Fiat Ventures vira FGV Capital e levanta US$ 35 milhões em Fundo II

Firma de fintech combina divisões de growth e investimento para dar a founders mais que capital.

Por Marcos Guimarães25 ago 2026
Fiat Ventures vira FGV Capital e levanta US$ 35 milhões em Fundo II

O que aconteceu

A Fiat Ventures, gestora focada em fintech, anunciou na terça-feira (25 de agosto de 2026) a combinação de suas operações de consultoria de growth e de venture sob a nova marca FGV Capital. A reestruturação veio junto com o fechamento do Fundo II, um veículo de US$ 35 milhões.

O novo nome, FGV Capital, nasce da união das duas frentes que a gestora já tocava separadamente. A consultoria, antes chamada Fiat Growth, oferecia a startups suporte em escala, negócios e go-to-market, além de acesso a uma rede de executivos do setor. É exatamente nessa sobreposição de redes que os general partners Marcos Fernandez e Drew Glover enxergam potencial para mais exposição e crescimento.

"O objetivo é usar a infraestrutura mais ampla da FGV para dar ao nosso time de investimento melhor informação e contexto mais profundo, não para influenciar o resultado", disse Glover ao TechCrunch. Ele também reforçou que a consultoria e o veículo de investimento seguem como entidades separadas, com processos definidos para que relações comerciais não enviesem decisões de investimento.

Contexto

A captação do Fundo II levou cerca de 18 meses, um período marcado por um apertão no venture capital. Gestores emergentes, como a própria FGV Capital, enfrentam um cenário em que LPs têm migrado para fundos maiores e com track record mais longo. Nesse ambiente, a gestora decidiu apostar em um modelo híbrido: juntar a capacidade de consultoria com o capital de risco para criar um diferencial competitivo.

Os LPs do Fundo II incluem a Reinsurance Group of America, a MassMutual e o Bank of America. Segundo os GPs, a seleção buscou investidores que "pudessem fazer mais do que fornecer capital", como oferecer orientação de negócios às empresas do portfólio. A tese do fundo cruza fintech com áreas como IA, saúde, comércio e outras indústrias.

Por que importa

Para founders, o modelo significa acesso a uma estrutura que vai além do cheque. Quem levantar capital da FGV Capital pode, na prática, usar também a rede de consultoria, que conecta executivos e abre portas para clientes e parcerias. Foi isso que, segundo Glover, já ajudou a gestora a conquistar lugares em cap tables: empreendedores perceberam que, ao tomar dinheiro do fundo, ganhariam acesso ao ecossistema de advisory.

Para LPs, a proposta de valor também muda. A FGV Capital tem um programa para ajudar as empresas do portfólio de seus LPs a escalar, e conecta os próprios LPs a companhias do lado da consultoria para oportunidades de parceria.

"As empresas em que investimos podem se tornar clientes que ajudamos a escalar. Empresas com as quais trabalhamos podem se tornar investimentos. LPs podem se tornar clientes ou parceiros do portfólio", disse Fernandez. "As diferentes partes do ecossistema podem criar valor umas para as outras, enquanto ainda operam de forma independente."

Impacto

No curto prazo, a tese do Fundo II se concentra na interseção de fintech com IA, saúde, comércio e outras indústrias. O FGV Capital, marca que agora reúne as operações da antiga Fiat Ventures, espera que a integração entre consultoria e investimento gere um ciclo virtuoso: empresas investidas podem virar clientes da consultoria, companhias da consultoria podem virar investimentos, e LPs podem atuar como clientes ou parceiros do portfólio.

O desafio é provar que a sobreposição de redes não compromete a imparcialidade das decisões de investimento. A gestora afirma ter processos claros para separar as duas esferas, mas o mercado vai acompanhar se o modelo entrega, de fato, melhores retornos.

O que vem agora

Ainda não há cronograma público para novos aportes. O FGV Capital segue com a consultoria e o veículo de investimento funcionando separadamente, mas integrados sob a mesma marca. A expectativa dos GPs é que o modelo "full-stack" seja o diferencial em um mercado onde a captação para fundos emergentes se tornou mais difícil. O teste será ver se a integração se traduz em melhores oportunidades de negócio e retorno financeiro para LPs e empresas do portfólio.