Grupos de alumínio dos EUA e Canadá criticam tarifas e miram China

Associações dos dois países querem parar de taxar umas às outras e focar na concorrência chinesa.

Por Marcos Guimarães26 ago 2026
Grupos de alumínio dos EUA e Canadá criticam tarifas e miram China

O que aconteceu

Os grupos de produtores de alumínio dos Estados Unidos e do Canadá divulgaram uma posição conjunta em 26 de agosto de 2026, defendendo o fim das tarifas que os dois países aplicam mutuamente sobre o metal. As associações industriais, que representam as empresas do setor nas duas nações, afirmam que a rivalidade tarifária bilateral prejudica ambos os lados enquanto a China continua expandindo sua produção e exportação de alumínio. Segundo a Bloomberg, que publicou a notícia em primeira mão, os grupos querem que Washington e Ottawa foquem seus esforços no que chamam de "ameaça real" vinda do gigante asiático.

Os grupos de alumínio dos EUA e do Canadá criticaram as tarifas atuais como contraproducentes. A posição foi apresentada em um momento em que as negociações comerciais entre os dois países enfrentam impasses. As tarifas sobre o alumínio foram impostas originalmente durante a gestão anterior em Washington, e desde então têm sido alvo de disputas na Organização Mundial do Comércio e de retaliações sucessivas.

Contexto

As tarifas sobre o alumínio começaram a ser aplicadas pelos Estados Unidos em 2018, sob a justificativa de segurança nacional. O Canadá, maior fornecedor de alumínio primário para os EUA, foi atingido diretamente, e a disputa se arrastou por anos com idas e vindas. Em 2020, as tarifas foram suspensas, mas voltaram em meados de 2025, quando a Casa Branca retomou a taxação de 10% sobre o metal canadense, citando aumento das importações. O Canadá respondeu com tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, incluindo aço, eletrodomésticos e bens agrícolas.

Paralelamente, a China se consolidou como o maior produtor mundial de alumínio, controlando cerca de 60% da capacidade de refino do metal. A produção chinesa segue subsidiada por políticas industriais do governo central, o que permite preços artificialmente baixos no mercado internacional. A indústria comum dos dois países norte-americanos vê nesse quadro uma competição desleal que as tarifas bilaterais não resolvem, apenas enfraquecem a posição conjunta.

Por que importa

A declaração conjunta dos grupos de alumínio dos EUA e do Canadá pressiona os dois governos a repensarem sua estratégia comercial. Para as empresas do setor, as tarifas elevam o custo do alumínio canadense nos EUA em 10%, impactando fabricantes de latas, automóveis e aviões que dependem do metal. Do lado canadense, as tarifas sobre produtos americanos encarecem insumos para suas fábricas e geram incerteza em um setor que emprega diretamente mais de 100 mil pessoas nas duas nações.

O Canadá, que é o principal fornecedor de alumínio primário para os Estados Unidos, responde por cerca de 40% do consumo americano do metal. As tarifas mútuas forçam as empresas a buscar alternativas mais caras, enquanto a China continua exportando alumínio processado para o mundo inteiro a preços que a indústria norte-americana considera predatórios.

Impacto

A curto prazo, o posicionamento dos grupos setoriais pode influenciar as negociações comerciais entre os dois países, que estão marcadas para reiniciar em outubro de 2026. Se as tarifas forem removidas, o preço do alumínio no mercado americano deve cair, beneficiando as indústrias consumidoras. No entanto, as empresas estão cientes de que uma eventual união tarifária contra a China exigiria medidas mais amplas, como cotas de importação e investigações de dumping, que são processuais lentas e sujeitas a disputas jurídicas.

Os grupos afirmam que, sem uma frente comum, EUA e Canadá perdem poder de barganha. O caso do alumínio é um exemplo do custo de disputas comerciais entre aliados de longa data, num setor estratégico para a indústria de defesa e para a transição energética, já que o alumínio é essencial para veículos elétricos, linhas de transmissão e painéis solares.

O que muda

Na prática, a declaração sinaliza uma mudança de retórica no setor, que historicamente apoiou barreiras protecionistas. Agora, as associações pedem ao governo americano que reverta as tarifas sobre o Canadá e, em conjunto, desenhe mecanismos de resposta à China, como medidas antidumping e acordos de compra preferencial dentro do bloco norte-americano.

As empresas também esperam que o recado seja ouvido no Congresso americano, onde há projetos de lei para ampliar as tarifas sobre o alumínio, e entre os parlamentares canadenses, que discutem a criação de um subsídio à produção local. Os grupos indicam que a prioridade deve ser o combate à concorrência desleal, não a punição entre vizinhos.

O que vem agora

A próxima rodada de negociações comerciais entre EUA e Canadá está prevista para outubro de 2026, e a questão do alumínio deve estar na pauta. Os grupos industriais darão seguimento com encontros com autoridades dos dois países, com pressão para que as tarifas sejam removidas antes do fim do ano. Não há prazo formal para uma decisão, mas a indústria afirma que cada mês de tarifas custa milhões de dólares em competitividade.

A situação também terá efeitos nas discussões sobre o acordo USMCA, que deverá ser revisado em 2026, e que inclui capítulos sobre regras de origem para o alumínio. A posição unificada dos produtores pode desbloquear um entendimento, desde que o governo americano aceite ceder em sua postura protecionista.

FONTES