EUA anunciam proibição de importação de produtos canadenses

Medida assinada por Trump substitui tarifas de 50% e vale a partir de 29 de setembro de 2026.

Por Marcos Guimarães9 set 2026
EUA anunciam proibição de importação de produtos canadenses

O que aconteceu

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma série de ordens executivas na segunda-feira, 7 de setembro de 2026, para proibir a importação de produtos canadenses. A lista inclui soro de leite (whey), melaço, cerveja sem álcool, cerveja de malte, vinhos, cidra, uísques, vodka e outros destilados. Motocicletas de maior cilindrada e lambretas (mopeds) também entram na proibição. As restrições, que substituem em grande parte as tarifas de 50%, entram em vigor em 29 de setembro de 2026 (CNBC).

A proibição da importação de produtos canadenses, anunciada pelo governo dos Estados Unidos, foi detalhada em ordens executivas que também alteram tarifas sobre outros produtos canadenses a partir de 15 de setembro de 2026. Veículos todo-terreno (ATVs) e peles de animais passam a ser tarifados, enquanto sal-gema e cimento saem da lista.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, classificou as medidas como "consequência natural do tratamento discriminatório continuado do Canadá às exportações americanas cruciais".

Contexto

O anúncio americano ocorreu no mesmo dia em que o Canadá colocou em vigor tarifas sobre 27,6 bilhões de dólares canadenses em importações dos Estados Unidos. A lista canadense atinge mais de 700 produtos, entre aço, laticínios, equipamentos agrícolas, celulose, papel e eletrônicos.

As tarifas sobre 27,6 bilhões de dólares canadenses em importações americanas foram aplicadas pelo Canadá como resposta "dólar por dólar" às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos em agosto de 2026, depois do colapso das negociações comerciais que tinham prazo para 21 de agosto de 2026.

Donald Trump acusa o Canadá de prejudicar as exportações americanas por meio de políticas nos setores de automóveis, álcool e laticínios. Ele também destaca o déficit comercial americano em bens e ameaça aplicar uma tarifa de 50% sobre carros, caminhões e autopeças a partir de 1º de janeiro de 2027.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, respondeu em agosto que o "déficit comercial estreito de mercadorias só existe porque os EUA compram muita energia de nós". Carney lembrou que o Canadá é o maior consumidor de carros e aço americanos, e afirmou que os Estados Unidos "pediram demais" nas negociações. Para ele, a retaliação é necessária para proteger trabalhadores e empresas canadenses, mesmo com impacto econômico e redução de escolha para os consumidores.

Por que importa

O banimento atinge setores em que os dois países são profundamente integrados. As tarifas existentes se aplicam a uma parte relativamente pequena dos 715,5 bilhões de dólares americanos em comércio de bens bilaterais, mas economistas alertam para um golpe imediato em pequenas e médias empresas.

O Canadá é o maior comprador de carros e aço dos Estados Unidos, como destacou Carney. A interrupção do fluxo de bebidas, motos e laticínios canadenses para o mercado americano pode elevar preços para consumidores dos dois lados e forçar empresas a mudar fornecedores em poucas semanas.

As medidas americanas têm efeito prático direto sobre os produtores canadenses de laticínios, que já enfrentavam tarifas de 50%, e sobre fabricantes de motocicletas e bebidas alcoólicas. Para o consumidor americano, a proibição reduz a oferta de produtos como cerveja sem álcool, vinhos e uísques canadenses.

Impacto

No curto prazo, a proibição de importação entra em vigor em 29 de setembro, menos de um mês após o anúncio. Empresas que dependem de produtos canadenses, como supermercados e importadoras de bebidas, precisarão encontrar alternativas ou arcar com custos de armazenagem.

A ampliação das tarifas americanas sobre ATVs e peles de animais a partir de 15 de setembro atinge diretamente os exportadores canadenses desses itens. A remoção de sal-gema e cimento da lista traz alívio para importadores dessas commodities.

No Canadá, o governo Carney reconhece que a retaliação terá custo econômico. O comércio bilateral entre os dois países totaliza 715,5 bilhões de dólares americanos em bens, e qualquer ruptura nesse fluxo tende a afetar cadeias de suprimento dos dois lados.

O que vem agora

O banimento americano passa a valer em 29 de setembro de 2026. Antes disso, em 15 de setembro, entram em vigor as tarifas modificadas sobre ATVs e peles de animais. A ameaça de Trump de tarifar carros, caminhões e autopeças em 50% está prevista para 1º de janeiro de 2027.

Os dois governos seguem se culpando pelo fracasso das negociações. Não há data marcada para uma nova rodada de conversas.

Fontes