MindsEye: Build a Rocket Boy demite equipe e pode fechar estúdio

Funcionários anunciam demissão em massa no LinkedIn e indicam encerramento total da desenvolvedora.

Por Marcos Guimarães16 set 2026
MindsEye: Build a Rocket Boy demite equipe e pode fechar estúdio

O que aconteceu

A Build a Rocket Boy pode estar fechando as portas de forma definitiva. A informação veio à tona nesta quarta-feira por meio de publicações de ex-funcionários no LinkedIn, repercutidas pelo site Polygon. O estúdio ainda não comentou publicamente a extensão das demissões.

A Build a Rocket Boy é a desenvolvedora responsável por MindsEye. O MindsEye, jogo de ação em terceira pessoa da Build a Rocket Boy, teve lançamento em junho de 2025 e se tornou um dos piores avaliados daquele ano.

O relato mais direto partiu de Dan Hawkins, principal talent acquisition partner do estúdio. Hawkins escreveu que erguia com pesar o banner verde de #OpentoWork na foto de perfil, ao lado do restante dos colegas da Build a Rocket Boy. Ele afirmou que acompanhará a BARB até o fim, ajudando a encerrar as atividades no departamento de RH. A frase indica que o fechamento é iminente.

Adam Ridsdale, artista líder de armas e objetos 3D, publicou mensagem na mesma linha. Ridsdale disse que, infelizmente, junto com o resto dos colegas da Build a Rocket Boy, enfrenta a demissão por redundância e agora busca uma nova oportunidade.

Michaela Emslie, gerente de lançamento, afirmou que após quatro anos na Build a Rocket Boy recebeu o aviso de redundância junto com outros colegas. Os três relatos apontam para um corte generalizado, não para desligamentos pontuais. O Polygon informou que procurou a Build a Rocket Boy para esclarecimentos e prometeu atualizar o artigo (Polygon).

Contexto

O possível fechamento coroa uma sequência de crises que começou no lançamento. MindsEye chegou ao mercado em junho de 2025 com graves problemas técnicos e de recepção. O resultado foi imediato. O jogo entrou para listas de piores games de 2025 e provocou a primeira onda de demissões no estúdio.

No início de 2026, a Build a Rocket Boy tentou uma reação. O estúdio lançou uma grande atualização para MindsEye com o objetivo de corrigir falhas e recuperar jogadores. A atualização não estabilizou a operação. Pouco depois, houve outra rodada de cortes.

Essa segunda fase foi marcada por declarações polêmicas da direção. O co-CEO do estúdio fez acusações de espionagem e sabotagem corporativa para explicar os problemas do projeto. A suposta evidência dessa sabotagem depois serviu de base para uma DLC de MindsEye, que também foi mal recebida.

Em julho, a crise se tornou pública fora das redes. Funcionários da Build a Rocket Boy processaram o estúdio por violações de privacidade e protestaram em frente à sede. O protesto ocorreu no mesmo período em que a empresa organizou um playtest com despesas pagas para fãs, o que aumentou o constrangimento interno.

Por que importa

O caso interessa porque envolve um estúdio fundado por Leslie Benzies, ex-presidente da Rockstar North e nome central na criação de Grand Theft Auto. A Build a Rocket Boy nasceu com ambição de construir não apenas um jogo, mas uma plataforma de criação. MindsEye seria a prova desse conceito. O fracasso comercial comprometeu essa tese.

Para desenvolvedores, o episódio mostra o custo de lançar um jogo AAA sem polimento em um mercado concentrado. Para jogadores que compraram MindsEye na pré-venda ou no lançamento, o fechamento levanta dúvidas sobre suporte futuro, correção de bugs e disponibilidade de servidores.

Impacto

No curto prazo, o impacto recai sobre os funcionários na Escócia e nos demais escritórios. Os cargos atingidos vão do RH à arte e à gestão de lançamento, o que sugere paralisação de todas as áreas. Hawkins, Ridsdale e Emslie já ativaram o modo de busca por emprego no LinkedIn, movimento seguido por outros colegas citados pelo Polygon.

No médio prazo, o catálogo fica em risco. Sem equipe para manter MindsEye, a grande atualização do início de 2026 pode ter sido o último esforço relevante. A DLC baseada na história da sabotagem, lançada após as acusações do co-CEO, também perde chance de correção ou expansão.

Há ainda o passivo jurídico. O processo movido por funcionários sobre violações de privacidade continua relevante mesmo com o possível fechamento, pois define indenizações e responsabilidades. O protesto de julho já havia exposto a deterioração da relação entre direção e equipe.

O que muda

Na prática, muda o status da Build a Rocket Boy de estúdio em recuperação para estúdio possivelmente extinto. Até agora, a empresa alternava cortes com tentativas de relançamento. Os textos de despedida desta semana usam linguagem de encerramento, não de reestruturação. O termo usado por Hawkins, acompanhar até o fim e ajudar a encerrar o RH, é típico de processo de shutdown.

Para o mercado de games no Reino Unido, a saída libera profissionais experientes em arte 3D, produção e recrutamento. Para os fãs que participaram do playtest pago em julho, fica a incerteza sobre o destino do feedback coletado e de eventuais projetos paralelos da plataforma.

O que vem agora

O próximo passo esperado é um posicionamento oficial da Build a Rocket Boy. O estúdio foi procurado pelo Polygon e ainda não respondeu até a publicação da reportagem original. Um comunicado deve confirmar se o fechamento é total ou se resta uma equipe mínima para obrigações legais e manutenção.

Também será preciso observar os canais oficiais de MindsEye. Sem anúncio, lojas digitais mantêm o jogo à venda, mas a ausência de suporte costuma acelerar a queda de jogadores. Se o fechamento for confirmado, o caso de MindsEye deve entrar para a lista de alertas sobre estreias apressadas e gestão de crise no setor de games.