Competição por investidores em CRE cresce mais forte em um ano, diz JLL

O índice de intensidade de lances da JLL mostra a melhor melhora mensal em junho desde 2025, apesar de juros altos.

Por Marcos Guimarães25 ago 2026

O que aconteceu

A JLL divulgou, em 25 de agosto de 2026, os índices trimestrais de intensidade de lances e intensidade de crédito, que mostram que junho teve a maior melhora mensal na intensidade de lances em um ano. Em julho, o número de lances únicos foi o segundo mais alto na história de cinco anos do índice. A competição entre bancos também ultrapassou recordes anteriores, segundo a JLL.

Contexto

Desde 2022, os juros altos e a crise em setores do CRE afastaram parte dos investidores. Nos primeiros anos pós-pandemia, a escassez de crédito e a volatilidade setorial reduziram a atividade. Agora, a liquidez voltou a fluir de forma mais ampla: títulos garantizados por hipotecas comerciais (CMBS), seguradoras, agências governamentais e fundos de dívida estão mais ativos. Lauro Ferroni, chefe de pesquisa de mercado de capitais para as Américas na JLL, afirmou que a disponibilidade de crédito antecipa a intensidade de lances, pois estabelece o tom da liquidez.

Por que importa

A alta competição afeta diretamente investidores, fundos de private equity, gabinetes de advocacia e grandes empresas públicas que negociam ativos. Com mais agentes de crédito no jogo, os preços dos imóveis comerciais tendem a subir, enquanto os spreads de dívida se ajustam. O setor varejista, antes um dos piores durante o e-commerce, agora atrai investidores por causa dos retornos oferecidos. O mesmo vale para o setor industrial.

Impacto

Empresas e investidores que entraram agora enfrentam concorrência acirrada por ativos de qualidade. Quem já possuía posições pode ver valorização de seu portfólio. O aumento de bancos e fundos de dívida também reduz o custo de financiamento para novas aquisições. Lauro Ferroni destacou que o peso de capital ativo no mercado está contrariando a volatilidade macroeconômica.

O que muda

A JLL identificou que o índice de intensidade de crédito agora antecipa o índice de intensidade de lances. Isso significa que a disponibilidade de crédito será o principal motor da atividade de aquisição nos próximos meses. O fato de seguradoras e agências governamentais voltarem a participar mostra que o setor recuperou confiança após a onda de inadimplência esperada não se concretizar.

O que vem agora

Com os juros ainda altos, o foco do mercado recai sobre a evolução da liquidez nos próximos trimestres. A JLL não prevê redução imediata dos juros, mas monitora a entrada de novos agentes de crédito. Investidores devem observar os próximos lançamentos de CMBS e a atuação de fundos de dívida para entender como a competição se manterá em 2026.