Broadcom eleva projeção de receita de IA para US$ 115 bi em 2027 e ações oscilam
Empresa superou expectativas no trimestre fiscal, mas investidores queriam mais da guidance de curto prazo
O que aconteceu
A Broadcom apresentou na quarta-feira à noite resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 2 de agosto, com receita de US$ 29,59 bilhões, alta de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número veio levemente acima do consenso de US$ 29,36 bilhões compilado pela LSEG. O lucro por ação ajustado subiu 96%, para US$ 3,32, também acima da expectativa de US$ 3,24.
A receita de US$ 29,59 bilhões da Broadcom no trimestre fiscal refletiu a forte demanda por chips personalizados de inteligência artificial. A empresa também elevou sua projeção de receita de IA para o ano fiscal de 2027, de pelo menos US$ 100 bilhões para US$ 115 bilhões, segundo o CEO Hock Tan durante a teleconferência de resultados.
Para o ano fiscal de 2026, a Broadcom espera agora US$ 58 bilhões em receita de IA, com base na guidance de US$ 21,7 bilhões para o quarto trimestre fiscal. A projeção anterior era de US$ 56 bilhões.
Contexto
A Broadcom, empresa de semicondutores e infraestrutura de software, passou a ser vista como uma das principais fornecedoras de chips personalizados para IA, disputando espaço com a Nvidia. Os clientes incluem Alphabet (dona do Google), Anthropic, OpenAI e Meta, conforme informações divulgadas pela companhia.
No trimestre anterior, as ações da Broadcom caíram quando Hock Tan apenas reiterou a expectativa de pelo menos US$ 100 bilhões em receita de IA no ano fiscal de 2027. Desta vez, o mercado esperava uma elevação mais agressiva, algo entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões acima da guidance anterior, e os US$ 115 bilhões ficaram abaixo dessa faixa de expectativa.
A ação da Broadcom acumula alta de cerca de 6% no ano, o que a torna uma das grandes decepções do setor de semicondutores em 2026. Durante as negociações após o fechamento do mercado, o papel chegou a cair 7% antes de se recuperar.
Por que importa
A projeção da Broadcom de US$ 115 bilhões em receita de IA no ano fiscal de 2027 não foi suficiente para animar os investidores, que esperavam um número mais agressivo. O mercado queria saber se a empresa conseguiria manter o ritmo de crescimento em um momento em que os hyperscalers, como Google e Meta, intensificam os gastos com infraestrutura de IA.
A receita de US$ 115 bilhões prevista pela Broadcom para IA em 2027 é limitada por restrições de fornecimento de chips, terra, energia e estrutura física de data centers, segundo Hock Tan. Isso significa que a empresa está operando no limite da capacidade, e qualquer atraso na expansão de infraestrutura pode afetar os resultados.
Para o investidor, o ponto central é a promessa de que a receita de IA vai dobrar novamente no ano fiscal de 2028, para US$ 230 bilhões. Esse número ficou bem acima do consenso da FactSet, de US$ 177 bilhões, e foi o que levou as ações a se recuperarem no after-hours.
Impacto
O guidance da Broadcom de US$ 230 bilhões em receita de IA para 2028, acima dos US$ 177 bilhões estimados pela FactSet, indica que a empresa espera continuar capturando uma fatia relevante do mercado de chips personalizados. O lucro por ação de US$ 30 projetado para 2028 também supera o consenso de US$ 26,38.
A projeção de US$ 230 bilhões em receita de IA em 2028, dada pela Broadcom, incorpora não apenas o fornecimento de chips esperado pela empresa, mas também restrições físicas como terra, energia e cascos de data centers. Isso sugere que a companhia está fazendo contas mais realistas do que rivais que projetam crescimento sem considerar gargalos de infraestrutura.
No curto prazo, a reação mista do mercado indica que os investidores continuam céticos quanto à capacidade da Broadcom de executar. A empresa reduziu recentemente sua posição em ações, conforme o artigo da CNBC, o que permite aos gestores serem mais pacientes com o papel.
O que muda
A Broadcom saiu de uma postura cautelosa para uma postura agressiva em relação à IA. O CEO Hock Tan, que precisava convencer o mercado na teleconferência, entregou números altos, mas a recompensa ainda depende de como o mercado vai precificar esse novo framework.
A mudança mais relevante é a ampliação do horizonte de projeções. A Broadcom deixou de falar apenas de 2027 e passou a dar números concretos para 2028, o que dá mais visibilidade para o crescimento de longo prazo. Isso pode atrair investidores que buscam exposição a IA para além da Nvidia.
A resposta do mercado à guidance da Broadcom mostra que a barra está alta. Mesmo com receita crescendo 85% e projeções bilionárias, a ação não conseguiu subir de forma consistente. A Broadcom, empresa de semicondutores e software, terá que provar nos próximos trimestres que consegue transformar demanda em receita real.
O que vem agora
A Broadcom deve apresentar os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026, encerrado em outubro, com a expectativa de receita de IA de US$ 21,7 bilhões no período. O foco dos investidores estará na execução dessa guidance e em eventuais novos aumentos das projeções para 2027.
O mercado também acompanhará de perto a capacidade da Broadcom de expandir a oferta de chips e infraestrutura. A empresa afirmou que a projeção de US$ 115 bilhões para 2027 é limitada por fornecimento, o que pode abrir espaço para novos ajustes no futuro.
Para o ano fiscal de 2028, a promessa de US$ 230 bilhões em receita de IA e lucro por ação acima de US$ 30 será o principal teste. Se a Broadcom conseguir cumprir, a ação pode recompesar a paciência dos investidores. Se não, o papel continuará enfrentando desconfiança.
A Broadcom, listada na Nasdaq sob o ticker AVGO, segue como uma das ações mais observadas do setor de semicondutores. O desempenho da empresa nos próximos trimestres será decisivo para definir se o mercado aceita o novo patamar de projeções ou se continuará cobrando resultados mais imediatos.
