Navi de Sachin Bansal levanta US$ 100M com Prosus para IPO
Primeiro aporte institucional da fintech indiana, que se prepara para abertura de capital
O que aconteceu
A Navi, fintech indiana fundada em 2018 por Sachin Bansal, levantou US$ 100 milhões do Prosus, o braço de investimentos do conglomerado sul-africano Naspers. A operação, divulgada em 19 de agosto de 2026, é o primeiro aporte institucional da empresa, que até então havia sido financiada com dinheiro próprio de Bansal (TechCrunch).
A transação valora a Navi em cerca de US$ 1,3 bilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Em 2024, a startup havia buscado capital externo com uma valoração de US$ 2 bilhões, mas não fechou a rodada na época. O investimento está sujeito a condições habituais de fechamento e aprovações regulatórias.
Contexto
Sachin Bansal co-fundou o Flipkart em 2007 e ajudou a transformar a livraria online na maior empresa de e-commerce da Índia. Em 2018, vendeu sua participação pouco antes da Walmart fechar a aquisição de US$ 16 bilhões. Depois disso, fundou a Navi e investiu centenas de milhões de dólares do próprio bolso no projeto.
A fintech oferece serviços financeiros variados: pagamentos digitais, crédito, seguros e fundos mútuos. Seu aplicativo de pagamentos, baseado no sistema Unified Payments Interface (UPI), é o quarto maior da Índia, atrás do PhonePe (Walmart), Google Pay e Paytm. Em julho de 2026, o app processou mais de 947 milhões de transações, totalizando ₹483,18 bilhões (cerca de US$ 5,05 bilhões), segundo dados do National Payments Corporation of India (NPCI).
A Navi Finserv, braço de crédito da empresa, gerencia mais de ₹130 bilhões (US$ 1,4 bilhão) em ativos. No ano fiscal encerrado em março de 2026, a startup faturou ₹30,91 bilhões (US$ 323 milhões), mas registrou prejuízo líquido de ₹4,66 bilhões (US$ 48,7 milhões). A empresa afirma ter atingido rentabilidade consolidada no quarto trimestre do ano fiscal de 2026.
Por que importa
O investimento do Prosus valida a trajetória de Bansal, que tentou IPO em 2022 com meta de US$ 440 milhões, mas abandonou o plano em 2023 quando o mercado de ofertas públicas esfriou. A entrada de capital externo de um investidor global como o Prosus sinaliza que a Navi tem credibilidade institucional para avançar com a abertura de capital.
Para o mercado de fintechs na Índia, a operação reforça o apetite de investidores internacionais por negócios de pagamentos e crédito digital no país, mesmo com startups enfrentando prejuízos enquanto escalam operações.
Impacto
No curto prazo, a Navi ganha fôlego financeiro para acelerar o crescimento e se preparar para o IPO. A empresa planeja levantar ₹30 bilhões (US$ 314 milhões) na oferta pública. No médio prazo, a valoração de US$ 1,3 bilhão pode atrair mais investidores e fortalecer a posição da fintech no ecossistema de pagamentos digitais da Índia.
O fato de a Navi ter atingido rentabilidade consolidada no último trimestre fiscal é um sinal positivo para potenciais investidores em IPO, que tendem a priorizar empresas com caminho claro para lucro.
O que muda
A Navi deixa de ser uma empresa financiada exclusivamente pelo fundador e passa a ter um investidor institucional de peso. Isso muda a governança e a expectativa de retorno. O Prosus, que já investiu em empresas como o Mercado Livre e o Swiggy, traz experiência em escalar negócios de tecnologia em mercados emergentes.
O que vem agora
A Navi deve prosseguir com os trâmites regulatórios para o IPO. O investimento do Prosus está sujeito a aprovações regulatórias, e a empresa ainda não confirmou data para a oferta pública. Bansal classificou o aporte como uma "forte aprovação" da instituição que a Navi está construindo, destacando a perspectiva global e a experiência do Prosus em escalar negócios de tecnologia.
