Fundo da Pimco que supera 97% dos pares corta Mag Seven e aposta na Ásia

Gestor vê os próximos vencedores do boom de inteligência artificial fora das big techs dos EUA, em fornecedores asiáticos e papéis chineses

Por Marcos Guimarães4 set 2026
Fundo da Pimco que supera 97% dos pares corta Mag Seven e aposta na Ásia

O que aconteceu

Um dos fundos da Pacific Investment Management Co., a gestora global conhecida como Pimco, cortou posições no Mag Seven para apostar na Ásia. O fundo abrigado na Pimco supera 97% dos concorrentes com os quais é comparado, segundo o desempenho apurado pela Bloomberg em reportagem publicada em 4 de setembro de 2026. O Mag Seven, grupo das sete maiores ações de tecnologia americanas que inclui Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla, perdeu espaço na carteira do veículo.

No lugar das megacaps dos EUA, o gestor passou a mirar fornecedores asiáticos de equipamentos ligados à cadeia de inteligência artificial, além de ações de financeiras chinesas e de empresas de saúde da China. A tese central do gestor é que os próximos vencedores do boom de IA estarão fora das big techs americanas, um mercado que ele considera concorrido demais.

Contexto

O Mag Seven liderou boa parte da valorização dos índices americanos nos últimos anos, sustentado pelo otimismo com a inteligência artificial. Esse desempenho concentrou os ganhos em poucos papéis e elevou o peso dessas empresas nos benchmarks, o que aumenta a vulnerabilidade dos portfólios a uma correção caso o ritmo de resultados decepcione. A aposta da Pimco caminha na direção oposta. Em vez de seguir o fluxo para as big techs americanas mais disputadas, o gestor procura alternativas em mercados que ainda não embolsaram o mesmo prêmio de valuation. Os fornecedores asiáticos de equipamentos, por exemplo, atendem à construção física da infraestrutura de IA, um segmento que tende a ganhar independentemente de qual empresa de software americanasá liderar a próxima fase da tecnologia.

Por que importa

A reorientação de um fundo da Pimco, uma das maiores gestoras de renda fixa do mundo, sinaliza que a segunda onda do ciclo de IA deve ter vencedores fora dos Estados Unidos. Para investidores brasileiros com exposição internacional, o movimento é um alerta sobre o risco de concentração nas megacaps americanas, que dominam as carteiras globais de tecnologia. A gestora aposta que a liderança atual do Mag Seven não se repete na próxima etapa do ciclo. Para a Ásia, o fluxo representa entrada de capital em setores como equipamentos para data centers, bancos chineses e saúde, enquanto o mercado americano perde parte de um capital que historicamente permanecia cativo nas big techs.

Impacto

No curto prazo, a decisão da Pimco tende a reforçar o apetite por ativos asiáticos ligados à cadeia de semicondutores e de infraestrutura de IA. Fornecedores de equipamentos da região devem ser os primeiros beneficiados, pois o gasto com data centers segue em expansão mesmo com a disputa concentrada nos modelos americanos. As financeiras chinesas e as empresas de saúde da China, por sua vez, oferecem ao fundo uma alternativa com avaliações mais baixas do que as praticadas nas megacaps americanas. Se outros gestores seguirem o mesmo caminho, o movimento pode acelerar uma rotação global de recursos que hoje estão concentrados nos EUA. O revés potencial fica com o próprio Mag Seven, que passaria a contar com menos suporte de compras institucionais americanas.

O que vem agora

Com o ciclo de investimentos em IA ainda em curso, a atenção se volta para a capacidade desses ativos asiáticos de entregar resultados que justifiquem a migração. A Pimco, por meio do fundo que supera 97% dos pares, deverá medir o acerto da tese nos próximos balanços dos fornecedores de equipamentos e das empresas chinesas incluídas na carteira. O mercado também observa se outras gestoras globais repetirão o movimento de redução do Mag Seven em favor da Ásia, o que poderia ampliar o fluxo para a região e forçar uma recomposição dos índices americanos. A Bloomberg não informou prazos para novos ajustes na alocação.