Ataque Pass-ta-key expõe mitos sobre armazenamento de passkeys no Windows

Pesquisador da Palo Alto Networks mostra que passkeys não ficam só no TPM, como muitos acreditam.

Por Redação Mapa Paper11 ago 2026
Ataque Pass-ta-key expõe mitos sobre armazenamento de passkeys no Windows

O que aconteceu

Na semana passada, o pesquisador Arie Olshtein, da Palo Alto Networks, publicou um post descrevendo o ataque Pass-ta-key, que consegue obter todas as passkeys guardadas no Google Password Manager (GPM) para Windows quando a máquina está infectada com malware (Ars Technica). A reação foi de surpresa porque muitos acreditavam que passkeys ficam armazenadas exclusivamente no TPM (Trusted Platform Module), o enclave protegido em chip dedicado para chaves criptográficas em máquinas Windows.

Contexto

A especificação FIDO2, mantida pela FIDO Alliance, não obriga que passkeys sejam guardadas em TPM ou em qualquer hardware dedicado — que recebe nomes diferentes conforme a plataforma, como secure enclaves, trusted execution environments e StrongBoxes. Na prática, a maioria das plataformas e softwares de terceiros não usa esse tipo de hardware para armazenar passkeys. A exceção quase solitária é a Microsoft, que oferece ao usuário a opção de guardar passkeys no TPM do Windows — recomendada principalmente para empresas, não para consumidores (Ars Technica).

Por que importa

O ataque não é novo nem exclusivo de passkeys: qualquer segredo armazenado em um aplicativo pode ser extraído por malware que já tenha acesso à máquina. A confusão gerada pela pesquisa mostra que falta clareza na comunicação sobre onde as passkeys realmente ficam. Para o usuário comum, o risco prático é limitado, mas para empresas que adotam passkeys como camada de segurança, entender a diferença entre armazenamento local e TPM é essencial para avaliar o modelo de ameaça.

Impacto

No curto prazo, o Pass-ta-key deve alimentar discussões sobre a segurança real de passkeys em cenários de máquina comprometida. No médio prazo, a confusão pode levar equipes de segurança a revisar políticas de armazenamento e a considerar o uso do TPM do Windows para passkeys em ambientes corporativos. Também reforça a necessidade de os gerenciadores de senha e plataformas deixarem explícito onde cada credencial é guardada.

O que muda

A principal mudança é de percepção: passkeys não são imunes a malware só porque usam criptografia forte. A segurança depende do modelo de armazenamento adotado por cada aplicativo. Para quem usa o Google Password Manager no Windows, o Pass-ta-key mostra que o app guarda as passkeys de forma acessível ao próprio sistema — e, portanto, a qualquer malware com privilégios suficientes.

O que vem agora

Espera-se que a FIDO Alliance e os desenvolvedores de gerenciadores de passkeys esclareçam melhor as opções de armazenamento em cada plataforma. No Windows, a Microsoft deve continuar recomendando o TPM para empresas, enquanto consumidores seguem com a conveniência do armazenamento gerenciado por apps. A pesquisa também deve incentivar novos estudos sobre o impacto de malware em diferentes implementações de passkeys.