Filha de Kubrick responde a teorias sobre Eyes Wide Shut

Em publicação no X, Vivian Kubrick detalha o que sabe sobre o filme final do pai, desmentindo alegações de que cenas foram cortadas após sua morte.

Por Marcos Guimarães1 set 2026
Filha de Kubrick responde a teorias sobre Eyes Wide Shut

O que aconteceu

Vivian Kubrick, filha do cineasta Stanley Kubrick, respondeu às teorias da conspiração sobre o filme Eyes Wide Shut em uma publicação no X em 1º de setembro de 2026. A postagem, compartilhada no perfil @ViKu1111, foi motivada por especulações que circulam há anos, impulsionadas em parte pelo podcaster Joe Rogan e seu convidado, o cineasta Roger Avary.

No texto, Vivian afirmou que não ouviu nada sobre uma suposta versão com 20 minutos a mais durante a produção. "Este será muito decepcionante para muitas pessoas, mas certamente não ouvi nada sobre 20 minutos perdidos na época, nem ouvi nada desde então que confirmasse que tal seção existiu", escreveu. Ela também explicou que não estava em posição de saber tudo que aconteceu antes ou imediatamente após a morte do pai, pois estava em Los Angeles para compor a trilha de um filme.

A teórica da conspiração dos 20 minutos perdidos foi alimentada por décadas, mas Vivian trouxe um contexto decisivo. "Meu pai sempre incinerava os outtakes depois que um filme era finalizado, especificamente para impedir que o estúdio posteriormente reeditasse seu trabalho ou criasse versões alternativas", revelou. Essa prática, segundo ela, tornaria improvável a existência de material cortado.

Contexto

As teorias sobre Eyes Wide Shut ganharam força nos últimos anos, especialmente depois que Joe Rogan e Roger Avary discutiram o assunto em um episódio do podcast de Rogan. Eles sugeriram que cenas importantes teriam sido removidas após a morte de Stanley Kubrick, em março de 1999, poucos meses antes da estreia do filme. A história se espalhou em fóruns e redes sociais, alimentando a ideia de que o corte final não seria o que Kubrick pretendia.

Vivian, porém, esclareceu que, na época, a única alteração que soube foi o uso de CGI, figuras geradas por computador, para obscurecer parte da nudez na cena da orgia. "A única alteração que ouvi na época foi o uso de CGI para obscurecer parte da nudez na cena da orgia, que a Warner Brothers queria para garantir a classificação R para o filme", disse. Ela não ouviu falar de nenhum corte de cenas.

Kubrick explicou também o estágio em que o filme estava quando o pai morreu. "Eyes Wide Shut tinha chegado ao picture lock e estava passando pelos estágios finais da pós-produção. Acabara de ser mostrado aos chefes do estúdio, presumo que com uma trilha sonora temporária, enquanto a mixagem final de som e parte do trabalho de música ainda estavam por concluir", detalhou. Isso ocorreu em 1999, na era da distribuição física de filmes.

Por que importa

A declaração de Vivian Kubrick é relevante porque coloca um ponto final, pelo menos da parte da família, em uma das teorias mais persistentes do cinema. A ideia de que Stanley Kubrick teria tido um corte alterado após sua morte sempre gerou desconfiança entre fãs e estudiosos. Agora, a filha, que teve acesso direto ao processo de produção, afirma que não há evidências disso.

Além disso, a explicação sobre a incineração dos outtakes é um detalhe crucial. Se Kubrick realmente incinerava todo o material não utilizado, como ela diz, a existência de 20 minutos perdidos seria materialmente impossível. Esse fato muda a narrativa para os que acreditavam na conspiração.

Impacto

No curto prazo, a resposta de Vivian deve desacelerar a propagação das teorias, que ganhavam novos episódios sempre que alguém revisitava o filme. No médio prazo, a fala dela reforça a versão oficial de que o lançamento de 1999 é o corte final de Kubrick, sem intervenções póstumas. Isso também afeta a percepção sobre o trabalho de pós-produção na época, quando a edição digital ainda era feita em sistemas como o Avid, sem arquivos permanentes como se vê hoje.

A menção ao processo de edição em Avid também esclarece por que não há registros digitais completos do material original. "Eyes Wide Shut foi editado em Avid, um processo que não incluía o arquivo digital permanente que as pessoas imaginam hoje", explicou Vivian, contextualizando as limitações técnicas da época.

O que muda

Com a declaração, muda a narrativa de que haveria um "corte perdido" de Eyes Wide Shut. Quem defendia essa teoria agora precisa lidar com o testemunho direto de alguém que esteve próxima do processo, mesmo que não tenha acompanhado todos os dias da pós-produção. A ênfase de Vivian na incineração dos outtakes é um forte contra-argumento.

Também fica claro que a ausência de uma resposta da família até então não significava consentimento com as teorias. Vivian aproveitou a oportunidade para dar sua versão, mas admitiu que não sabe tudo. "Não estou em posição de saber tudo o que pode ter acontecido antes ou imediatamente após a morte do meu pai", afirmou, mostrando honestidade sobre os limites do próprio conhecimento.

O que vem agora

Vivian Kubrick não anunciou nenhum plano de revisitar o arquivo ou de lançar material inédito. Sua resposta foi mais um esclarecimento pessoal do que um anúncio de nova ação. Fãs de Kubrick, no entanto, podem esperar que essa declaração seja usada como referência em futuras discussões sobre o filme, inclusive em documentários e análises acadêmicas. A Warner Brothers, que detém os direitos do filme, não se manifestou até o momento sobre a publicação de Vivian.