EUA sancionam filial do Banque Misr nos Emirados por ligação com Irã

Filiais do Banque Misr nos Emirados são alvo por processar transações de empresas ligadas ao Irã.

Por Marcos Guimarães28 ago 2026
EUA sancionam filial do Banque Misr nos Emirados por ligação com Irã

O que aconteceu

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira, 28 de agosto, que vai revogar o acesso das filiais do banco egípcio Banque Misr nos Emirados Árabes Unidos ao sistema financeiro americano. A medida foi divulgada em um comunicado oficial do departamento.

Segundo o Tesouro, a filial do Banque Misr nos Emirados processou cerca de US$ 1,8 bilhão nos últimos dois anos para aproximadamente 100 empresas que podem fazer parte da rede bancária paralela do Irã. A ação ocorre quatro dias depois de o secretário do Tesouro, Scott Bessent, lançar a Operação Pária Econômica, uma campanha de sanções que pretende cortar todos os laços econômicos do Irã no mundo.

No mesmo dia, o Tesouro também incluiu na lista negra o cidadão iraniano Reza Mohammad Taeedi, gerente geral da filial de Dubai do Bank Melli, banco estatal do Irã. E sancionou a empresa Kameng Trading Limited, de Hong Kong, acusada de atuar como fachada para lavar dinheiro de uma casa de câmbio iraniana.

Contexto

A Operação Pária Econômica foi apresentada na segunda-feira, 24 de agosto, pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent. Na ocasião, Bessent afirmou que o Tesouro faria um anúncio importante sobre uma instituição financeira sancionada até o fim da semana. O presidente Donald Trump descreveu a campanha contra o Irã como o equivalente econômico do Dia D, a invasão da Europa ocupada pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Ainda assim, as ações do Tesouro contra a República Islâmica têm sido modestas em seu alcance até o momento, segundo a CNBC. As exportações de petróleo bruto do Irã são uma fonte crucial de receita, e a China é o principal cliente. O bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz reduziu essas exportações, mas há navios-tanque na Ásia carregados com milhões de barris de petróleo iraniano esperando para descarregar na China, de acordo com a empresa de análise Kpler.

Por que importa

A revogação do acesso ao sistema financeiro dos EUA significa que as filiais do Banque Misr nos Emirados não poderão mais realizar transações em dólares ou usar correspondentes bancários americanos. Isso atinge diretamente empresas e clientes que dependem desses canais para negociar com o Irã ou com entidades ligadas ao país.

Para o governo americano, a medida é um passo concreto para estrangular a economia iraniana, que depende do petróleo para gerar receita. Para o Brasil, o efeito prático é limitado, mas há risco para empresas que tenham operações na região ou que negociem com bancos dos Emirados.

Bessent, em declaração à imprensa, afirmou que ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA. Ele acrescentou que aqueles que facilitarem transações e fizerem parte do ecossistema que transforma petróleo iraniano em dinheiro e em repressão serão alvo.

Impacto

No curto prazo, a medida deve dificultar a movimentação de recursos para o Irã e para empresas ligadas ao regime. O Banque Misr é um dos maiores bancos do Egito, com operações relevantes no golfo. O corte de acesso pode afetar correntistas e empresas que usam a filial nos Emirados.

No médio prazo, a pressão sobre o sistema financeiro iraniano tende a aumentar. A redução das exportações de petróleo já foi agravada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, e a sanção de instituições que facilitam operações pode encarecer o comércio e forçar o Irã a buscar caminhos alternativos.

O que vem agora

O Tesouro não informou se pretende sancionar instituições chinesas, que são as principais compradoras de petróleo iraniano. Quando questionado sobre o tema na segunda-feira, Bessent respondeu que ninguém está imune às sanções dos EUA e que quem fizer parte desse ecossistema será alvo. A expectativa é que novas medidas sejam anunciadas nas próximas semanas, possivelmente contra bancos e casas de câmbio que operam com o Irã.

O mercado acompanha o destino dos navios-tanque parados na Ásia, que podem tentar descarregar cargas de petróleo iraniano. Caso os EUA ampliem as sanções para atingir entidades na China, o impacto sobre o comércio global de petróleo pode ser maior.