Broadcom eleva projeção de receita de IA para US$ 115 bi em 2027 e ações oscilam

Empresa superou expectativas no trimestre fiscal, mas investidores queriam mais da guidance de curto prazo

Por Marcos Guimarães3 set 2026
Broadcom eleva projeção de receita de IA para US$ 115 bi em 2027 e ações oscilam

O que aconteceu

A Broadcom apresentou na quarta-feira à noite resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 2 de agosto, com receita de US$ 29,59 bilhões, alta de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número veio levemente acima do consenso de US$ 29,36 bilhões compilado pela LSEG. O lucro por ação ajustado subiu 96%, para US$ 3,32, também acima da expectativa de US$ 3,24.

A receita de US$ 29,59 bilhões da Broadcom no trimestre fiscal refletiu a forte demanda por chips personalizados de inteligência artificial. A empresa também elevou sua projeção de receita de IA para o ano fiscal de 2027, de pelo menos US$ 100 bilhões para US$ 115 bilhões, segundo o CEO Hock Tan durante a teleconferência de resultados.

Para o ano fiscal de 2026, a Broadcom espera agora US$ 58 bilhões em receita de IA, com base na guidance de US$ 21,7 bilhões para o quarto trimestre fiscal. A projeção anterior era de US$ 56 bilhões.

Contexto

A Broadcom, empresa de semicondutores e infraestrutura de software, passou a ser vista como uma das principais fornecedoras de chips personalizados para IA, disputando espaço com a Nvidia. Os clientes incluem Alphabet (dona do Google), Anthropic, OpenAI e Meta, conforme informações divulgadas pela companhia.

No trimestre anterior, as ações da Broadcom caíram quando Hock Tan apenas reiterou a expectativa de pelo menos US$ 100 bilhões em receita de IA no ano fiscal de 2027. Desta vez, o mercado esperava uma elevação mais agressiva, algo entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões acima da guidance anterior, e os US$ 115 bilhões ficaram abaixo dessa faixa de expectativa.

A ação da Broadcom acumula alta de cerca de 6% no ano, o que a torna uma das grandes decepções do setor de semicondutores em 2026. Durante as negociações após o fechamento do mercado, o papel chegou a cair 7% antes de se recuperar.

Por que importa

A projeção da Broadcom de US$ 115 bilhões em receita de IA no ano fiscal de 2027 não foi suficiente para animar os investidores, que esperavam um número mais agressivo. O mercado queria saber se a empresa conseguiria manter o ritmo de crescimento em um momento em que os hyperscalers, como Google e Meta, intensificam os gastos com infraestrutura de IA.

A receita de US$ 115 bilhões prevista pela Broadcom para IA em 2027 é limitada por restrições de fornecimento de chips, terra, energia e estrutura física de data centers, segundo Hock Tan. Isso significa que a empresa está operando no limite da capacidade, e qualquer atraso na expansão de infraestrutura pode afetar os resultados.

Para o investidor, o ponto central é a promessa de que a receita de IA vai dobrar novamente no ano fiscal de 2028, para US$ 230 bilhões. Esse número ficou bem acima do consenso da FactSet, de US$ 177 bilhões, e foi o que levou as ações a se recuperarem no after-hours.

Impacto

O guidance da Broadcom de US$ 230 bilhões em receita de IA para 2028, acima dos US$ 177 bilhões estimados pela FactSet, indica que a empresa espera continuar capturando uma fatia relevante do mercado de chips personalizados. O lucro por ação de US$ 30 projetado para 2028 também supera o consenso de US$ 26,38.

A projeção de US$ 230 bilhões em receita de IA em 2028, dada pela Broadcom, incorpora não apenas o fornecimento de chips esperado pela empresa, mas também restrições físicas como terra, energia e cascos de data centers. Isso sugere que a companhia está fazendo contas mais realistas do que rivais que projetam crescimento sem considerar gargalos de infraestrutura.

No curto prazo, a reação mista do mercado indica que os investidores continuam céticos quanto à capacidade da Broadcom de executar. A empresa reduziu recentemente sua posição em ações, conforme o artigo da CNBC, o que permite aos gestores serem mais pacientes com o papel.

O que muda

A Broadcom saiu de uma postura cautelosa para uma postura agressiva em relação à IA. O CEO Hock Tan, que precisava convencer o mercado na teleconferência, entregou números altos, mas a recompensa ainda depende de como o mercado vai precificar esse novo framework.

A mudança mais relevante é a ampliação do horizonte de projeções. A Broadcom deixou de falar apenas de 2027 e passou a dar números concretos para 2028, o que dá mais visibilidade para o crescimento de longo prazo. Isso pode atrair investidores que buscam exposição a IA para além da Nvidia.

A resposta do mercado à guidance da Broadcom mostra que a barra está alta. Mesmo com receita crescendo 85% e projeções bilionárias, a ação não conseguiu subir de forma consistente. A Broadcom, empresa de semicondutores e software, terá que provar nos próximos trimestres que consegue transformar demanda em receita real.

O que vem agora

A Broadcom deve apresentar os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026, encerrado em outubro, com a expectativa de receita de IA de US$ 21,7 bilhões no período. O foco dos investidores estará na execução dessa guidance e em eventuais novos aumentos das projeções para 2027.

O mercado também acompanhará de perto a capacidade da Broadcom de expandir a oferta de chips e infraestrutura. A empresa afirmou que a projeção de US$ 115 bilhões para 2027 é limitada por fornecimento, o que pode abrir espaço para novos ajustes no futuro.

Para o ano fiscal de 2028, a promessa de US$ 230 bilhões em receita de IA e lucro por ação acima de US$ 30 será o principal teste. Se a Broadcom conseguir cumprir, a ação pode recompesar a paciência dos investidores. Se não, o papel continuará enfrentando desconfiança.

A Broadcom, listada na Nasdaq sob o ticker AVGO, segue como uma das ações mais observadas do setor de semicondutores. O desempenho da empresa nos próximos trimestres será decisivo para definir se o mercado aceita o novo patamar de projeções ou se continuará cobrando resultados mais imediatos.