Empresas seguram identidades de agentes de IA, mas não conseguem contê-los

Pesquisa da VentureBeat mostra que 80% das empresas com identidades seguras falham em conter agentes maliciosos

Por Redação Mapa Paper12 ago 2026
Empresas seguram identidades de agentes de IA, mas não conseguem contê-los

O que aconteceu

A VentureBeat divulgou os resultados de seis ondas de pesquisa realizadas desde janeiro, com 440 profissionais qualificados de segurança empresarial. O estudo revela que, embora 53% das empresas já tenham enfrentado um incidente ou quase-incidente de segurança envolvendo agentes de IA, apenas 18% isolam seus agentes de maior risco e somente 8% combinam aplicação de permissões com isolamento (VentureBeat).

O evento VB Transform 2026 também trouxe o caso da Visa, cujo presidente de tecnologia, Rajat Taneja, demonstrou o uso do Mythos, da Anthropic, para caçar bugs em sua própria rede de pagamentos. O modelo conseguiu transformar pequenas falhas em cadeias de exploração funcionais, e a Visa abriu o código do harness que controlou a busca.

Contexto

A pesquisa da VentureBeat mostra que 65% das empresas aplicam permissões de agentes em tempo de execução, mas a maioria depende de controles nativos de seus provedores de nuvem e plataformas de IA. De acordo com o levantamento, 92% das empresas que nomeiam uma camada de segurança primária recorrem a seus hyperscalers e provedores de plataforma de IA (VentureBeat).

A lacuna entre o que as empresas precisam e o que está sendo feito está crescendo, mesmo com investimentos significativos em IA agêntica. O caso da Visa ilustra o que é possível quando uma empresa tem profundidade de engenharia para agir sobre o que encontra, mas a maioria das organizações não chega lá.

Por que importa

A incapacidade de conter agentes de IA que agem de forma maliciosa representa um risco direto para a segurança dos dados e operações das empresas. Com mais da metade das organizações já tendo enfrentado incidentes, a falta de isolamento eficaz significa que um agente comprometido pode se mover lateralmente dentro da rede, acessando sistemas críticos e causando danos significativos antes de ser detectado.

A dependência de controles nativos dos provedores, sem camadas adicionais de segurança, amplia o problema. As empresas estão terceirizando a segurança de agentes para os mesmos provedores que oferecem as plataformas, o que pode não ser suficiente para cenários de ameaças avançadas.

Impacto

No curto prazo, a lacuna de contenção pode levar a mais incidentes de segurança, com agentes maliciosos explorando permissões excessivas e falta de isolamento. No médio prazo, empresas que não resolverem essa questão podem sofrer danos à reputação, perdas financeiras e atrasos em suas iniciativas de IA agêntica.

A pesquisa indica que os dados de satisfação não correspondem aos dados de incidentes: as empresas tendem a avaliar melhor as ferramentas que conhecem, mesmo quando essas ferramentas falharam ou tiveram desempenho mediano. Isso sugere uma falsa sensação de segurança que pode atrasar investimentos em soluções mais robustas.

O que muda

O cenário de segurança de agentes de IA está mudando, com a necessidade de ir além da gestão de identidades e permissões. A contenção de agentes maliciosos exige isolamento em tempo de execução, monitoramento contínuo e capacidade de resposta rápida a comportamentos anômalos.

O exemplo da Visa, que usou IA para encontrar e corrigir falhas em sua própria rede, mostra um caminho possível: usar a mesma tecnologia para fortalecer a segurança, em vez de apenas confiar em controles estáticos.

O que vem agora

Espera-se que mais empresas adotem abordagens de segurança em camadas, combinando controles de provedores com soluções especializadas em contenção de agentes. A pesquisa da VentureBeat continuará acompanhando a evolução desse cenário, com novas ondas de dados previstas para os próximos meses.

A abertura do código do harness da Visa pode inspirar outras organizações a compartilhar ferramentas e práticas de segurança, acelerando o desenvolvimento de defesas mais eficazes contra ameaças agênticas.