Bank of Canada avalia impacto de tarifas de Trump antes de decisão de juros
Decisão sobre taxa de juros nesta quarta-feira pesa retaliação tarifária e incerteza econômica
O que aconteceu
O Banco do Canadá (BoC) divulgará sua decisão sobre a taxa de juros nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, às 9h45 (horário do leste). A decisão ocorre em meio a uma escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá. O presidente americano Donald Trump impôs tarifas de 50% sobre uma ampla gama de produtos canadenses, segundo o CNBC. Em resposta, o Canadá anunciou tarifas retaliatórias que afetarão mais de US$ 20 bilhões em bens americanos, com início em 8 de setembro.
A taxa básica de juros do BoC está atualmente em 2,25%, patamar mantido por seis decisões consecutivas desde julho, após ter atingido um pico recente de 5%. O Produto Interno Bruto (PIB) canadense cresceu 0,8% no segundo trimestre de 2026, acelerando em relação aos 0,1% dos primeiros três meses do ano. Já a inflação ao consumidor (CPI) subiu para 3% ao ano em julho, ante 2,8% em junho.
Contexto
A guerra comercial entre EUA e Canadá se intensificou após o colapso das negociações bilaterais. As tarifas de Trump de 50% representam um aumento significativo em relação a medidas anteriores. O Canadá, segundo maior parceiro comercial dos EUA, respondeu com tarifas retaliatórias que devem entrar em vigor em 8 de setembro. O economista Carlos Capistran, do Bank of America, escreveu em nota de terça-feira (1) que espera que o BoC mantenha um tom cauteloso, reiterando que a incerteza é alta e que o banco está preparado para ajustar a política monetária conforme necessário.
A decisão anterior do BoC, em julho, manteve a taxa inalterada. O mercado, após os dados de inflação de julho, passou a precificar três altas de juros nos próximos 12 meses. No entanto, o Bank of America espera que o BoC mantenha a taxa estável nos próximos meses.
Por que importa
A guerra tarifária complica o trabalho do Banco do Canadá porque cria um dilema clássico: tarifas elevam a inflação (ao encarecer importações e produtos finais), mas ao mesmo tempo freiam o crescimento econômico (ao reduzir o comércio e a confiança empresarial). O BoC precisa equilibrar esses dois riscos. A inflação ao consumidor já está acima da meta de 2%, em 3%, o que normalmente pediria alta de juros. Mas o crescimento fraco e a incerteza comercial argumentam a favor da manutenção ou até corte de juros.
O Goldman Sachs estima que as tarifas de Trump representem um vento contrário de 0,3 ponto percentual no crescimento do PIB do Canadá e um impulso de 0,3 ponto percentual na inflação. Em nota de 28 de agosto, o banco escreveu que essas preocupações com o crescimento e a volatilidade contínua nas tensões comerciais devem manter o BoC em compasso de espera no futuro previsível.
Impacto
Para a economia canadense, a combinação de tarifas elevadas e retaliação pode levar a uma desaceleração mais acentuada. O Bank of America prevê que o BoC não altere a taxa de juros, mantendo-a em 2,25%. O banco acredita que apenas um impacto direto das tarifas sobre a inflação será sentido, sem efeitos de segunda ordem (como aumentos salariais generalizados). O economista Carlos Capistran afirmou que a escalada da guerra comercial com os EUA é o desenvolvimento mais consequente para a política monetária, argumentando que o PIB mais firme no segundo trimestre e a inflação acima da meta justificam cautela, mas o conflito tarifário domina as preocupações.
No mercado financeiro, os traders já precificam três altas de juros nos próximos 12 meses, mas o Bank of America e o Goldman Sachs acreditam que o BoC não deve se mover. Isso cria um descompasso entre as expectativas do mercado e a sinalização do banco central.
O que muda
Com a decisão desta quarta-feira, o BoC deve manter a taxa de juros inalterada em 2,25%, interrompendo qualquer ciclo de aperto que o mercado esperava. A comunicação do banco deve enfatizar a incerteza elevada e a dependência de dados futuros, sem se comprometer com um caminho. A retaliação tarifária canadense, que entra em vigor em 8 de setembro, pode aumentar a pressão inflacionária no curto prazo, mas o efeito recessivo das tarifas tende a dominar a política monetária.
O que vem agora
O BoC divulgará a decisão na quarta-feira, 2 de setembro, às 9h45 ET. O mercado acompanhará o comunicado e a coletiva de imprensa para sinais sobre a direção futura. As tarifas retaliatórias canadenses começam em 8 de setembro, o que pode forçar o BoC a revisar suas projeções. O Bank of America espera que o banco mantenha os juros inalterados nos próximos meses, enquanto o Goldman Sachs vê o BoC em espera pelo futuro previsível. A próxima reunião do BoC está prevista para outubro de 2026, quando novos dados de inflação e PIB estarão disponíveis.
