Broadcom: o que esperar do balanço e a alta da Nvidia

S&P 500 tenta recuperar, tensões geopolíticas seguem, e investidores miram guidance e relação com Alphabet.

Por Marcos Guimarães2 set 2026
Broadcom: o que esperar do balanço e a alta da Nvidia

O que aconteceu

Na quarta-feira, o S&P 500 subiu, tentando quebrar uma sequência de três dias de perdas, pressionado por alta do petróleo e dos yields dos títulos, após novos ataques militares dos EUA contra o Irã. A Nvidia subiu 4% depois que a Dell, parceira de servidores, reportou um trimestre forte, com receita e lucro acima do esperado e elevação do guidance para o ano fiscal de 2027 em mais de 40%. A maior parte dos servidores de IA da Dell usa chips da Nvidia, o que explica o impacto positivo.

A Broadcom divulga resultados após o fechamento, e o foco está na possibilidade de elevar o guidance, especialmente após a reafirmação da perspectiva de receita de semicondutores de IA para o ano fiscal de 2026 no último trimestre, que levou a uma queda nas ações. Também é importante a relação com a Alphabet, principal cliente de chips personalizados, que fechou acordo com a Marvell no mês passado. O CEO da Broadcom, Hock Tan, assegurou em junho que o acordo de longo prazo segue "muito, muito forte".

Contexto

O mercado vem enfrentando volatilidade por conta de tensões geopolíticas, com o petróleo e os yields em alta. Jim Cramer alertou que os investidores não devem se acomodar com o rali de quarta, pois o presidente Donald Trump pode publicar nas redes sociais sobre o conflito no Oriente Médio e mudar o sentimento. A Nvidia, que vinha sendo pressionada, recebeu um impulso com o resultado da Dell, mostrando que o investimento em IA segue forte. A Broadcom, por sua vez, viu suas ações caírem no último balanço quando a gestão apenas reafirmou a perspectiva de receita de IA para 2026, sem elevar. A parceria com a Alphabet é estratégica, e o acordo com a Marvell levantou dúvidas sobre a diversificação de fornecedores.

Por que importa

O balanço da Broadcom é um termômetro para o setor de semicondutores de IA. Se a empresa elevar o guidance, pode impulsionar o setor. A relação com a Alphabet é crucial, pois a diversificação de fornecedores pode afetar a receita da Broadcom. A alta da Nvidia mostra que o ecossistema de IA segue robusto, com a Dell como indicador. Jim Cramer, do Investing Club, disse que, embora tenha ficado surpreso com o ganho da Nvidia, preferiria comprar a Dell: "People are saying, 'You know what, buy Nvidia because Dell's doing well. … I think they should be buying Dell. But I'll take the gain."

Impacto

No curto prazo, o mercado reage ao balanço da Broadcom. Se a empresa não elevar o guidance, as ações podem sofrer, como ocorreu no trimestre passado. A relação com a Alphabet também pode influenciar. A Nvidia, por outro lado, pode se beneficiar do otimismo com a infraestrutura de IA, mesmo que Jim Cramer tenha indicado preferência pela Dell. Além disso, o portfólio do Charitable Trust de Jim Cramer inclui posições em GOOGL, NVDA, KMB, BNY e AVGO, conforme divulgado.

O que muda

Se a Broadcom confirmar um aumento de guidance, isso sinaliza que a demanda por chips de IA segue forte. A reação da Nvidia pode continuar, mas o foco agora é a Broadcom. A decisão da Alphabet de diversificar fornecedores com a Marvell pode levar a Broadcom a reforçar seu relacionamento. O CEO Hock Tan já havia dito em junho que o acordo de longo prazo é "muito, muito forte", o que pode ser reafirmado na teleconferência.

O que vem agora

A Broadcom divulga resultados após o fechamento de quarta-feira. Investidores acompanham a teleconferência para sinais sobre a Alphabet e a demanda. O mercado também observa as movimentações de Trump no Oriente Médio, que podem afetar o sentimento. O Investing Club da CNBC, com Jim Cramer, planeja iniciar novas posições em Kimberly-Clark e BNY, ex-Bank of New York Mellon, conforme mencionado na reunião.