Deportações de afegãos do Paquistão e do Irã agravam crise humanitária

Paquistão e Irã intensificam expulsões, e mulheres e meninas enfrentam a transição mais dura sob as restrições do Talibã

Por Marcos Guimarães6 set 2026
Deportações de afegãos do Paquistão e do Irã agravam crise humanitária

O que aconteceu

O Paquistão e o Irã intensificaram a deportação de afegãos nos últimos anos, e o resultado é um retorno em massa ao Afeganistão. Segundo a correspondente internacional-chefe da BBC, Lyse Doucet, em entrevista ao programa Bloomberg This Weekend da Bloomberg, milhões de afegãos já voltaram ao país nesse período. Muitos desses retornados, aponta a jornalista, nunca tinham vivido no Afeganistão: nasceram e cresceram no Paquistão ou no Irã e agora são enviados para um país que não conhecem.

As deportações de afegãos pelo Paquistão e pelo Irã alimentam, segundo o material divulgado pela Bloomberg em 6 de setembro de 2026, uma pressão humanitária crescente dentro do Afeganistão.

Contexto

O movimento de retorno não é novo, mas ganhou escala nos últimos anos à medida que os dois vizinhos endureceram a política de expulsão. Lyse Doucet, que cobre a região para a BBC há décadas, descreveu a situação no Bloomberg This Weekend: o volume de retornados chega a milhões, e parte significativa dessa população não tem vínculo prévio com o Afeganistão além da origem familiar.

O pano de fundo é o governo do Talibã, no poder desde a retomada de Cabul em 2021. O grupo mantém restrições que barram mulheres e meninas do ensino secundário e universitário e da maior parte dos empregos, o que muda completamente o cálculo de quem retorna: uma família que vivia no Irã ou no Paquistão volta para um país onde as filhas adultas e adolescentes não podem estudar nem trabalhar na maior parte das atividades.

Por que importa

A escala do retorno, na casa dos milhões, transforma a deportação em problema humanitário regional. Para as famílias, significa recomeçar do zero em um território estranho, muitas vezes sem rede de apoio. Para as mulheres e meninas, o impacto é ainda mais severo, como destacou Doucet: a transição é especialmente dura porque as regras do Talibã fecham os caminhos de educação e trabalho que existiam nos países de acolhimento.

Para o Afeganistão, a chegada simultânea de milhões de pessoas pressiona serviços já frágeis, de moradia a assistência, em um país com economia estagnada sob sanções e isolamento diplomático.

Impacto

No curto prazo, o efeito mais visível é a sobrecarga humanitária descrita pela Bloomberg: milhões de retornados que precisam de abrigo, comida e documentação em cidades e vilas que já conviviam com insegurança alimentar. No médio prazo, a exclusão de mulheres e meninas do ensino e do mercado de trabalho reduz a capacidade das próprias famílias retornadas de se sustentarem, aprofundando a dependência de ajuda externa.

O tema também volta à agenda internacional. A entrevista de Lyse Doucet ao Bloomberg This Weekend, veiculada pela Bloomberg em 6 de setembro de 2026, mostra que o assunto segue em pauta nos meios globais de negócios e política externa.

O que muda

Para quem acompanha a região, o quadro mudou de migração para expulsão organizada. Paquistão e Irã, que por décadas abrigaram afegãos, hoje lideram o movimento de devolução. O Afeganistão do Talibã recebe essa população com restrições que não existiam quando muitos desses retornados deixaram o país, ou que sequer existiam para quem nasceu fora dele.

O que vem agora

A tendência apontada pela reportagem da Bloomberg é de continuidade: enquanto Paquistão e Irã mantiverem as deportações aceleradas, o fluxo de retorno deve seguir, e a pressão humanitária no Afeganistão tende a crescer. O ponto de atenção destacado por Doucet é a situação de mulheres e meninas retornadas, que chegam a um país onde o Talibã mantém as proibições de estudo e trabalho. Cabe aos organismos humanitários e aos governos da região responder a um movimento que já atinge milhões de pessoas.