Brent sobe mais de 2% após ataques entre EUA e Irã

Petróleo dispara com tensão no Oriente Médio; tanque atacado no Estreito de Hormuz

Por Marcos Guimarães2 set 2026
Brent sobe mais de 2% após ataques entre EUA e Irã

O que aconteceu

O Brent, benchmark internacional do petróleo, subiu mais de 2% na quarta-feira (2 de setembro de 2026), cotado a US$ 96,59 o barril para entrega em novembro. O petróleo Brent, referência global, avançou impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. O West Texas Intermediate (WTI) dos EUA, para outubro, subiu 1,73%, a US$ 91,78 por barril. Os dados são da CNBC.

O movimento ocorreu depois que os Estados Unidos realizaram sua mais recente rodada de ataques contra o Irã, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM). O CENTCOM afirmou em uma postagem no X que os ataques "seguem tentativas recentes do IRGC (Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica) contra o transporte comercial no Estreito de Hormuz e contra militares americanos".

Em resposta aos ataques dos EUA, o Irã retaliou contra aliados americanos. De acordo com a Al Jazeera, Teerã atacou Kuwait, Jordânia e Bahrein com drones e mísseis. Kuwait, Jordânia e Bahrein foram alvos de projéteis iranianos.

Contexto

As tensões no Oriente Médio vêm se intensificando há meses. O Irã e os EUA trocam acusações e ataques desde o início de 2026. Na segunda-feira (1 de setembro), um petroleiro foi atingido por três projéteis desconhecidos enquanto atravessava o Estreito de Hormuz, segundo o U.K. Maritime Trade Operations Centre. O incidente elevou o risco de interrupção no fornecimento global de petróleo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em uma postagem no Truth Social: "Não estou tentando forçar o Irã à mesa de negociações. Gosto muito mais da nossa posição agora, com controle quase total do Estreito de Hormuz e a economia deles em colapso total."

Por que importa

A escalada militar entre EUA e Irã afeta diretamente o preço do petróleo, que impacta combustíveis, inflação e custos de transporte no Brasil e no mundo. O Brent, referência para a Petrobras, está acima de US$ 96, o que pode pressionar os preços da gasolina e do diesel no mercado interno.

Edward Rosenberg, chefe de ETFs da Strategy Shares, disse: "Quanto mais a guerra com o Irã durar, os preços do petróleo continuarão elevados e voláteis. Sanções, negociações paralisadas e sinais mistos sobre se o Irã quer o fim da guerra estão balançando os preços dia a dia, não apenas mantendo-os altos."

Impacto

O impacto imediato é a alta dos futuros do petróleo, que já subiram mais de 2% em um único dia. O Brent, que já acumula ganhos expressivos no ano, pode testar a barreira dos US$ 100 se o conflito se expandir. O ataque a tanques no Estreito de Hormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — aumenta o prêmio de risco.

Para o Brasil, a alta do Brent eleva as receitas de exportação da Petrobras, mas também encarece a importação de derivados. A pressão inflacionária pode ser sentida nos combustíveis, transporte e energia.

O que muda

Com a retaliação iraniana contra Kuwait, Jordânia e Bahrein, o conflito deixa de ser bilateral e se regionaliza. Isso pode envolver outros países e forçar a comunidade internacional a intervir. O controle do Estreito de Hormuz, mencionado por Trump, torna-se um ponto estratégico crítico. O Irã, ao atacar aliados dos EUA, sinaliza que não recuará.

O que vem agora

Os próximos dias serão decisivos. Se os EUA responderem aos ataques contra Kuwait, Jordânia e Bahrein, o petróleo pode subir ainda mais. Analistas monitoram o discurso de Trump e possíveis sanções adicionais ao Irã. O mercado observa se o Irã tentará fechar o Estreito de Hormuz, o que poderia disparar o Brent para acima de US$ 100.