Desenvolvedores já burlam marcas d'água invisíveis do Claude

Anthropic adota marca d'água para cumprir regras da UE, mas devs já contornam.

Por Marcos Guimarães19 ago 2026
Desenvolvedores já burlam marcas d'água invisíveis do Claude

O que aconteceu

A Anthropic confirmou na semana passada que seus modelos Claude passariam a incorporar marcas d'água invisíveis e legíveis por máquina em todo conteúdo gerado por IA, como parte das exigências do AI Act da União Europeia. Em apenas quatro horas, o desenvolvedor Guillaume Meyer publicou um código para remover essas marcas de textos gerados pelo Claude. O código viralizou no GitHub, foi marcado mais de 20 mil vezes no X e atraiu mais de 100 contribuidores, com muitos outros incorporando a tecnologia em seus próprios projetos.

Contexto

As novas regras da UE, que entraram em vigor neste mês, determinam que provedores de modelos como Anthropic e OpenAI rotulem áudio, imagem, vídeo ou texto sintético para que máquinas possam detectar que o conteúdo foi gerado por IA. O descumprimento pode resultar em multas de até 3% do faturamento anual. No entanto, as regras não proíbem ferramentas independentes de circumvention, apenas a comercialização de tais ferramentas pelos próprios provedores.

Por que importa

Meyer, que é falante nativo de francês e usa Claude e outras ferramentas de IA para editar seus textos, argumenta que a marca d'água é uma solução problemática. Ele aponta riscos de falsos positivos e a dificuldade de distinguir entre uso leve e pesado de IA. Como a própria Anthropic admite que só pode gerar uma probabilidade de que o texto foi tocado pelo Claude, o uso da marca d'água como evidência poderia levar a rejeições injustas de candidatos ou acusações infundadas contra pesquisadores.

Impacto

A rápida disseminação do workaround indica que a rotulagem obrigatória pode ser facilmente contornada, o que pode minar a confiança na eficácia das regras da UE. A comunidade de desenvolvedores está dividida: alguns buscam evadir a marca d'água por discordarem da rotulagem de todo conteúdo gerado por IA, enquanto outros, como Meyer, encaram o desafio técnico como um estímulo. O episódio também expõe a tensão entre transparência e praticidade no uso de IA.

O que muda

A Anthropic pode precisar revisar sua abordagem de marca d'água, seja tornando-a mais robusta ou reconsiderando sua implementação. A UE, por sua vez, pode avaliar se suas regras são eficazes diante de contornos tão rápidos. Para usuários de IA, o episódio mostra que a rotulagem obrigatória ainda está longe de ser uma solução definitiva.

O que vem agora

Meyer e outros desenvolvedores continuam aprimorando ferramentas de remoção, e é provável que novos workarounds surjam. A Anthropic pode responder com atualizações ou defender a necessidade de transparência, mas a batalha entre rotulagem e circumvention parece longe de terminar. Enquanto isso, a UE observa se suas regras terão o efeito desejado ou se precisarão de ajustes.