-9-9-2026-video)
