Elon Musk destina primeiros US$ 800 mil do America PAC a corridas ao Senado

Super PAC do bilionário revela apostas em Texas, Maine e Ohio após encontro com Mike Johnson

Por Marcos Guimarães3 set 2026
Elon Musk destina primeiros US$ 800 mil do America PAC a corridas ao Senado

O que aconteceu

O America PAC, super PAC apoiado por Elon Musk, apresentou uma nova declaração de gastos de US$ 800.475 à Comissão Eleitoral Federal (FEC) na noite de quarta-feira, 2 de setembro. Desse total, cerca de 90% (US$ 718 mil) foi direcionado a sete disputas ao Senado, enquanto US$ 89 mil foram para oito corridas à Câmara. O Texas recebeu a maior fatia, US$ 247 mil, para impulsionar o procurador-geral Ken Paxton e minar o deputado estadual James Talarico, em uma disputa que se tornou competitiva. O PAC também investiu US$ 170 mil no Maine para a reeleição da senadora Susan Collins, US$ 106 mil em Ohio para Jon Husted, US$ 91.459 em New Hampshire, US$ 54.600 em Iowa, US$ 25.605 em Michigan e US$ 17.235 no Alasca.

A corrida no Texas, que os democratas passaram a enxergar como viável, recebeu o maior aporte do America PAC, US$ 247 mil, em apoio a Paxton. Os gastos foram classificados como despesas de impressão, o que indica uso em mala direta. A divulgação também listou dois dispêndios agendados para 10 de setembro, ainda sem valor especificado. O grupo beneficia, na Câmara, os republicanos Derrick Van Orden (Wisconsin), Mike Lawler (Nova York), Jen Kiggans (Virgínia), Tom Kean Jr. (Nova Jersey), Scott Perry, Rob Bresnahan e Ryan Mackenzie (Pensilvânia), além de Scott Singer, que desafia o democrata Jared Moskowitz na Flórida.

Contexto

Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, foi quem desenhou essa ofensiva política: segundo relatos, ele autorizou o America PAC a gastar até US$ 120 milhões para tentar eleger republicanos em novembro. O movimento marca uma virada do bilionário, que já apoiou democratas no passado. Os gastos vieram a público dias depois de Musk se reunir com o presidente da Câmara, Mike Johnson (R-Louisiana), no Texas, durante campanha do republicano em distritos competitivos. Johnson relatou o encontro a líderes do partido, sem confirmar detalhes sobre doações.

As despesas do período entre 18 e 31 de agosto representam a primeira materialização dos milhões prometidos para o meio de mandato. Paxton, que enfrenta Talarico, tem um desequilíbrio financeiro evidente: dados do AdImpact citados pelo Texas Tribune mostram que a campanha de Talarico gastou mais de US$ 25 milhões em anúncios desde o fim de maio, contra apenas US$ 119 mil de Paxton. Antes dos gastos divulgados agora, o America PAC já intensificara ataques nas redes sociais contra Talarico.

Por que importa

A entrada de recursos de Musk pode alterar a dinâmica em estados onde o controle do Senado está em jogo. No Texas, Paxton partiu de uma posição de desvantagem em gastos, e os US$ 247 mil iniciais, mesmo modestos diante da máquina de Talarico, abrem um canal de comunicação com eleitores via mala direta. No Maine, Collins, republicana moderada, enfrenta uma disputa apertada, e o apoio de US$ 170 mil reforça sua estrutura em um estado que Musk vê como estratégico. Em Ohio, os US$ 106 mil para Husted, senador em primeiro mandato, tentam consolidar uma vitória republicana.

Para o mercado político, a revelação indica que Musk, que comandou cortes de gastos públicos no governo Trump e chegou a apoiar democratas, agora age de forma coordenada com a liderança republicana. O encontro com Johnson sinaliza que o PAC não está isolado, mas integra uma estratégia mais ampla do partido para manter a maioria na Câmara e conquistar o Senado.

Impacto

No curto prazo, o dinheiro deve ajudar Paxton a responder aos ataques de Talarico no Texas, onde o democrata dominou o ar com anúncios. A diferença de gastos entre os dois é de cerca de US$ 25 milhões, e o aporte de US$ 247 mil, embora pequeno, paga o suficiente para uma campanha de mala direta em distritos-chave. Em Maine e Ohio, os valores adicionais podem reforçar a base republicana em estados onde pesquisas mostram margens estreitas.

A médio prazo, se Musk cumprir a promessa de US$ 120 milhões, os primeiros US$ 800 mil representam menos de 1% do total, sinalizando que ele está apenas começando. O efeito mais amplo é o de sinalizar a outros doadores ricos que o campo republicano terá apoio de alto perfil, o que pode atrair novas contribuições. Por outro lado, a exposição de Musk à política partidária pode gerar reações negativas entre consumidores de suas empresas, como Tesla, que já enfrentou boicotes por posições do CEO.

O que muda

As campanhas no Senado passam a ter um novo ator com capacidade de injeção massiva de recursos. No Texas, até então dominado pela vantagem financeira de Talarico, Paxton ganha um aliado com potencial de enviar mensagens direcionadas a eleitores indecisos. O calendário eleitoral, com votação em 3 de novembro, torna cada semana decisiva, e as despesas agendadas para 10 de setembro indicam que o PAC não vai parar.

O que vem agora

A FEC deve receber novas declarações após os gastos de 10 de setembro, e o mercado político acompanhará se Musk ampliará o escopo para outros estados. A promessa de US$ 120 milhões, se concretizada, colocaria o America PAC entre os maiores financiadores externos desta eleição. Johnson, que não comentou publicamente o valor das contribuições de Musk, deve continuar articulando com o bilionário. As eleições de meio de mandato em novembro vão testar se o dinheiro de Musk traduz vitórias republicanas em Texas e Maine, ou se o investimento precoce se perde diante da estrutura democrata.

FONTES

  • CNBC Technology: Elon Musk starts spending his midterm election millions, revealing his key Senate targets (https://www.cnbc.com/2026/09/03/elon-musk-america-pac-election-senate-races.html)